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Cultura / Conhecimento

Prainha, Porto das Lanchas e Largo da Conceição: a história preservada no Arquivo Municipal

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CIDADES

Por Edlamara Conti* – Vitória / ES

Quantos capixabas sabem onde ficam a Prainha, o Porto das Lanchas e o Largo da Conceição? Esses foram os primeiros nomes da Praça Costa Pereira, um dos principais sítios históricos de Vitória. Do tempo em que era a antiga Prainha, no período colonial; recebendo aterros e práticas religiosas no final do século XIX; passando pela modernização, como centro da vida cultural e econômica no século XX; até a configuração atual, a praça sintetiza mais de dois séculos de transformações urbanas e sociais da capital.

Esses fatos marcantes da história estão registrados em documentos, como ordens de serviço e contratações, fotografias e projetos arquitetônicos, que integram o acervo do Arquivo Público Municipal. A coleção apresenta croquis da reforma da Praça Costa Pereira na década de 1920, pelo paisagista Paulo Rodrigues Teixeira da Motta, fotos do antigo Theatro Melpômene e da construção do Theatro Carlos Gomes – ícones da cultura capixaba da época.

Da Prainha ao Largo da Conceição

No século XVIII, na área onde, atualmente, fica a Praça Costa Pereira, havia uma pequena enseada, conhecida como Prainha. Pequenos barcos de pesca e de outras mercadorias atracavam no local, que também era conhecido como Porto das Lanchas.

Em 1755, foi construída a Igreja Nossa Senhora da Conceição da Prainha e o pátio da frente deu origem ao Largo da Conceição. Naquela Villa de Victoria, colonial, o largo tornou-se o espaço de convivência e religiosidade, que reunia pescadores, moradores humildes e escravizados em procissões, folias, atividades circenses e brincadeiras infantis.

Acontece que a antiga Prainha recebia as águas da Fonte Grande e de outras nascentes do Centro. Nas marés cheias, o Largo e todo o entorno eram sujeitos a alagamentos, de forma que pequenos aterros já eram feitos para conter as ‘invasões’.

No governo de Muniz Freire (1892-1896), o Largo da Conceição foi ampliado, recebeu aterro e foi transformado em um jardim urbano. Com o advento da República, surgem novos planos para a cidade e a igreja de Nossa Senhora da Conceição foi demolida, em 1895, para a construção do Theatro Melpômene.

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Coração cultural e econômico

O Theatro Melpômene, inaugurado em 1896, destacava-se por sua arquitetura – todo construído em madeira – e representou o início da modernização urbana de Vitória. Foi o primeiro a sediar uma sessão pública de cinema na capital. Neste mesmo ano, o espaço popular recebeu o nome de Largo Costa Pereira e se transformou no coração da vida cultural, voltada para a elite.

O espaço oferecia pequenos espetáculos, cafés, jogos e reunia personagens da política e pessoas das classes mais abastadas. Em 1922, um projeto do paisagista Paulo Motta reformulou o jardim, que recebeu árvores, coreto, canteiros e iluminação, e passou a representar o novo espírito que se pretendia imprimir à capital capixaba: próspera, bonita e moderna.

A reforma foi conduzida pelo engenheiro Moacir Avidos, filho do governador Florentino Avidos. O jardim passou a se chamar Praça da Independência, em homenagem ao centenário da Proclamação, por Dom Pedro I.

Planta de Vitória por Andre Carloni, mostrabndo a Prainha. Data> 1885

Planta de Vitória por Andre Carloni, mostrabndo a Prainha. Data> 1885 – Arquivo Público Municipal

Foi durante a exibição de um filme, em 1924, que ocorreu um incêndio no Theatro Melpômene, causando mortes e dezenas de pessoas feridas. O Theatro foi demolido para a abertura da Rua do Reguinho, atual Rua Sete de Setembro. A vocação cultural da região foi confirmada com a construção do Theatro Carlos Gomes, pelo arquiteto italiano André Carloni. O novo teatro foi inaugurado em 1927.

Novas intervenções foram feitas na praça, que foi ampliada. Passados esses anos, o nome Praça da Independência ainda não era popular. Então, em 1928, o governador Florentino Avidos deu ao espaço o nome atual: Praça Costa Pereira.

Cultura, arquitetura e footing

Nos anos 1930, a praça se consolidou como ponto de encontro da sociedade capixaba. Era o local perfeito para a prática do footing – caminhadas leves feitas pelos jovens, muitas vezes com o intuito de paquerar, de encontrar um par. As famílias moradoras do Centro “desfilavam”, passeavam, contemplavam, namoravam, faziam compras e se recreavam na praça adornada.

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O Theatro Glória, inaugurado em 1932, se destacou no cenário. A vida cultural fluía naquele espaço, com eventos carnavalescos, com apresentações da Banda da Polícia Militar. A cidade crescia rapidamente e, a esta altura, a praça já era servida pelo bonde. A arquitetura eclética das construções ao redor, como o Hotel Europa (1928), o Banco Hipotecário, contribuíam para criar o ambiente de imponência e sofisticação do local.

A construção do Edifício Antenor Guimarães, em 1936, é um marco da verticalização do entorno da praça. Com sete pavimentos, todo em concreto armado, o prédio apresenta elementos da arquitetura moderna. Logo depois vieram edificações modernas, como o Edifício do Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Industriários (IAPI), seguido do edifício Palácio do Café, com a sede do Clube Álvares Cabral, na década de 1950.

Quiosque da Praça da Independência. Década de 1920

Quiosque da Praça da Independência. Década de 1920

Os teatros, os edifícios históricos e a movimentação de moradores e de clientes do comércio e dos serviços do entorno continuam a contar a história de uma cidade em constante movimento. Novos projetos paisagísticos foram realizados e as transformações sociais e econômicas do entorno refletem novas dinâmicas urbanas. A atual Praça Costa Pereira, com seus usos populares, mantém-se como espaço de convivência e cultura e em seu entorno estão importantes monumentos históricos.

Quem foi Costa Pereira?

José Fernandes da Costa Pereira (1833-1889) foi presidente (corresponde ao cargo de governador, atualmente) da Província do Espírito Santo de 1861 a 1863, tendo presidido as províncias do Ceará, São Paulo e do Rio Grande do Sul. Foi conselheiro do Império e foi ele quem garantiu verbas para a colonização germânica e italiana em solo capixaba, impactando diretamente na fundação de Santa Isabel, Santa Teresa, Alfredo Chaves e Rio Novo. Foi abolicionista e é patrono da cadeira nº 7 da Academia Espírito-Santense de Letras.

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* Prefeitura de Vitória / Comunicação – Conteúdo

* Fotos: Arquivo Público Municipal

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CIDADES

Canal de Camburi tem grande movimento e encanta moradores de Vitória

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Por Janaína Bastos* | Vitória (ES)

O primeiro domingo após a inauguração da nova urbanização do Canal de Camburi foi marcado por sol, movimento intenso e muitos elogios ao espaço recém-entregue à população. Pedestres, ciclistas, casais, crianças, famílias e pets aproveitaram o dia para conhecer de perto a obra e realizar os primeiros passeios pelo novo cartão-postal de Vitória.

A satisfação dos visitantes era perceptível nas expressões de encantamento e contentamento com a transformação da área, aguardada há anos pelos moradores da capital. O novo espaço, que integra o programa Vitória de Frente para o Mar, rapidamente se tornou ponto de encontro para quem buscava lazer, contato com a natureza e uma nova perspectiva da cidade.

Morador do Espírito Santo, Sérgio Guedes visitou o local acompanhado do neto, Guido, e destacou o potencial da região. “A gente não entendia por que a orla e o mar daqui não eram mais explorados, como acontece em outras cidades. Demorou, mas saiu. O calçadão ficou muito bem feito. Ainda há muito o que ser desenvolvido, como restaurantes, parques e áreas de lazer para as crianças, mas percebemos que tudo está sendo construído com cuidado e qualidade. O Estado merece isso”, afirmou.

A ciclista Amanda Abranches, que esteve no local com a família, acredita que a revitalização trará benefícios para toda a cidade. “Ficou muito bom e contribui para valorizar os bairros do entorno. Esse lado tão bonito de Vitória ficou esquecido por muito tempo, e agora a população volta a olhar para o canal. Isso fortalece o sentimento de pertencimento e ajuda as pessoas a cuidarem e preservarem o espaço. Só vejo pontos positivos nessa obra”, disse.

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Também acompanhada da família, Beatriz Santos comemorou a valorização da área e a presença de espaços destinados às crianças. “Sentíamos falta de algo assim. O material utilizado ficou muito bonito e a ideia do parquinho foi genial. As crianças chegaram e já correram para brincar. É um espaço que antes não era aproveitado e que agora reúne famílias. E pensar que a obra foi inaugurada ontem e já está lotada”, comentou.

Para Rodolfo Laranja, que levou a família e as crianças para passear de bicicleta, a urbanização tem potencial para se consolidar como um dos principais pontos turísticos do Espírito Santo. “Achei a obra maravilhosa, muito bem-feita e elaborada. É um conceito de integração da comunidade e, com certeza, vai se tornar um cartão-postal do Estado. A prefeitura está de parabéns”, ressaltou.

Primeira Etapa da Urbanização do Canal de Camburi - Movimentação após a inauguração

A nova área de convivência também conquistou os tutores de animais. Gauciene Fernandes aproveitou o passeio com o cachorro e ressaltou a importância de mais opções de lazer na cidade. “Vitória ganhou mais um espaço para levar os pets para passear, apreciar a vista do canal e desfrutar de momentos agradáveis em família, seja para caminhar, correr ou simplesmente aproveitar o dia”, destacou.

Marília Vieira contou que se surpreendeu ao conhecer o local pessoalmente. “Quando ouvi falar sobre a inauguração, não imaginava a dimensão da obra. Achei incrível e muito importante para a população, porque lazer nunca é demais, especialmente para quem tem filhos. Era uma área muito subutilizada e acredito que a prefeitura acertou em cheio com essa transformação”, afirmou.

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Ao todo, o projeto prevê cerca de 3,3 quilômetros de passeio público sobre a água, com espaços destinados à caminhada, ao ciclismo, à contemplação da paisagem, às atividades náuticas e à convivência, conectando diferentes regiões da capital. A primeira etapa, inaugurada neste sábado (18), corresponde a pouco mais de um quilômetro de extensão, mas as obras terão continuidade nos próximos anos, incluindo novas áreas de lazer, equipamentos comerciais, uma peixaria e uma passarela para pedestres ligando os bairros Pontal de Camburi e Santa Luiza.

Primeira Etapa da Urbanização do Canal de Camburi - Movimentação após a inauguração

Mais do que uma nova opção de lazer, a urbanização do Canal de Camburi já demonstra seu potencial para fortalecer a convivência entre moradores, valorizar a paisagem da capital e ampliar a conexão dos capixabas com a orla. No primeiro fim de semana após a entrega, o intenso movimento e a aprovação da população mostraram que o espaço já conquistou seu lugar na rotina e no coração dos moradores de Vitória.

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  • Prefeitura de Vitória / Comunicação – Conteúdo
  • Foto destaque: Crédito – Leonardo Silveira / PMV
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