Ministro se Manifesta
Ministro Gilmar Mendes reforça apoio a Moraes
BRASIL
Decano do STF diz que Corte respalda a decisão do magistrado sobre a prisão domiciliar de Bolsonaro, e elogia atuação do colega
Por Maiara Marinho* – Brasília / DF
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que a Corte apoia a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que determinou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração contradiz conversas de bastidores que sugerem um isolamento de Moraes. “Não há nenhum desconforto. O ministro Alexandre tem toda nossa confiança e apoio”, enfatizou o decano da Corte.
Gilmar ressaltou o orgulho de ser colega de Moraes e destacou o serviço prestado pelo ministro nos ataques à democracia. “O Brasil teria se tornado um pântano institucional não fosse a ação de Moraes. Nós devemos muito, o Brasil deve muito à atuação dele durante todo esse período, da covid, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral); depois, com todas essas questões, fake news. Um trabalho desafiador”, frisou.
O decano disse ser preciso ressaltar que o país passou 40 anos em uma sucessão política normal. “Perde-se, ganha-se eleição, vai-se para casa, disputa-se outra eleição. Agora, planeja-se a morte do Lula, do vice-presidente Alckmin e de Alexandre de Moraes. Isso acaba de ser reconhecido, confessado pelo general Fernandes”, afirmou. “Estamos falando de coisas extremamente sérias, não estamos falando de um passeio no parque. Isso é extremamente grave. Então, é preciso que seja reconhecido e ressaltado.”
A decisão de Moraes, sob justificativa de que Bolsonaro desrespeitou medidas cautelares impostas pelo STF, dividiu opiniões no mundo jurídico. Especialistas veem regularidade na determinação, outros acreditam que foi extrema e não seguiu o rito do Judiciário.
As principais críticas à ordem de Moraes giram em torno da ausência de consulta à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal (PF) antes da decretação da prisão domiciliar. Um parecer desses órgãos é um procedimento considerado padrão. Especialistas ouvidos pelo Correio divergem sobre o tema. Para o advogado constitucionalista Ilmar Muniz, a decisão de Moraes é um desdobramento de uma determinação anterior que já havia sido referendada pela Primeira Turma do STF. “Como essas medidas incluíam a possibilidade de prisão em caso de descumprimento, não houve necessidade de novo julgamento colegiado. Trata-se de um desdobramento da decisão anterior, dentro da competência do relator”, frisou.
No entanto, para a especialista em direito penal Hanna Gomes, a falta de consulta à PGR configura-se uma irregularidade. “Em regra, as cautelares são requeridas por representação da acusação ou da PGR/PF para, então, o juiz avaliar”, disse a advogada.
“Bombardeio”
Na terça-feira, Gilmar assumiu a presidência da Segunda Turma do STF. Em seu discurso, criticou os ataques que a instituição sofre. Para o ministro, a “sociedade bombardeada por um fluxo de informação e desinformação vertiginosos tem se afundado na polarização e nas tensões políticas e engendrado um sistemático questionamento, se não mesmo um ataque frontal à democracia”.
Também numa crítica à desinformação, Gilmar ressaltou que “a verdade padece ante a avalanche de fake news e espúrias narrativas fabricadas”. Para o magistrado, o STF tem o desafio de mostrar a real atuação da Corte: “Uma atuação rigorosamente comprometida com a Constituição, com a segurança jurídica, com o Estado Democrático de Direito e com os direitos fundamentais de todos os brasileiros”.
O pronunciamento do ministro se deu na primeira sessão da turma após o retorno do recesso. Durante a pausa, Moraes foi sancionado pelo governo dos EUA, via Lei Magnitsky, em retaliação ao processo que a Corte conduz investigando Bolsonaro na tentativa de golpe de Estado.
_____________________________________________
*Correio Braziliense – Conteúdo / Com Agência Estado
*Foto/Destaque: crédito: Fellipe Sampaio /STF
BRASIL
MPRJ aponta que esquema do Comando Vermelho movimentou mais de R$ 116 milhões
Operação investiga plano para ocultação de recursos da facção criminosa
Rio de Janeiro – RJ
Uma organização suspeita de lavar dinheiro para a facção criminosa Comando Vermelho movimentou mais de R$ 116 milhões entre 2020 e 2025 e se tornou alvo de uma operação do Ministério Público nesta terça-feira (2). Ao todo, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão em endereços localizados nos estados do Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais.
A ação foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ), com o apoio da Polícia Civil do Rio e das forças de segurança dos estados envolvidos.
De acordo com as investigações, o esquema financeiro era utilizado para ocultar recursos ligados às atividades da facção criminosa. Os investigadores identificaram uma intensa movimentação de valores entre contas bancárias de pessoas e empresas ligadas ao grupo.
Um dos pontos que mais chamaram a atenção dos promotores foi a concentração de beneficiários dos depósitos no município de Sete Quedas, em Mato Grosso do Sul. A cidade está localizada na região de fronteira com o Paraguai e é considerada estratégica para o ingresso de armas, cocaína e maconha em território brasileiro.
Segundo o Ministério Público, os recursos saíam principalmente do Rio e eram transferidos para contas na região de fronteira, em um fluxo que pode estar diretamente relacionado à logística do tráfico de drogas. A suspeita é de que o dinheiro circulasse para financiar a compra de entorpecentes e armamentos, além de ocultar a origem ilícita dos valores.
As investigações apontam que a rota utilizada pelo grupo acompanha o caminho percorrido pelas drogas que entram no Brasil por Mato Grosso do Sul, vindas do Paraguai, antes de serem distribuídas para comunidades dominadas pela facção no Rio de Janeiro.
—————————————————————————–
- Matéria reproduzida do jornal Meia Hora – Conteúdo
- Foto destaque: Divulgação / MH
-
POLÌCIA7 dias atrásPrefeito e ex-prefeito são presos durante operação da PF em Pedro Canário
-
Política Internacional7 dias atrásFlávio Bolsonaro visita Donald Trump na Casa Branca
-
SAÚDE7 dias atrásFiocruz apresenta pesquisa abrangente sobre a saúde dos idosos no país
-
Economia5 dias atrásNascida com investimento de R$ 360, Borana quer faturar R$ 32 milhões em 2026
-
BRASIL5 dias atrásRacha na Maçonaria do RJ se intensifica após GOB suspender tratado de amizade com a GLMERJ
-
BRASIL5 dias atrásLula diz sonhar em reverter privatizações de empresas estratégicas
-
Política Internacional7 dias atrásLula envia Janja a evento na Itália com tudo pago pelo governo
-
BRASIL6 dias atrásComissão aprova o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais