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Governo e agro brasileiro buscam saídas contra o tarifaço dos EUA

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Ministro Carlos Fávaro estreita pontes com o setor, que dá mostras de irritação com os Bolsonaro. Convoca empresários a trabalhar pela revogação da taxação de 50% imposta por Trump e junto ao Brics na busca de abertura de novos mercados

Por Fabio Grecchi e Aline Gouveia* – Brasília/ES

O governo federal começa a fazer movimentos para trazer um segmento da economia tradicionalmente apoiadora do ex-presidente Jair Bolsonaro, o agronegócio, para perto, a fim de, juntos, fecharem propostas capazes de suspender o tarifaço de 50% imposto por Donald Trump às exportações brasileira para os Estados Unidos. À frente dessa estratégia, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, que quer a presença dos empresários do setor ao lado dele no esforço de, também, buscar novos mercados.

Fávaro, inclusive, postou vídeo no seu Instagram pessoal anunciando que já está em contato com os empresários mais afetados pelo tarifaço e que intensificará as conexões com o Brics como forma de redirecionar as exportações do agro. “Diante da ação indecente do governo norte-americano, em taxar em 50% as exportações brasileiras, já estamos agindo de forma proativa. Telefonei para as principais entidades representativas dos setores mais afetados, o setor de suco de laranja, o setor de carne bovina e o setor de café, para que possamos, juntos, ampliar as ações que já estamos realizando nos dois anos e meio do governo do presidente Lula: em ampliar mercados, reduzir barreiras comerciais e dar oportunidade de crescimento para a agropecuária brasileira”, salientou.

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Segundo o ministro, “neste momento, vou reforçar essas ações, buscando os mercados mais importantes do Oriente Médio, do Sul Asiático e do Sul Global, que têm grande potencial consumidor e podem ser uma alternativa para as exportações brasileiras. As ações diplomáticas do Brasil estão sendo tomadas em reciprocidade. As ações proativas acontecerão, aqui, no Ministério da Agricultura e Pecuária, para minimizar os impactos”.

Essa intensificação da conexão com o agro é em função, sobretudo, da irritação do setor com os movimentos feitos por Bolsonaro, e alguns dos seus apoiadores, na tentativa de salvar o ex-presidente de uma condenação, pelo Supremo Tribunal Federal, por envolvimento na trama para um golpe de Estado. Para empresários e políticos ligados ao agronegócio, as gestões do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) junto ao governo norte-americano e a parlamentares trumpistas ultrapassou o alvo inicial — o ministro Alexandre de Moraes, do STF, relator do inquérito sobre a ruptura institucional — e tornou-se algo mais amplo, que é a economia brasileira. Uma das primeiras a se manifestar sobre isso foi a ex-senadora Kátia Abreu, também ex-ministra da Agricultura no governo de Dilma Rousseff e ex-presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária. Em uma publicação no X (antigo Twitter), ela faz um comentário sobre um vídeo postado pelo filho 03 de Bolsonaro no qual ele defende o ambiente de negócios norte-americano e diz que as tarifas impostas por Trump ao Brasil seriam um “convite” ao investimento externo.

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“Esse deputado é do Brasil ou dos Estados Unidos?”, indaga. Em outra publicação, Kátia critica o parlamentar licenciado e o ex-presidente. “Filho de Bolsonaro não sabe o que desencadeou. Um prejuízo grande ao Brasil. A milhares de brasileiros. Com apoio do seu pai”, frisa. “Me solidarizo com a aflição dos empresários exportadores do Brasil para os EUA e todos os demais que trabalhem nesta cadeia de exportação. Ninguém merece uma insegurança dessa. Preocupação com as contas a pagar, inclusive seus colaboradores”, publicou.

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* Correio Braziliense – Conteúdo

* Foto/Destaque: crédito : Ricardo Stuckert / PR

 

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Messias é rejeitado para o STF

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Primeira rejeição em 132 anos marca indicações ao STF; Lula já nomeou Zanin e Dino para a Suprema Corte, desta vez fracassou na sua indicação

A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) foi rejeitada pelo plenário do Senado, por 34 a 42 votos, marcando a primeira vez em 132 anos que um nomeado para a Corte é barrado. Apesar de ter sido aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Messias não alcançou os votos necessários na votação final, em um revés histórico para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A última rejeição havia ocorrido em 1894. Messias havia sido indicado para a vaga que será aberta com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso. Com o resultado negativo, o foco se volta para os outros dois ministros efetivamente nomeados por Lula em seu atual mandato: Cristiano Zanin e Flávio Dino.

As indicações bem-sucedidas de Lula

Cristiano Zanin, o primeiro nomeado

Antes da tentativa frustrada com Messias, o primeiro nomeado por Lula em seu terceiro mandato foi Cristiano Zanin. Ele atuou como advogado pessoal do presidente nos processos da Lava Jato, obtendo as vitórias judiciais que anularam as condenações e restauraram os direitos políticos do petista. Zanin assumiu a vaga deixada por Ricardo Lewandowski, que se aposentou em abril de 2023.

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Flávio Dino, da política para a Corte

O segundo indicado a tomar posse foi Flávio Dino, então ministro da Justiça e Segurança Pública. Com uma longa carreira política como governador do Maranhão, deputado federal e senador, Dino preencheu a vaga aberta pela aposentadoria da ministra Rosa Weber. Sua nomeação levou para o STF uma figura com forte articulação política e experiência no Executivo e Legislativo.

Pesa sobre Flávio Dinho a acusação pela oposição, de ter supostamente dado sumiço às câmeras que tinham gravado a movimentação das tropas estacionadas no pátio do Ministério da Justiça sem intervir para impedir as ações que vandalizaram as sedes dos três poderes.

O perfil do indicado rejeitado

Jorge Messias, o nome barrado pelo Senado, é procurador da Fazenda Nacional de carreira e ganhou notoriedade em 2016. Na época, uma conversa sua com a então presidente Dilma Rousseff foi divulgada, na qual ela se referia a ele como “Bessias”, apelido que o acompanha nos bastidores do poder. Considerado um nome técnico e leal ao presidente, Messias ocupava a chefia da Advocacia-Geral da União (AGU) desde o início do governo. Protagonizou ações que influenciaram – de certa forma – na sua rejeição. “Seria mais um aliado do governo Lula e não um ministro imparcial, gerando desconfiança”, disse uma liderança política.

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  • Da Redação | Com informações da mídia nacional
  • Foto Destaque: crédito – Ed Alves /CB/ D.A Press
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