Botânica / Descoberta
Nova espécie de árvore é descoberta no Monumento Natural Serra das Torres
Curiosidade & Conhecimento
Por Karolina Gazoni*
Uma nova espécie de árvore da família botânica Lauraceae, popularmente conhecida por incluir plantas como canelas, abacateiros e louros, foi descoberta no Monumento Natural Estadual Serra das Torres (Monast), uma das Unidades de Conservação sob gestão do Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema). Batizada de Aiouea myrmecophila, a descoberta reforça a rica biodiversidade da Floresta Atlântica capixaba.
Publicada na revista científica Feddes Repertorium, a descoberta é de autoria dos pesquisadores Marcelo Leandro Brotto, do Museu Botânico Municipal de Curitiba, e de Pedro Luís Rodrigues de Morais, da Universidade Estadual Paulista (UNESP).
A nova espécie se destaca por sua curiosa interação com as formigas. Durante a coleta de amostras, os pesquisadores observaram que as formigas habitam apenas os ramos onde ficam inseridas as folhas, criando ‘túneis’ para o centro do ramo e pequenas ‘janelas’ para saírem. O nome myrmecophila deriva do grego, significando “amiga das formigas”, refletindo essa relação simbólica.
Além da característica particular das formigas não agressivas, a Aiouea myrmecophil apresenta folhas grandes, que variam de 16 a 35 centímetros de comprimento, flores verdes minúsculas de 3 milímetros e frutos de forma elíptica com até 1,5 centímetros. A árvore pode atingir 12 metros de altura e se desenvolve sob a sombra da camada superior da floresta.
O gestor do Monumento Natural Serra das Torres, Guilherme Carneiro, lembra que a descoberta desta espécie endêmica, sendo registrada apenas em cinco localidades, só foi possível com o apoio do Iema, que gerencia a Unidade de Conservação. “Essa área é crucial para a preservação da espécie, já que uma das cinco unidades da árvore está Monast”, explica Guilherme Carneiro.
Pelo baixo número registrado (cinco unidades), os pesquisadores alertam que a Aiouea myrmecophila está em risco de extinção, destacando a importância da conservação da Floresta Atlântica, que abriga muitas espécies endêmicas em trechos restritos. A nova espécie retrata a importância da manutenção das áreas protegidas, fundamentais para garantir a preservação da biodiversidade local e a continuidade de espécies, como a amiga das formigas.
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* Fonte: Iema / Assessoria de Comunicação
* Foto / Destaque: Divulgação / Iema
Curiosidade & Conhecimento
Fazenda ‘rara’ do subúrbio do Rio segue abandonada após promessa de revitalização do Governo Federal
Por Victor Serra* | Rio de Janeiro (RJ)
Mais de um ano após ser incluída entre os 14 bens culturais fluminenses contemplados pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), a histórica Fazenda Capão do Bispo, no Cachambi, Zona Norte do Rio, permanece sem qualquer intervenção de restauro. Enquanto as obras não saem do papel, o casarão do fim do século XVIII segue sendo alvo de invasões, vandalismo e furtos. Segundo apuração da reportagem, o programa destinou R$ 440 mil para a elaboração do projeto de restauração do imóvel.
Na época do anúncio, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou ao DDR que o imóvel seria transformado
Patrimônio em deterioração

Sem vigilância permanente e praticamente abandonado, o casarão vem sofrendo com a retirada de portas, janelas e outros elementos arquitetônicos, além da ocupação irregular por pessoas em situação de rua. Recentemente, preservacionistas denunciaram a realização de fogueiras no interior da construção, aumentando o risco de incêndio em um imóvel tombado.
Para o ativista Marconi Andrade, da página SOS Patrimônio, a situação é crítica e coloca em risco um dos imóveis históricos mais importantes da cidade. “A Fazenda Capão do Bispo é um patrimônio fundamental para a história do Rio de Janeiro e do Brasil. Foi um dos primeiros locais de cultivo de cana-de-açúcar e, mais tarde, recebeu uma das primeiras mudas de café plantadas no país. Hoje, infelizmente, a casa está completamente aberta, sem segurança e sem manutenção. Portas e janelas estão sendo roubadas, há pessoas morando no imóvel e existe um risco real de incêndio ou até mesmo de desabamento”.

Marconi afirma que grupos ligados à preservação do patrimônio precisaram se mobilizar. “Existe um risco real de incêndio e até de desabamento. Há pessoas utilizando o imóvel de forma irregular, enquanto o patrimônio permanece completamente vulnerável”.
Há cerca de quatro anos, o Ministério Público ajuizou uma ação civil pública pedindo medidas para garantir a recuperação do imóvel. O processo, no entanto, não produziu os efeitos esperados.
Uma fazenda que ajudou a contar a história do Brasil
A Casa do Capão é considerada um símbolo da arquitetura vernacular brasileira, e integra o Projeto Circuito de Fazendas Históricas do Rio de Janeiro. Em 1759, a fazenda foi confiscada dos jesuítas e incorporada à Coroa. Dois anos depois, começou a ser leiloada. Um dos compradores foi o bispo D. José Joaquim Justiniano Mascarenhas de Castelo Branco, que construiu a casa-grande em um capão — porção de mata isolada sobre um outeiro de cerca de 20 metros de altura — origem do nome da propriedade. Durante séculos, a fazenda manteve atividades agrícolas.
Do ponto de vista arquitetônico, o casarão é uma das raríssimas casas de engenho preservadas na cidade do Rio. Conserva características típicas das edificações rurais setecentistas da Baía de Guanabara, como o pátio central e a varanda sustentada por colunas toscanas de alvenaria. Especialistas costumam comparar sua relevância apenas à da Fazenda do Colubandê, em São Gonçalo.
O imóvel foi tombado pelo Iphan ainda na primeira metade do século XX.
O que diz o Iphan
Procurado pelo DIÁRIO DO RIO, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional informou que aguarda o envio do projeto executivo de restauração pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), responsável pela condução do processo. Segundo o órgão federal, cabe ao Iphan apenas analisar e aprovar o projeto, descentralizar os recursos do Novo PAC e fiscalizar a execução das obras.
Sobre as invasões e o vandalismo registrados no imóvel, o instituto ressaltou que a manutenção dos bens tombados é responsabilidade de seus proprietários. O órgão informou ainda que, após vistoria técnica, encaminhou ofícios à Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (Secec), alertando para o descumprimento de medidas emergenciais e solicitando providências imediatas.
Entre os problemas apontados estão a falta de limpeza do terreno, o acúmulo de lixo e dejetos, a ausência de capina, o avanço da vegetação e a inexistência de vigilância efetiva no local.
- Matéria do Diário do Rio – Conteúdo
- Foto destaque: Reprodução / Iphan
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