Vereador é Questionado
Vereador de São Mateus é criticado pelos seus eleitores e moradores de Nova Lima, São Geraldo e Itauninhas
Política Regional
Vida de vereador aliado do prefeito de São Mateus não é fácil. Fica ainda pior quando tem o mandato como emprego e a atuação parlamentar é, ao que parece, obedecer às ordens vindas do Executivo. Pelo menos é o que pensa a maioria das pessoas que criticam esses “nobres” edis.
O vereador Isael Aguilar não é virgem na política, pois já esteve no legislativo em outra ocasião. Neste mandato parece não ter aprendido que o parlamentar é representante dos seus eleitores e o mandato é como se fosse uma credencial que usa e, caso não seja reeleito, terá que ser devolvida aos seus eleitores. “Às vezes devolve a credencial, já que as máscaras caem quando assumem e não cumprem o que prometem”, disse uma liderança comunitária.
Pelas reclamações feitas pelos moradores do Distrito de Itauninhas, o vereador usou seu eleitorado, se elegeu e deu às costas ao seu reduto, seus eleitores e não atendeu as demandas daquela região. Vem sendo acusado de não levar nada para a comunidade, apesar de “bajular o prefeito e fazer tudo que ele manda”, disse um morador ouvido pela reportagem. Um outro gravou áudio em que disse torcer para que ele não seja reeleito e que, ao voltar a pedir voto vai estar com uma panela de água sanitária para escaldar o vereador “omisso que esqueceu do seu povo que acreditou nele”. Disse que o vereador não cumpriu uma das demandas, se referindo a uma torre de sinal de celular que foi prometida e nunca foi construída, em entendimento com a operadora do sinal.
Outra acusação contra o vereador Isael é sobre uma máquina que fazia serviço em um local e sem qualquer explicação foi retirada e levada para outro lugar com a finalidade de atender aliado seu, “para fazer para quem não precisa, para puxar o saco”, disse revoltada uma moradora. Falou também da situação das estradas e, apesar de ser “submisso ao prefeito”, não consegue trazer nenhum benefício da Prefeitura para a comunidade.
Outra reclamação é do Posto de Saúde, que só tem uma enfermeira e que suas instalações estão precisando de limpeza e conservação.
“O vereador nos envergonha, prometeu muita coisa e não cumpriu nada”, disse uma das pessoas ouvidas pela reportagem. “Tem gente que vende o voto e agora está sofrendo”, completou. “Por isso temos que levar a sério nosso voto”.
Isael é um daqueles vereadores que defende a aprovação do empréstimo de R$ 100 milhões “para o prefeito fazer agora o que não fez em sete anos de governo, apesar do superávit orçamentário de R$ 130 milhões da Prefeitura de São Mateus”.
Sempre bem votado
Apesar de toda essa questão envolvendo o vereador Isael Aguilar e vários de seus eleitores, ele sempre foi bem votado todas as vezes que disputou uma eleição. Seu primeiro mandato foi em 2004, pelo PDT, quando obteve 599 votos. Em 2008, pelo PV obteve 1267 votos; em 2012 1337 votos, sendo o sexto mais bem votado e, por questão de legenda não conseguiu se eleger. Nas eleições de 2020 candidatou-se novamente e foi eleito com 947 votos. Como se pode constatar, em todas as disputas foi bem avaliado pelo seu eleitorado, o que não justificaria uma atuação no mandato atual receber tantas críticas e, justas ou não, são “duras e contundentes”, numa demonstração que a relação vereador-eleitor parece ter se desgastado devido a aceitar uma administração pífia do prefeito, por conveniência achando que receberia os benefícios que a sua comunidade tanto clama. “Entre o seu eleitorado e o prefeito, ficou com o prefeito, que em todos esses anos tem levado o município de São Mateus ao caos em todos os sentidos, exceto na realização de festas em que se prolifera o desrespeito com os recursos municipais que estão faltando em outros setores da administração pública”, analisa uma liderança política de São Mateus, conhecedora do cenário político-administrativo do município. 
Isael é servidor público do Saae, onde está há mais de 33 anos. Pelo que se apurou, foi um funcionário sem restrições, cumpridor de suas obrigações.
Procurado para falar sobre essa situação em que vem recebendo tantas críticas, não retornou aos contatos feitos até a publicação desta matéria.
- Fotos: Reprodução
Política Regional
Prefeito de Marechal Floriano tem mandato cassado após denúncia sobre licitações
Antônio Lidiney Gobbi (PP) perdeu o mandato por irregularidades apontadas em processos licitatórios. Vice-prefeito, Paulo Lovatti Júnior (PL), assumiu a Prefeitura nesta sexta-feira (25).
A cassação de prefeitos tem se tornado recorrente em diferentes municípios brasileiros. No Espírito Santo, mais um caso ganhou destaque nesta sexta-feira (25), desta vez em Marechal Floriano, na Região Serrana do Estado.
O prefeito Antônio Lidiney Gobbi (PP) teve o mandato cassado pela Câmara Municipal durante sessão extraordinária realizada nesta sexta-feira. Com a decisão, o vice-prefeito Paulo Lovatti Júnior (PL) assumiu o comando do município.
A cassação ocorreu após os vereadores julgarem procedente, por unanimidade, uma denúncia que apontou irregularidades em procedimentos de licitação. A sessão destinada ao julgamento durou mais de cinco horas.

Lidiney Gobbi acompanhou a sessão e apresentou sua defesa oral antes da votação em plenário. A decisão ainda é passível de recurso. Procurado pela reportagem, o ex-prefeito informou que irá recorrer da cassação.
Entenda a denúncia
Segundo informações da Câmara Municipal, o processo analisou alterações nas datas de avisos de licitação publicados no portal oficial da Prefeitura entre julho e outubro de 2025. Conforme apontado pela Comissão Processante, alguns avisos deixaram de aparecer entre as publicações recentes e, posteriormente, voltaram a ser disponibilizados no portal.
O processo também apontou suposto fracionamento de despesas e a execução de serviços antes da assinatura dos respectivos contratos.
Júnior Lovatt, vice-prefeito
De acordo com a conclusão da Comissão Processante, as condutas analisadas teriam comprometido a transparência dos procedimentos, a concorrência entre os fornecedores e o acompanhamento dos gastos públicos.
A comissão teve como relator o vereador Diogo Endlich de Oliveira e foi presidida pelo vereador Dorivanio Stein, tendo Reinaldo Valentim Frasson como integrante. O parecer final foi aprovado por unanimidade.
Na votação realizada durante a sessão, os 11 vereadores foram favoráveis à cassação do prefeito.
Processo teve decisões judiciais
A denúncia foi recebida pela Câmara Municipal em 5 de novembro de 2025. Durante a tramitação do processo, a Casa informou ter assegurado ao prefeito o direito à defesa, à produção de provas, à oitiva de testemunhas e ao contraditório.
O procedimento chegou a ser temporariamente suspenso por decisão judicial. Na última semana, porém, o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) revogou a liminar que havia interrompido o processo e restabeleceu o rito de cassação no dia 17 de setembro.
Com a decisão da Câmara, Paulo Lovatti Júnior, que ocupava o cargo de vice-prefeito, assumiu a Prefeitura de Marechal Floriano.
- Da Redação / Com informações da CMMF
- Foto destaque: Crédito – Fabrício Ribeiro / portal Montanhas Capixabas
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