Prefeitura em Ação
PMV reforça restrição de acesso a ilhas da capital durante período de reprodução de aves marinhas
Meio Ambiente
Por Michelle Moretti* / Vitória – ES
Entre março e outubro, um movimento quase invisível transforma as Ilhas Galheta, de Dentro e de Fora, em verdadeiros berçários naturais. É nesse intervalo que centenas de aves marinhas escolhem o solo rochoso dessas áreas para depositar seus ovos — frágeis, discretos e facilmente confundidos com a paisagem. Para garantir que esse ciclo aconteça sem interferências, a Prefeitura de Vitória reforça que o acesso às ilhas está proibido nesse período, conforme determina a Lei Municipal nº 8.993/2016.
A medida protege especialmente duas espécies que utilizam o local como sítio de nidificação: a andorinha-do-mar-de-bico-amarelo (Sterna eurygnatha) e a andorinha-do-mar-de-bico-vermelho (Sterna hirundinacea). Ambas depositam seus ovos diretamente no solo, em ninhos pouco perceptíveis. A simples circulação de pessoas nas ilhas pode provocar o abandono dos ninhos, exposição dos ovos ao calor excessivo, à predação ou até mesmo o pisoteamento acidental de filhotes.
Além do valor ecológico, essas aves exercem papel estratégico como bioindicadoras da qualidade ambiental marinha. A presença e o sucesso reprodutivo das espécies refletem diretamente as condições do ecossistema costeiro. Proteger as ilhas, portanto, é uma ação que ultrapassa a preservação pontual das aves: trata-se de manter o equilíbrio ambiental da região.
De acordo com a médica veterinária da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Ana Ramos, o cumprimento da restrição é uma responsabilidade compartilhada. “Os ninhos são praticamente invisíveis e extremamente vulneráveis. Mesmo uma visita rápida pode comprometer toda uma geração. Respeitar esse período é entender que a cidade também abriga vida silvestre e que a convivência depende de limites bem definidos”, afirma.
A fiscalização será realizada pelos órgãos ambientais do município. O descumprimento da legislação pode gerar penalidades previstas em lei.
Denúncias podem ser registradas pelo serviço Fala Vitória, por meio do telefone 156 ou pelo site oficial da Prefeitura de Vitória.
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- Prefeitura de Vitória / Comunicação – Conteúdo
- Foto Destaque: Divulgação / PMV
Meio Ambiente
Meia tonelada de lixo é retirada do manguezal de Vitória no Dia Internacional do Manguezal
Por Michelle Moretti* | Vitória (ES)
Mutirão reuniu catadores de caranguejo, pescadores e Prefeitura e revelou o impacto do descarte irregular em um dos maiores manguezais urbanos da América Latina

Enquanto o mundo celebra, nesta segunda-feira (27), o Dia Internacional do Manguezal, uma cena chamou a atenção em Vitória: em apenas uma manhã, cerca de 500 quilos de lixo foram retirados da Baía de Vitória durante o mutirão “Manguezal Limpo, Manutenção da Vida”. A ação reuniu catadores artesanais de caranguejo, pescadores tradicionais e equipes da Prefeitura em um esforço coletivo para preservar um dos maiores manguezais totalmente circundados por área urbana do Brasil e da América Latina.

Percorrendo os canais do manguezal em suas próprias embarcações, os catadores recolheram resíduos descartados irregularmente pela população. Paralelamente, equipes da Central de Serviços realizaram a limpeza das margens da Orla da Ilha das Caieiras e de Santo André.
O resultado impressiona. Entre os materiais encontrados estavam pneus, isopor, carcaça de televisão, armação de sofá, peças de geladeira, carcaça de máquina de lavar roupas, espuma de colchão, caixa de descarga, adereço de carnaval, encosto de cadeira, redes de pesca, galões de óleo, mangueiras automotivas, canos de PVC, telas de cercamento, caixas de madeira, garrafas PET, garrafas long neck, vidros e até uma almofada infantil.
Mais do que comprometer a paisagem, esse tipo de descarte ameaça a fauna, prejudica a qualidade da água, interfere na reprodução de diversas espécies e coloca em risco um ecossistema essencial para o equilíbrio ambiental da cidade.
Quem vive do manguezal também ajuda a protegê-lo
Os protagonistas da ação foram justamente aqueles que convivem diariamente com o manguezal: os catadores artesanais de caranguejo e pescadores tradicionais. Além de retirar os resíduos, eles ajudaram a chamar a atenção para um problema que se repete ao longo do ano e compromete um ambiente do qual depende a própria subsistência de muitas famílias.

“Não existe futuro sustentável para Vitória sem a preservação dos seus manguezais. Eles são fundamentais para o equilíbrio ambiental, para a proteção da biodiversidade, para a pesca artesanal e para a cultura capixaba. Quando retiramos uma quantidade tão expressiva de lixo em apenas uma manhã, fica evidente que a conservação depende não apenas do poder público, mas também da participação de toda a sociedade”, afirma o subsecretário de Controle Ambiental, André Có.
Um patrimônio natural que precisa da participação de todos
Vitória possui aproximadamente 11 km² de manguezais, formando um dos maiores manguezais totalmente circundados por área urbana do Brasil e da América Latina.
Conhecido como o berçário da vida marinha, esse ecossistema abriga peixes, crustáceos, moluscos, aves e diversas outras espécies, além de desempenhar papel estratégico na captura de carbono, na proteção da costa e na manutenção da biodiversidade.
Também faz parte da identidade cultural da capital. É do manguezal que vêm atividades tradicionais como a pesca artesanal, a captura do caranguejo-uçá e saberes que ajudaram a construir a gastronomia capixaba.
Educação ambiental para promover boas atitudes
O mutirão integrou a programação do circuito “Manguezal de Vitória – Conhecer para Preservar”, promovido pela Gerência de Educação Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmam), que reuniu ações educativas, expedição embarcada, mostra interativa, intervenção artística e exposição sobre o ecossistema.
“A educação ambiental acontece quando as pessoas vivenciam o território e compreendem sua importância para a vida. Mais do que retirar resíduos do manguezal, ações como essa despertam um novo olhar sobre esse patrimônio natural e mostram que preservar também é um ato de cidadania”, destaca a gerente de Educação Ambiental da Semmam, Juliana Sardinha.
Uma mensagem que vai além do mutirão
A retirada de aproximadamente meia tonelada de lixo em apenas uma manhã demonstra a dimensão do problema causado pelo descarte irregular de resíduos.
Ao mesmo tempo, a mobilização reforça que conservar o manguezal é uma responsabilidade compartilhada entre poder público, comunidades tradicionais e sociedade. Cada resíduo descartado corretamente representa mais proteção para a biodiversidade, mais qualidade ambiental e mais qualidade de vida para quem vive em Vitória.
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- Prefeitura de Vitória / Comunicação – Conteúdo
- Foto destaque: Divulgação / PMV
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