Descaso com a memória histórica
Documentos sobre Rubens Paiva estão “esfarelando”, no Arquivo Público do Rio
CIDADES
Exonerado após interditar o local, Victor Rosa Travancas denuncia risco de desabamento e perda de documentos históricos
Por Quintino Gomes Freire*
Rio de Janeiro / RJ
Documentos relacionados à prisão e morte do ex-deputado Rubens Paiva durante a ditadura militar estão “esfarelando na mão” devido às más condições do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro, afirma Victor Rosa Travancas, exonerado do cargo de diretor-geral da instituição pelo governador Cláudio Castro.
Travancas, que havia sido nomeado em dezembro, foi demitido após interditar o prédio do Arquivo Público, alegando risco de desabamento e problemas estruturais como umidade excessiva, pisos afundados e rachaduras em uma pilastra. Ele alerta para o risco de perda de documentos históricos, incluindo arquivos relacionados à ditadura militar. “É preciso que as pessoas coloquem a mão na consciência que nós estamos de frente para um [um novo acidente como] Museu Nacional. Estamos esperando acontecer o pior. Ali é só papel, não tem como salvar”, afirma Travancas.
A Secretaria da Casa Civil do Estado do Rio de Janeiro nega os riscos e classifica a interdição como “unilateral”, “sem consulta ao governo e sem aval dos órgãos competentes”. Em nota, a pasta afirma que o Arquivo Público possui “Laudo de Exigências e Certificado de Aprovação válidos” e que foi vistoriado em dezembro pelo Corpo de Bombeiros, “quando foi constatado que não há risco iminente que justifique a interdição da edificação“.
A Folha teve acesso a laudos que atestam o funcionamento do prédio. Um deles, assinado pela Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop), indica a presença de fissuras na laje de uma das salas, mas assegura que “tal anomalia não interfere na utilização do prédio“. Outro laudo, do Corpo de Bombeiros, confirma o funcionamento do sistema de hidrantes, ventilação mecânica, detecção e alarme.
Debate sobre a preservação da memória
A Associação Nacional de História (Anpuh) questiona a interdição do Arquivo Público e critica a falta de transparência. “Não foi divulgado qualquer documento das autoridades de sinistros que justificasse essa radicalização”, afirma a entidade em nota pública.
Beatriz Kushnir, presidente da seção Rio de Janeiro da Anpuh, reconhece a necessidade de investimentos nos arquivos públicos brasileiros, mas defende a capacidade dos servidores em preservar a memória documental. “O abandono dos arquivos públicos no Brasil não é um acaso, é um projeto de terceirização da guarda da documentação. Precisamos de investimento na digitalização, nos concursos, e precisamos que os governos entendam o papel estratégico de um arquivo público”, afirma Kushnir.
———————————————–
* Diário do Rio – Conteúdo
* Foto/Destaque: Reprodução / DR
CIDADES
Serra apresenta projeto da terceira via e reforça diálogo com moradores
Nova ligação viária deve desafogar o trânsito, encurtar trajetos e impulsionar o desenvolvimento regional
Por João Barbosa* / Serra – ES
A Prefeitura da Serra realizou, na noite desta quarta-feira (15), uma rodada de conversa com a população para apresentar o projeto da Terceira Via, iniciativa que vai ampliar a fluidez do trânsito em bairros como Carapina, Manoel Plaza, Novo Horizonte, Hélio Ferraz, São Geraldo e Jardim Limoeiro.
O encontro, na sede da Associação de Moradores do Conjunto Manoel Plaza Permuy (Amaplaza), reforçou o compromisso com a transparência ao detalhar o andamento da obra, os investimentos e os impactos na organização da região.
Considerada uma das intervenções mais estratégicas do município, a Terceira Via foi planejada para desafogar o trânsito nos limites com Vitória e reduzir o tempo de deslocamento de quem cruza a cidade diariamente.
Durante a reunião, equipes das secretarias de Obras (Seob) e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semma/Sedur) apresentaram aspectos técnicos do projeto, incluindo soluções para estacionamento e sinalização.
Para o prefeito Weverson Meireles, o diálogo com a comunidade é parte essencial da execução.
“A Terceira Via é um investimento histórico para a mobilidade da Serra, e cada etapa precisa ser construída com diálogo. Queremos garantir mais fluidez ao trânsito, integrando a via à Avenida Mestre Álvaro e a outros eixos importantes, sempre respeitando o bem-estar dos moradores”, afirmou.
A secretária de Obras, Izabela Roriz, destacou o avanço das frentes de trabalho e o planejamento para reduzir impactos.
“Apresentamos o cronograma e as soluções previstas para estacionamento, sinalização e organização viária. É uma obra de grande porte, que exige rigor técnico e acompanhamento constante, para que os benefícios sejam percebidos o quanto antes”, explicou.
Como vai funcionar

Serra apresenta projeto da Terceira Via / Foto: Divulgação – PMS
A Terceira Via terá início em Hélio Ferraz e seguirá contornando Manoel Plaza, São Geraldo e Jardim Limoeiro, passando por São Diogo até chegar a Novo Horizonte. Todo o traçado está dentro do território da Serra.
Serão 4,25 quilômetros de extensão, com três faixas por sentido e ciclovia em todo o percurso. A via vai dar continuidade ao binário de Jardim Limoeiro e conectar a Avenida Brasil, em Novo Horizonte, à divisa com Vitória, nas proximidades do Shopping Mestre Álvaro.
A nova ligação foi projetada para reduzir gargalos viários entre Serra e Vitória, especialmente nos horários de pico, melhorando o fluxo em corredores como a Rodovia Norte Sul e a Avenida Mestre Álvaro.
Além disso, a obra vai ampliar a segurança no trânsito com intervenções como viadutos, elevados e um mergulhão, eliminando cruzamentos críticos e diminuindo o risco de acidentes.
O projeto também fortalece a integração entre áreas industriais, logísticas e residenciais, facilitando o deslocamento de trabalhadores e otimizando o transporte de mercadorias.
Outra mudança importante será a redução no tempo de viagem, beneficiando tanto o transporte coletivo quanto o individual, com impacto direto nos custos operacionais e na qualidade do deslocamento.
A implantação da via ainda deve impulsionar a valorização imobiliária e a requalificação urbana, atraindo novos empreendimentos, comércios e serviços para a região.
Com melhor infraestrutura logística e maior conexão com Vitória, a Serra amplia sua capacidade de atrair investimentos e consolidar um novo eixo de crescimento econômico, gerando emprego, renda e desenvolvimento sustentável.
———————————————————————-
- Prefeitura da Serra / Comunicação – Conteúdo
- Foto Destaque: Divulgação / PMS
-
Educação7 dias atrásDeputado Gandini vai ouvir mãe de menino que levou ventilador para escola de Marataízes
-
Política / Eleições7 dias atrásPazolini se reúne com lideranças locais e regionais em São Mateus, para fortalecer sua pré-candidatura ao Governo do Estado
-
BRASIL4 dias atrásHomem mata mãe em SP e amputa dedo da vítima para acessar contas bancárias
-
INTERNACIONAL6 dias atrás“Terra, vocês são uma tripulação”, diz astronauta da Artemis II
-
Conhecendo a História3 dias atrásEstudantes de São Mateus participam de escavação arqueológica em sítio histórico
-
ESPORTES3 dias atrásCapixabas conquistam medalhas na Copa do Mundo de ginástica rítmica
-
Esportes / Futebol5 dias atrásCom dois gols de Pedro, Flamengo vence Fluminense pelo Brasileirão
-
Esportes / Futebol7 dias atrásComentarista da Globo critica nova data do Fla-Flu: “Torcedor tem direito de estar bravo”