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Coluna / Opinião

Entrelinhas da Política | Setembro – 2ª. edição

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OPINIÃO

Por Paulo Roberto Borges

STF e seus personagens

A Alta Corte brasileira se apequenou. E não é apenas por causa dos fatos levantados pela Polícia Federal envolvendo as relações do ministro Alexandre de Moraes. Não podemos esquecer que o atual presidente do STF, Edson Fachin, foi quem sepultou a Lava Jato e “descondenou” Lula, tornando-o novamente candidato do “Sistema” e, segundo Gilmar Mendes, com a ajuda do Supremo, presidente da República.

Cármen Lúcia é a mesma que, na visão de seus críticos, rasgou a Constituição ao “censurar” as redes sociais, dizendo que era apenas — pasmem! — “um pouquinho”. Dias Toffoli, bem, é o “amigo do amigo do meu pai”, o mesmo do episódio do “Taiaiá”. Zanin foi advogado de Lula e, por isso, seus críticos questionam sua isenção para ocupar uma cadeira no STF. Gilmar Mendes — santo Deus! — dispensa comentários.

Fux, agora endeusado por seu voto contrário à condenação do ex-presidente, foi o mesmo ministro que tomou a decisão que resultou na soltura de André do Rap, apontado como um dos criminosos mais perigosos do país e que permanece foragido no exterior.

Lewandowski e Barroso foram dois ministros que, até pouco tempo atrás, também eram alvo de duras críticas e contribuíram, na opinião de seus opositores, para o desgaste da imagem do STF.

Sobram André Mendonça e Nunes Marques. Mendonça vem cumprindo, na visão de seus admiradores, o sagrado dever de juiz. Nunes Marques, por sua vez, é visto como um ministro mais discreto e, algumas vezes, incapaz de assumir posições mais firmes em defesa daquilo que entende ser justo. Ambos foram indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Diante de todo esse prontuário, o que se pode esperar de uma Corte que deveria estar acima das disputas políticas e atuar em favor do Brasil e da democracia?

O Senado deveria saber.

Moraes, seus pares e a credibilidade do STF

O Brasil, formado por cidadãos que defendem e valorizam verdadeiramente uma democracia plena e irrestrita, acompanhou atentamente a sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) que colocou o ministro Alexandre de Moraes no centro de um dos mais delicados episódios recentes da Corte.

Diante do que foi exposto durante a sessão, torna-se difícil afastar a percepção de que existe uma forte articulação entre setores do STF alinhados ao governo Lula. O pedido de vista feito pelo ministro Flávio Dino interrompeu a análise do caso e poderá levar a uma suspensão de até 90 dias, conforme as regras da Corte.

O timing não deixa de chamar a atenção: o prazo pode avançar para além das eleições de outubro. Até lá, o processo permanece sem uma definição, enquanto as controvérsias envolvendo a atuação de Moraes continuam provocando questionamentos e alimentando o debate público sobre os limites de atuação do Supremo.

Mais do que uma disputa entre ministros, o episódio coloca em discussão algo maior: a credibilidade da própria Corte perante a sociedade. Quando integrantes do mais alto tribunal do país entram em confronto público, trocam acusações e deixam questões relevantes sem uma resposta definitiva, a confiança nas instituições inevitavelmente passa a ser colocada em debate.

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O STF tem papel essencial na democracia brasileira. Justamente por isso, seus integrantes precisam estar submetidos aos mesmos princípios de transparência, imparcialidade e respeito ao devido processo legal que a própria Corte exige das demais instituições.

A sociedade brasileira tem o direito de cobrar respostas, clareza e segurança jurídica. Afinal, a credibilidade de uma instituição tão poderosa não se sustenta apenas pela autoridade de seus ministros, mas também pela confiança que consegue preservar diante daqueles em nome de quem a Justiça é exercida.

Candidatos ao Senado

A eleição para o Senado, diante do cenário que se apresenta no Brasil, tornou-se, talvez, uma das mais importantes para quem deseja ver restabelecida a normalidade institucional do País.

No Espírito Santo, há candidatos de diferentes campos ideológicos, da esquerda à direita. O cardápio é variado, mas é preciso cautela nas escolhas, porque aquilo que está explícito no menu nem sempre é o que encontraremos depois do consumo. Experiências passadas servem de alerta: houve candidato que se apresentou como aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro e defensor da direita e que, depois de eleito, adotou posições políticas muito diferentes daquelas que haviam marcado sua campanha.

Também temos candidato que, como governador, realizou obras e ações importantes no Estado, especialmente nos municípios do interior e fora da Grande Vitória. Em determinado momento, contou inclusive com o apoio e a imagem de Bolsonaro para se eleger governador. Posteriormente, por razões políticas, aproximou-se do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e passou a apoiá-lo. Já declarou, inclusive, que votará pela reeleição de Lula. Caso chegue ao Senado, qual será a sua postura diante desse novo cenário político?

Há também um senador em final de mandato que lançou a própria filha para dar continuidade ao seu legado político. Nos últimos tempos, como senador, ele adotou uma postura combativa e se destacou por críticas ao governo e por questionamentos a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). É uma trajetória política que merece ser observada em perspectiva, inclusive considerando suas diferentes fases.

Temos ainda outro candidato à reeleição: o senador Marcos do Val (Avante). Ao longo do mandato, ele protagonizou embates políticos e institucionais e fez críticas contundentes a decisões e integrantes do STF. Também foi alvo de medidas judiciais e de forte controvérsia política. Agora, apresenta-se novamente ao eleitorado capixaba em busca de um novo mandato no Senado.

Outros candidatos ao Senado sabem que a caminhada é tortuosa e difícil. Entre eles estão nomes com experiência política e atuação em diferentes áreas. Evair de Melo (Republicanos), deputado federal desde 2015, disputa uma vaga no Senado. Também está na corrida o vereador de Vitória Leonardo Monjardim (Novo). A lista oficial de candidatos ao Senado no Espírito Santo inclui ainda outros nomes, entre eles Fabiano Contarato, Maguinha Malta, Renato Casagrande, Rose de Freitas, Sergio Meneguelli, Professor Fabian, Rodney Miranda e Callegari.

A escolha, portanto, não deveria ser feita apenas pelo discurso de campanha. Cabe ao eleitor conhecer o passado, conferir as atitudes e observar as posições assumidas por cada candidato ao longo de sua trajetória política. Afinal, entre aquilo que se anuncia no cardápio eleitoral e o que chega à mesa do eleitor pode existir uma enorme diferença.

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Bola Dentro / Bola Fora

Bola Dentro Pontos pretos, preto, papel de parede png | PNGEgg – Para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. Sua atuação e suas posições em julgamentos têm sido acompanhadas de perto por diferentes setores da sociedade, especialmente por aqueles que defendem maior equilíbrio entre as instituições.

Pontos pretos, preto, papel de parede png | PNGEggBola Fora – Para o ministro Gilmar Mendes, também do STF, em razão de uma declaração na qual fez referência à ética e à lealdade existentes até mesmo na máfia. A afirmação provocou questionamentos e abre espaço para uma pergunta: o que exatamente o ministro quis dizer com essa comparação?

Bloco de Notas

Sem audiência – Os desfiles de Sete de Setembro, nos últimos anos, têm registrado participação popular que desperta diferentes interpretações. Uma das imagens que mais repercutiram foi a do presidente Lula e da primeira-dama Janja acenando durante o desfile oficial. Para os críticos do governo, a cena simbolizou o distanciamento entre o poder e parte da população.

Para lembrar – Foi o ministro Edson Fachin quem, em 2021, determinou a anulação das condenações de Lula proferidas pela 13ª Vara Federal de Curitiba, ao considerar que aquele juízo não era competente para processar e julgar os casos. O Plenário do STF posteriormente confirmou a decisão, por maioria, e determinou a remessa dos processos à Justiça Federal do Distrito Federal.

Diagnóstico – Acabou a testosterona no Senado?

Óbvio – Para quem defende o funcionamento regular das instituições, o cenário político brasileiro continua despertando questionamentos e preocupações. O debate sobre os limites e a atuação de cada Poder permanece no centro da discussão nacional.

Festa – São Mateus comemora mais um aniversário de sua fundação. A Prefeitura prepara uma programação especial para receber os moradores e visitantes. A cidade vive um novo momento administrativo, com obras, investimentos e mudanças que vêm sendo apresentadas pela atual gestão. O desafio é transformar essa nova fase em resultados permanentes para a população.

Mas… – O ex-prefeito de São Mateus, Daniel Santana, é candidato a deputado federal. O TRE-ES concluiu, em 15 de setembro, o julgamento de todos os pedidos de registro de candidatura das Eleições 2026 no Estado. As informações sobre a situação individual de cada candidatura estão disponíveis no sistema DivulgaCandContas.

Pega a visão – As recentes controvérsias envolvendo o STF e seus ministros continuam alimentando um intenso debate público sobre os limites de atuação da Corte, a separação entre os Poderes e a confiança da população nas instituições. É um debate que precisa ser feito com firmeza, mas também com responsabilidade e respeito aos fatos.

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Reflexão

homem pensando estátua ilustração auguste rodin é o pensador 5291823 Vetor no Vecteezy

“Existe uma certa quantidade limite de canalhas e bandidos que se pode suportar. E o Brasil já passou dos limites, com certeza”.

Autor: Olavo de Carvalho

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OPINIÃO

Em 4 de Outubro de 2026 o Brasil Será Julgado por Si Mesmo

Publicados

em

Por Sérgio Pedro Coelho Lima*

Há momentos em que uma eleição deixa de ser apenas uma disputa entre candidatos e se transforma num exame moral de uma nação inteira. O Brasil chegará a esse momento em 4 de outubro de 2026. 

Naquele domingo, não será apenas um governo que estará em julgamento. Será o próprio povo brasileiro.

Depois de décadas de corrupção sistêmica, aparelhamento institucional, crescimento do crime organizado, decadência educacional, esmagamento tributário da classe produtiva e destruição progressiva da confiança nacional, ninguém mais poderá alegar ignorância. O brasileiro conhece o país em que vive. Conhece os hospitais abandonados, as escolas fracassadas, as estradas destruídas, a violência cotidiana, o custo sufocante para trabalhar, empreender e produzir. Conhece também o espetáculo obsceno de escândalos públicos que se sucedem sem vergonha e sem consequências reais.

O que estará diante das urnas em 2026 não será uma simples escolha administrativa. Será uma pergunta brutal: O Brasil ainda deseja sobreviver como uma nação séria ou aceitou definitivamente sua condição de república saqueada?

Porque há algo profundamente degradante em um povo que aprende a conviver com o escândalo permanente sem reagir. Há algo de moralmente corrosivo numa sociedade que transforma corrupção em folclore, desperdício em rotina e cinismo em inteligência política.

Os defensores do atual projeto de poder continuarão dizendo que tudo não passa de “narrativa da oposição”, que as críticas são exageradas ou que qualquer alternativa representaria ameaça à democracia. Mas o cidadão comum já sente no corpo aquilo que os discursos tentam maquiar: perda de poder de compra, medo nas ruas, desesperança econômica e a percepção crescente de que o Estado brasileiro serve mais aos grupos organizados que vivem dele do que ao povo que o sustenta. 

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Enquanto isso, o país assiste a uma expansão contínua da máquina pública, à multiplicação de privilégios políticos e à asfixia de quem trabalha honestamente. Empreender tornou-se um ato de resistência. Produzir virou punição. Sustentar a própria família exige enfrentar impostos sufocantes, burocracia humilhante e insegurança permanente.

Ao mesmo tempo, cresce a sensação de que o Brasil perdeu soberania moral. Parte da elite política demonstra complacência com regimes autoritários estrangeiros, relativiza violações de direitos humanos quando ideologicamente convenientes e trata democracias liberais com mais hostilidade do que ditaduras alinhadas politicamente.

Mas talvez o mais grave seja outra coisa: a normalização da decadência.

O brasileiro foi lentamente treinado para aceitar o absurdo como inevitável. Aprendeu a rir da corrupção porque perdeu a esperança de combatê-la. Aprendeu a sobreviver em vez de exigir grandeza. Aprendeu a chamar a mediocridade de pragmatismo. 

É isso que fará da eleição de 2026 um divisor histórico.

Se, conhecendo tudo o que viu, tudo o que sofreu e tudo o que lhe foi revelado, a maioria optar novamente pela continuidade do mesmo projeto político, estará fazendo mais do que uma escolha eleitoral. Estará assinando um pacto consciente com o modelo de país que existe hoje. Não poderá depois alegar surpresa diante da estagnação, da violência, do descrédito institucional ou da fuga de talentos e investimentos 

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Povos também colhem aquilo que decidem tolerar.

Nenhuma nação se destrói apenas por causa de maus governantes. Nações se destroem quando seus cidadãos passam a considerar a degradação algo normal.

Mas existe outro caminho.

Se o Brasil escolher uma ruptura real com o ciclo atual, elegendo lideranças comprometidas com responsabilidade fiscal, liberdade econômica, combate duro ao crime organizado, valorização do mérito, redução do peso do Estado e defesa firme das liberdades individuais, talvez ainda seja possível recuperar algo que o país vem perdendo há muito tempo: dignidade nacional.

Porque um povo só volta a ter orgulho da própria terra quando sente que o esforço honesto vale mais do que o privilégio político. Quando percebe que a lei protege o cidadão em vez de sufocá-lo. Quando trabalhar deixa de ser castigo. Quando empreender deixa de ser heroísmo. Quando a verdade volta a valer mais do que propaganda.

O dia 4 de outubro de 2026 talvez não resolva todos os problemas do Brasil.

Mas revelará algo decisivo: se os brasileiros ainda desejam construir uma nação livre, próspera e respeitável ou se já desistiram silenciosamente dela.

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  • O autor é General de Divisão na Reserva
  • Foto Destaque: Ilustração / Redes Sociais
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