Saúde é destaque
Vitória se consolida como referência e lidera ranking de saúde pública no Sudeste
SAÚDE
Por Giovana Rebuli Santos* | Vitória (ES)
Apontada como a melhor cidade do país em 2026 pela revista Veja Negócios, Vitória teve a Saúde como um de seus pilares de sucesso. A capital capixaba superou todos os municípios avaliados no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte neste quesito, perdendo a liderança apenas para Recife (PE).
O levantamento realizado pela revista Veja em parceria com a Austin Rating analisa uma série de variáveis da saúde relacionadas ao Índice de Inclusão Social e Digital (IISD) encontradas em dados públicos e oficiais de diversos órgãos do governo como Datasus, Ministério da Saúde, IBGE, dentre outros, a fim de medir as dimensões essenciais da saúde de cada cidade.
“Nossa missão sempre foi aproximar a saúde de quem mais precisa e impactar diretamente na vida das pessoas. Então, ver esse reconhecimento nos mostra que estamos no caminho certo, buscando a modernização da rede, a valorização da equipe e a ampliação histórica dos investimentos, de maneira a atender cada vez com mais qualidade os moradores de Vitória”, afirma a secretária de Saúde de Vitória, Magda Lamborghini.

UBS Fonte Grande promove entrega do kit maternidade “Sou da Ilha” / Foto: Tyago Oliveira – PMV
Dentre essas variáveis está a cobertura da atenção básica com o percentual de domicílios e bairros cobertos por equipes da Estratégia Saúde da Família e Agentes Comunitários de Saúde. Vitória avança para alcançar 100% de cobertura da Estratégia Saúde da Família no município e se tornar a primeira capital da Região Sudeste com essa marca. Para viabilizar esse feito, o município está realizando um processo seletivo para contratação imediata de 33 Agentes Comunitários de Saúde (ACS) que atuarão na Região Continental (24 vagas) e no Forte São João (9 vagas).

Exame médico especializado – Foto: Elizabet Nader
Outra estratégia da Prefeitura de Vitória para aumentar o acesso da população aos serviços de saúde foi a extensão do horário e a abertura aos fins de semana de seis unidades básicas de saúde em diferentes regiões do município.
Além disso, a cidade está construindo sua primeira Unidade de Pronto Atendimento. A estrutura projetada contará desde o início com suporte de nível 3, o mais alto e complexo para esse tipo de unidade, com estrutura moderna, acessível e capacidade para triplicar o número de atendimentos ao ano, passando dos atuais 120 mil atendimentos para 345 mil.
Como parte de sua agenda de modernização e expansão da rede municipal de saúde, Vitória entregou a duplicação da Unidade de Saúde de Jardim Camburi, a nova UBS para o bairro Santo Antônio, a nova Unidade de Saúde em Estrelinha e a nova sede do Centro de Referência de Atendimento ao Idoso (Crai).

PMV avança na construção da primeira UPA de Vitória com nova etapa da obra / Foto: Marcos Salles – PMV
Já estão em andamento as obras da nova Unidade de Saúde do Bairro República. Outros investimentos estratégicos programados são a nova sede do Caps Infantojuvenil (Caps i) e a nova Unidade de Saúde de Consolação.
Vitória também vem ampliando significativamente a oferta de consultas e exames especializados, incluindo a oferta inédita de exames de alta complexidade, como ressonância magnética, tomografia computadorizada e densitometria óssea, entre outros. Com isso, a Prefeitura de Vitória reduziu as filas de espera por consultas e exames especializados como mamografia, oftalmologia, ultrassonografia, cardiologia, urologia, fisioterapia, tomografia e otorrinolaringologia.
Nos próximos três anos, a previsão é ofertar mais 2,5 milhões de procedimentos especializados. Atualmente, 98% das consultas e exames são agendados em menos de 100 dias, conforme o Enunciado 93 do Conselho Nacional de Justiça.
Para as pessoas com deficiência e Transtorno do Espectro Autista (TEA), o município também vem ampliando progressivamente os atendimentos voltados para esse público. Em quatro anos, a oferta de atendimentos anuais aumentou 194,51%, passando de 44.628 para 131.436 procedimentos anuais. E para dar mais celeridade, em 2026, a Secretaria Municipal de Saúde de Vitória aumentou em 38% a oferta de consultas médicas especializadas, passando de 5.400 para 7.455 atendimentos anuais, enquanto entre os testes psicodiagnósticos o crescimento foi de 166,58%, aumentando de 1.230 para 3.279 ao ano.
Outra variável analisada que coloca Vitória no topo das cidades com a melhor saúde do Brasil é a despesa per capita em saúde. Nos últimos cinco anos, o município aumentou em 81,69% esse investimento, passando de R$ 886,46 em 2020 para R$ 1.610,62 em 2025. Além disso, quando se avalia o percentual da receita própria a ser aplicado na saúde do município, Vitória destinou 17,68% da sua receita em 2025, superando o percentual constitucional obrigatório de 15%.
Eficácia e resultados
A Austin Rating também analisou variáveis que apontam resultados e eficácia das políticas públicas com indicadores de impacto, como a taxa de mortalidade infantil. E, nesse quesito, Vitória registrou uma redução de 26,8% no coeficiente de mortalidade infantil, que passou de 10,79 para 7,90 óbitos por mil nascidos vivos, na comparação entre o primeiro semestre de 2025 e o mesmo período de 2026. O resultado coincide com o fortalecimento das ações voltadas à atenção materno-infantil, incluindo a ampliação do acesso ao pré-natal, ao acompanhamento das gestantes e ao cuidado integral às crianças.
Para fortalecer ainda mais o cuidado durante a gestação, a Prefeitura de Vitória implantou o programa Sou da Ilha, iniciativa que ampliou o número de consultas de pré-natal, garantindo pelo menos sete atendimentos ao longo da gravidez – acima da recomendação mínima de seis consultas estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde. O programa também oferece kits maternidade às gestantes residentes em Vitória acompanhadas pela rede municipal. Pioneira no Espírito Santo, a iniciativa contempla itens essenciais para os primeiros cuidados com o bebê, como bolsa maternidade, body, manta, toalha de banho infantil, meias, fraldas descartáveis e sabonete líquido infantil.
A cobertura vacinal na capital é outro indicador de destaque. Dados do painel Vacina e Confia ES apontam que a cobertura vacinal dos residentes de Vitória, em relação às 10 principais vacinas voltadas ao público infantil, atingiu a marca de 101,7%, superando as metas preconizadas pelo Ministério da Saúde. Esse resultado é fruto de um conjunto de ações estratégicas desenvolvidas pelo município, tais como:
– Ampliação do acesso com horários estendidos e abertura aos finais de semana e feriados;
– Vacinação em escolas, creches, instituições de longa permanência e residências de pessoas acamadas;
– Busca ativa de pessoas com esquema incompleto;
– Campanhas nacionais com mobilizações no Dia D;
– Capacitação permanente das equipes e monitoramento contínuo das coberturas.
Atualmente, a rede municipal realiza em torno de 1.050 aplicações de doses por dia de forma permanente nas Unidades de Saúde, disponíveis tanto por meio de agendamento quanto por demanda espontânea.
Longevidade
Pela primeira vez, Vitória passou a ter mais idosos do que crianças e adolescentes, cenário que exigiu a reorganização da assistência voltada a essa população. Por isso, a capital vem investindo em estratégias de cuidado para este público e iniciou a implantação da Linha de Cuidado da Pessoa Idosa em Vitória. Esse instrumento orienta a rede municipal de saúde ao estabelecer fluxos assistenciais integrados e planejamento terapêutico seguro em diferentes níveis de atenção, definindo funções, responsabilidades e competências de cada serviço no cuidado à pessoa idosa.
A proposta dessa Linha de Cuidados organiza a assistência a partir dos diferentes perfis de funcionalidade e necessidades dos usuários, garantindo mais resolutividade, integração da rede e fortalecimento do cuidado contínuo à população idosa.
Os idosos frágeis, além de ganharem uma nova sede para o Centro de Referência de Atenção ao Idoso (Crai) de Vitória, também contam com serviços inéditos no local, como o Jardim Terapêutico. A proposta desse projeto no Crai é promover o bem-estar, o autocuidado e o fortalecimento dos vínculos afetivos entre os usuários por meio do manuseio de plantas conhecidas pela população.
Inovação e tecnologia
A saúde de Vitória também se destaca pelo pioneirismo tecnológico e digital. A capital foi a primeira do estado a lançar o Painel de Medicamentos, ferramenta que detalha o estoque e a disponibilidade de remédios em tempo real nas 29 unidades básicas de saúde (UBS).

Para simplificar o acesso, o programa FacilitaVix instalou totens de autoatendimento nas unidades para marcação de consultas e retirada de exames, enquanto o programa Saúde Tá On agenda e confirma atendimentos diretamente no celular do paciente para reduzir o absenteísmo.
A capital também passou a ofertar para a população uma assistente virtual, a VitórIA, baseada em inteligência artificial que informa os principais serviços de saúde do município via WhatsApp, e já soma mais de 6 milhões de interações.

Vitória atinge 100% do abastecimento de medicamentos
Na assistência especializada, o município incorporou a robô Maria Vitória como aliada terapêutica no Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (Caps i), promovendo um acolhimento lúdico, interativo e focado no desenvolvimento socioafetivo de crianças e adolescentes.
Em paralelo, a rede municipal iniciou a implantação do sistema de chamada por voz para pacientes nas UBSs, uma iniciativa estratégica de acessibilidade que garante autonomia, segurança e independência para pessoas com deficiência visual durante o atendimento.
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- Prefeitura de Vitória / Comunicação – Conteúdo / Com a colaboração de Thyago Oliveira
- Foto destaque: Crédito – Lucas Oliveira / PMV
SAÚDE
Pesquisa brasileira avança em tratamento para psoríase e vitiligo
Pesquisa utiliza nanotecnologia para combater psoríase e vitiligo com precisão. Na prática, é como parar a transmissão da informação, antes que ela seja convertida em proteínas. Isso reduz a inflamação sem recorrer a medicamentos que agem em todo o organismo
Por Isabella Almeida* | Brasília (DF)
Uma pesquisa de cientistas brasileiros pode revolucionar o tratamento de doenças de pele como psoríase e vitiligo. O grupo, vinculado ao laboratório NanoGeneSkin da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, está desenvolvendo nanopartículas capazes de transportar moléculas terapêuticas de RNA diretamente para células epiteliais. Essas estruturas podem silenciar com precisão os genes responsáveis pela inflamação crônica. Os avanços do trabalho foram apresentados recentemente na semana da Fapesp, em Londres.
“Iniciamos essa linha de pesquisa há duas décadas e, nesse período, acumulamos conhecimento na produção e caracterização de nanopartículas lipídicas capazes de transportar não apenas fármacos, mas também RNA de interferência — moléculas que atuam sobre genes específicos —, com a finalidade de tratar doenças crônicas da pele, como psoríase, câncer e vitiligo”, disse Maria Vitória Bentley, coordenadora do NanoGeneSkin, à Agência Fapesp.
A psoríase acomete aproximadamente 190 milhões de pessoas em todo o mundo, o equivalente a cerca de 2% a 3% da população global. No Brasil, acredita-se haver cerca de cinco milhões de pessoas com a doença. De caráter crônico, genético e imunomediado, a condição acontece por conta de uma resposta exacerbada do sistema imunológico associada a fatores hereditários. Entre suas principais manifestações estão lesões inflamatórias graves na pele, provocadas pela produção excessiva de citocinas pró-inflamatórias.
Apesar das diferenças, as duas doenças apresentam um ponto em comum que as torna candidatas promissoras para terapias baseadas em RNA: a presença de genes com atividade anormal ou superexpressão, que impulsionam o desenvolvimento da doença. “Entendemos quais são os alvos e usamos um RNA complementar específico para silenciar a produção dessa citocina”, frisa Bentley.
Silenciamento gênico
A estratégia desenvolvida pelo grupo utiliza pequenas moléculas sintéticas conhecidas como siRNAs, que agem diretamente sobre o RNA mensageiro encarregado da produção das citocinas inflamatórias. Na prática, é como interromper a transmissão da informação antes que ela seja convertida em proteínas. Dessa forma, reduz-se a inflamação sem recorrer a medicamentos que atuam em todo o organismo.
Entretanto, fazer com que essas moléculas cheguem às células da pele representa um grande desafio. O RNA possui baixa estabilidade química e é rapidamente degradado por enzimas presentes no organismo. Além disso, a própria pele funciona como uma barreira biológica altamente eficiente, dificultando a penetração dessas moléculas.
Para superar esse obstáculo, os pesquisadores desenvolveram nanopartículas de cristal líquido, compostas por lipídios organizados em uma estrutura interna ordenada, mas ao mesmo tempo flexível. Essa configuração permite encapsular o material genético, protegendo-o da degradação e favorecendo sua passagem pela pele até alcançar as células-alvo.
Em três frentes de pesquisa apresentadas por Bentley, a equipe demonstrou que essas nanopartículas são eficientes para promover o silenciamento gênico, aumentar a liberação de RNA no interior das células por meio de técnicas físicas, como a fotoativação com luz, e transportar simultaneamente diferentes RNAs e medicamentos anti-inflamatórios convencionais em uma única nanopartícula.
Os resultados foram confirmados tanto em modelos celulares, por meio de experimentos com células cultivadas em laboratório, quanto em estudos com animais que apresentavam lesões induzidas semelhantes às observadas nas doenças.
Segundo Natasha Crepaldi, dermatologista e fundadora da Clínica Crepaldi, no Mato Grosso, a tecnologia apresenta perspectivas bastante promissoras. “Mesmo com tratamentos muito eficazes e avançados, ainda existem pacientes que enfrentam dificuldades relacionadas à adesão ao tratamento, à resposta limitada ou aos efeitos adversos. Com sistemas nanotecnológicos, existe a expectativa de uma entrega mais inteligente, alvo-específica, dos ativos terapêuticos, o que pode melhorar os resultados clínicos e proporcionar mais qualidade de vida. Embora ainda sejam necessários estudos e etapas regulatórias, os resultados iniciais geram bastante expectativa.”
Outras aplicações
Atualmente, novas pesquisas utilizam essa mesma plataforma para o tratamento do vitiligo, área em que o grupo já possui uma patente envolvendo RNA e nanopartículas, além da cicatrização de feridas crônicas, um problema de saúde que ainda carece de terapias plenamente eficazes.
Outra linha de investigação amplia o alcance da tecnologia para além das doenças dermatológicas. Os pesquisadores trabalham no desenvolvimento de uma nanoestrutura voltada à administração de mRNA, capaz de instruir as células a produzirem proteínas específicas. Essa abordagem poderá ser aplicada no desenvolvimento de vacinas, incluindo um imunizante experimental contra o câncer.
Palavra de especialista

Paula Chicralla, dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica e da Academia Americana de Dermatologia
O tratamento da psoríase evoluiu significativamente. Atualmente, dispomos de terapias tópicas, fototerapia, medicamentos sistêmicos convencionais e uma nova geração de imunobiológicos. Esses medicamentos atuam em alvos específicos do processo inflamatório, oferecendo taxas de controle cada vez maiores. Além disso, muitos desses tratamentos já estão disponíveis tanto na rede privada quanto em protocolos do Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o acesso para pacientes com formas mais graves da doença.
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*Correio Braziliense – Conteúdo
*Foto destaque: Crédito – NanoGeneSkin / divulgação
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