Relatório Final
Relator da CPMI do INSS pede indiciamento de 216 pessoas e inclui Lulinha
BRASIL
O parecer do relator aponta indícios de proximidade com investigados e sugere o indiciamento por crimes como tráfico de influência, lavagem de dinheiro, organização criminosa e participação em corrupção passiva
Por Alícia Bernardes* / Brasília – DF
Entre os nomes citados está o empresário Fabio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente da República. O parecer do relator aponta indícios de proximidade com investigados e sugere o indiciamento por crimes como tráfico de influência, lavagem de dinheiro, organização criminosa e participação em corrupção passiva.
A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade e afirma que ele não é alvo de investigação formal da Polícia Federal. Ainda assim, o nome do empresário foi citado ao longo das apurações e apareceu em diligências realizadas contra a empresária Roberta Luchsinger, no fim do ano passado.
O relatório também menciona o empresário Antônio Camilo Antunes, apontado como um dos principais operadores do suposto esquema. Segundo o documento, a comissão não conseguiu avançar na apuração de indícios relacionados a pagamentos e viagens que teriam sido custeados por ele, mas destacou sua atuação como articulador.
Além de Antunes, o parecer inclui o empresário Maurício Camisotti como operador financeiro e intermediário. Ambos são citados por envolvimento em crimes como organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro, fraude eletrônica e inserção de dados falsos em sistemas públicos.
Instalada em agosto, a CPMI tem prazo final até este sábado (28). O relatório, com mais de 4 mil páginas, está dividido em nove núcleos e envolve empresários, servidores, entidades e agentes políticos. Parlamentares da base governista articulam um texto alternativo, e a votação pode se estender, diante de divergências sobre os pedidos de indiciamento, segundo o presidente da comissão, Carlos Viana.
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- Correio Braziliense – Conteúdo
- Foto Destaque: Crédito – Geraldo Magela / Agência Senado
BRASIL
Delegados da PF pedem que Gonet se declare impedido para apurar relatório
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) quer que Gonet se retire de investigações com citações ao Procurador Geral da República
Por Manuela de Moura e Luana Patriolino* | Brasília (F)
A ADPF pediu neste sábado (5) que o procurador geral da República, Paulo Gonet, se declare impedido de atuar na apuração sobre a elaboração de um relatório da Polícia Federal (PF) relacionado à Operação Compliance Zero.
A ADPF argumenta que Gonet deveria se declarar impedido porque seu nome aparece no próprio relatório que está sendo analisado pela PGR. A entidade cita o artigo 258 do Código de Processo Penal, que estende aos integrantes do Ministério Público as regras de impedimento e suspeição aplicadas aos juízes.
“Independentemente de qualquer juízo sobre intenções, que a ADPF não formula, o efeito objetivo da medida é intimidatório sobre os investigadores”, afirmou a associação.
A entidade também questionou o fato de a apuração ter como alvo os policiais responsáveis pela elaboração do documento, e não a decisão judicial que determinou sua produção.
Para a ADPF, responsabilizar os executores por cumprir uma ordem judicial transfere aos investigadores uma controvérsia que, na avaliação da associação, deve ser discutida no próprio STF.
“Se a Procuradoria-Geral da República entende que a decisão determinante do relatório é irregular ou que deveria ter sido previamente comunicada, a via própria é o processo perante o Supremo Tribunal Federal”, afirmou a associação.
Relatório da Policia Federal
– A controvérsia envolve um relatório produzido pela PF a pedido do ministro André Mendonça, do STF
– O documento reuniu informações sobre mensagens e contatos do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, com autoridades, entre elas o ministro Alexandre de Moares e o próprio Paulo Gonet.
– Após retirar o sigilo do relatório, Mendonça determinou que os elementos apresentados fossem analisados e solicitou manifestação da PGR.
– Na sequência, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, passou a conduzir os procedimentos relacionados ao caso e pediu esclarecimentos à Procuradoria sobre a elaboração do documento.
– A PGR informou a Fachin que abriu o Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial para apurar se houve eventual ordem ou interferência externa que pudesse ter comprometido o conteúdo do relatório.
– Segundo a Procuradoria, o Ministério Público não foi comunicado sobre a determinação para a produção do material.
– A PGR sustenta que a ausência de comunicação impediu o exercício do controle externo da atividade policial durante a elaboração do documento.
– Além do impedimento de Gonet, a associação pediu o arquivamento do procedimento instaurado pela PGR, sob o argumento de que o instrumento seria inadequado para questionar uma decisão do STF.
A entidade também defendeu que os fatos revelados pela Operação Compliance Zero sejam investigados “em toda a sua extensão”, sem seletividade em relação às autoridades envolvidas.
A ADPF afirmou ainda que prestará assistência aos delegados e servidores eventualmente alcançados por procedimentos instaurados nas circunstâncias questionadas.
“Assegurar que ninguém seja responsabilizado por cumprir ordem judicial não é defesa corporativa: é defesa da capacidade do Estado brasileiro de investigar sem receio de retaliação”, declarou a entidade.
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- Matéria do Metrópoles – Conteúdo
- Foto destaque: Crédito – Breno Esaki / Metrópolis
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