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Recuperando Patrimônio Cultural

Estátua “roubada” há 46 anos é recuperada pelo projeto “RenovAção” da Cultura de Vitória

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CIDADES

Por Pedro Vargas*

Quarenta e seis anos. Quase meio século de silêncio, mistério e esquecimento. Assim viveu, ou sobreviveu, a estátua do Deus Hermes, símbolo do trabalho através do comércio e da riqueza, que um dia brilhou na Praça Cecília Monteiro, ao lado do Palácio Anchieta, e desapareceu sem deixar rastros em 1979. Para quem passa pelo local, resta apenas o pedestal vazio, quase um túmulo da memória.

Agora, essa história ganha um capítulo inesperado e arrebatador: a obra foi reencontrada e resgatada pelo projeto “RenovAção” da Cultura de Vitória, transformando lenda urbana em realidade palpável.

Esculpida em mármore de Carrara pelos artistas Pedro Gianordoli e Ferdinando Gianordoli em 1912, a peça integra o conjunto escultórico da escadaria Bárbara Monteiro Lindenberg. Durante 67 anos foi testemunha silenciosa do tempo, até ser dada como roubada. Peculiar “destino” para um Deus que também é reconhecido pelos gregos antigos pela astúcia e de certa forma, “divindade” dos ladrões.

O destino, porém, foi outro: um abandono burocrático. A estátua foi deixada em um ateliê para restauro e, esquecida por gestões municipais passadas, dormiu o sono dos invisíveis até ser reencontrada.

O responsável por acender essa “fagulha” foi o historiador Raphael Teixeira, apaixonado pelo Centro de Vitória, entusiasta e defensor da preservação e da educação patrimonial. Provocado por uma reportagem de 2018, iniciou uma busca quase “detectivesca”.

Fotos: Jansen Lube / PMV

Mergulhou em arquivos públicos, dialogou com outros historiadores e vasculhou memórias empoeiradas. Até que a revelação veio: a obra estava esquecida no ateliê de um artista na cidade vizinha, Vila Velha.

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Atualmente o local onde “repousa” o Deus Hermes, não é mais um ateliê, e sim uma casa que foi alugada a terceiros com o “insólito” objeto no quintal.

Conhecedor do “RenovAção”, da Secretaria Municipal de Cultura (Semc), Raphael, então, levou a descoberta à pasta, onde encontrou acolhimento imediato nos trabalhos do projeto.

“Vale a pena perseverar e lutar pelo patrimônio público e pelo Centro da Cidade”, afirmou o historiador Raphael, emocionado com a virada histórica.

O secretário municipal de Cultura de Vitória, Edu Henning, celebrou o retorno da obra como um divisor de águas: “É como se abríssemos uma cápsula do tempo e, de repente, a cidade se reencontrasse consigo mesma. Receber de volta essa estátua, após 46 anos de ausência, é mais do que restaurar uma peça de mármore: é restaurar a memória, a identidade e a alma de Vitória. O RenovAção nasceu para isso, e este é o capítulo mais surpreendente da sua trajetória até agora”.

Em 2025 a Praça Cecília Monteiro completou 100 anos e agora, ganha de presente, nos próximos dias, o reencontro com Hermes e também com a própria história.

“A estátua que um dia desapareceu como um segredo mal guardado retorna para ensinar que o patrimônio, mesmo esquecido, nunca deixa de clamar pela sua gente”, completa Raphael.

“Vitória, enfim, devolve ao pedestal vazio a esperança de vê-lo preenchido. E ao povo, a certeza de que sua memória é viva e, como o deus Hermes, sempre capaz de renascer”, finaliza o secretário.

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O futuro do passado

Nos próximos dias a Prefeitura de Vitória (PMV), por meio de uma parceria da Semc com a Central de Serviços, devolverá a peça, de 114 anos, à praça. A princípio, a obra será entregue assim como foi encontrada: “in natura” com as marcas do tempo e da pitoresca história pela qual passou. 

Para o seu restauro, que exige mão de obra especializada, material de origem italiana, além de muito conhecimento acerca de como a peça era originalmente, a Semc estuda diferentes caminhos e possibilidades e incluirá a medida dentro do projeto “RenovAção”.

RenovAção

O projeto, lançado em 2025, já soma cerca de R$ 250 mil em investimentos e tem como meta restaurar e valorizar 62 monumentos públicos catalogados da capital até 2026; número que, com a volta de Hermes, agora passa a ser 63. A estimativa total de investimento do RenovAção é de aproximadamente R$ 2,5 milhões.

“Muito além de recuperar peças, o RenovAção reconta a história da cidade, trazendo para o presente fragmentos que pareciam condenados ao esquecimento”, explica Edu.

Entre os marcos já contemplados estão o monumento a Yemanjá, na orla de Camburi, a estátua de Getúlio Vargas, o monumento às Paneleiras de Goiabeiras, monumento à Grécia e também o ao Ano Internacional da Paz, além de cinco bustos históricos na Praça Costa Pereira.

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  • Prefeitura de Vitória / Comunicação – Conteúdo
  • Foto Destaque: Crédito – Jansen Lube / PMV
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CIDADES

Canal de Camburi tem grande movimento e encanta moradores de Vitória

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Por Janaína Bastos* | Vitória (ES)

O primeiro domingo após a inauguração da nova urbanização do Canal de Camburi foi marcado por sol, movimento intenso e muitos elogios ao espaço recém-entregue à população. Pedestres, ciclistas, casais, crianças, famílias e pets aproveitaram o dia para conhecer de perto a obra e realizar os primeiros passeios pelo novo cartão-postal de Vitória.

A satisfação dos visitantes era perceptível nas expressões de encantamento e contentamento com a transformação da área, aguardada há anos pelos moradores da capital. O novo espaço, que integra o programa Vitória de Frente para o Mar, rapidamente se tornou ponto de encontro para quem buscava lazer, contato com a natureza e uma nova perspectiva da cidade.

Morador do Espírito Santo, Sérgio Guedes visitou o local acompanhado do neto, Guido, e destacou o potencial da região. “A gente não entendia por que a orla e o mar daqui não eram mais explorados, como acontece em outras cidades. Demorou, mas saiu. O calçadão ficou muito bem feito. Ainda há muito o que ser desenvolvido, como restaurantes, parques e áreas de lazer para as crianças, mas percebemos que tudo está sendo construído com cuidado e qualidade. O Estado merece isso”, afirmou.

A ciclista Amanda Abranches, que esteve no local com a família, acredita que a revitalização trará benefícios para toda a cidade. “Ficou muito bom e contribui para valorizar os bairros do entorno. Esse lado tão bonito de Vitória ficou esquecido por muito tempo, e agora a população volta a olhar para o canal. Isso fortalece o sentimento de pertencimento e ajuda as pessoas a cuidarem e preservarem o espaço. Só vejo pontos positivos nessa obra”, disse.

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Também acompanhada da família, Beatriz Santos comemorou a valorização da área e a presença de espaços destinados às crianças. “Sentíamos falta de algo assim. O material utilizado ficou muito bonito e a ideia do parquinho foi genial. As crianças chegaram e já correram para brincar. É um espaço que antes não era aproveitado e que agora reúne famílias. E pensar que a obra foi inaugurada ontem e já está lotada”, comentou.

Para Rodolfo Laranja, que levou a família e as crianças para passear de bicicleta, a urbanização tem potencial para se consolidar como um dos principais pontos turísticos do Espírito Santo. “Achei a obra maravilhosa, muito bem-feita e elaborada. É um conceito de integração da comunidade e, com certeza, vai se tornar um cartão-postal do Estado. A prefeitura está de parabéns”, ressaltou.

Primeira Etapa da Urbanização do Canal de Camburi - Movimentação após a inauguração

A nova área de convivência também conquistou os tutores de animais. Gauciene Fernandes aproveitou o passeio com o cachorro e ressaltou a importância de mais opções de lazer na cidade. “Vitória ganhou mais um espaço para levar os pets para passear, apreciar a vista do canal e desfrutar de momentos agradáveis em família, seja para caminhar, correr ou simplesmente aproveitar o dia”, destacou.

Marília Vieira contou que se surpreendeu ao conhecer o local pessoalmente. “Quando ouvi falar sobre a inauguração, não imaginava a dimensão da obra. Achei incrível e muito importante para a população, porque lazer nunca é demais, especialmente para quem tem filhos. Era uma área muito subutilizada e acredito que a prefeitura acertou em cheio com essa transformação”, afirmou.

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Ao todo, o projeto prevê cerca de 3,3 quilômetros de passeio público sobre a água, com espaços destinados à caminhada, ao ciclismo, à contemplação da paisagem, às atividades náuticas e à convivência, conectando diferentes regiões da capital. A primeira etapa, inaugurada neste sábado (18), corresponde a pouco mais de um quilômetro de extensão, mas as obras terão continuidade nos próximos anos, incluindo novas áreas de lazer, equipamentos comerciais, uma peixaria e uma passarela para pedestres ligando os bairros Pontal de Camburi e Santa Luiza.

Primeira Etapa da Urbanização do Canal de Camburi - Movimentação após a inauguração

Mais do que uma nova opção de lazer, a urbanização do Canal de Camburi já demonstra seu potencial para fortalecer a convivência entre moradores, valorizar a paisagem da capital e ampliar a conexão dos capixabas com a orla. No primeiro fim de semana após a entrega, o intenso movimento e a aprovação da população mostraram que o espaço já conquistou seu lugar na rotina e no coração dos moradores de Vitória.

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  • Prefeitura de Vitória / Comunicação – Conteúdo
  • Foto destaque: Crédito – Leonardo Silveira / PMV
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