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Conflito no Oriente Médio

Trump diz que a guerra pode terminar em breve, enquanto o Irã se une em torno de seu novo líder linha-dura

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INTERNACIONAL

Por Parisa Hafezi Maayan Lubell Nandita Bose*

O presidente dos EUA, Donald Trump, previu nesta segunda-feira que a guerra no Oriente Médio pode terminar em breve, mesmo com os linha-dura do Irã demonstrando lealdade ao novo líder supremo Mojtaba Khamenei, em um sinal de que o país não está preparado para recuar tão cedo.

Os sinais contraditórios provocaram uma verdadeira montanha-russa nos mercados, com os preços do petróleo disparando e as bolsas de valores despencando, antes de reverterem a tendência após os comentários de Trump e as notícias de uma possível flexibilização das sanções à energia russa.

Khamenei, de 56 anos, um clérigo xiita com forte influência nas forças de segurança e em seu vasto império empresarial, foi declarado inaceitável por Trump, que exigiu a rendição incondicional do Irã.

Trump afirmou que a guerra continuaria até que o Irã fosse “total e decisivamente derrotado”, mas previu que ela terminaria em breve.

“Vai terminar muito rapidamente”, disse ele aos legisladores republicanos. “Já vencemos em muitos aspectos, mas não o suficiente”, afirmou.

Trump, no entanto, não definiu exatamente como seria a vitória na guerra.

A mídia estatal iraniana mostrou grandes multidões em várias cidades demonstrando apoio ao novo líder, agitando bandeiras iranianas e segurando retratos de seu pai, Ali Khamenei , o líder supremo morto por um ataque israelense no primeiro dia da guerra.

Em Isfahan, a TV estatal relatou o som de explosões próximas, aparentemente causadas por ataques aéreos, enquanto partidários se reuniam na histórica Praça do Imã, entoando “Deus é o Maior” sob um palco com retratos de Ali e Mojtaba Khamenei.

Em mais um sinal de desafio, os militares iranianos disseram que intensificariam seus ataques com mísseis.

SISTEMA POLÍTICO SE UNE EM APOIO AO NOVO LÍDER

Políticos e instituições emitiram juramentos de lealdade ao novo líder supremo, cuja esposa, filho e mãe também morreram no início do ataque aéreo conjunto dos EUA e de Israel, segundo a mídia estatal iraniana.

“Obedeceremos ao comandante-em-chefe até a última gota de nosso sangue”, afirmou um comunicado do conselho de defesa.

Os iranianos contatados por telefone estavam divididos , com os apoiadores das autoridades saudando a escolha como uma declaração de desafio e os opositores temendo que ela frustrasse suas esperanças de mudança.

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“Estou muito feliz que ele seja nosso novo líder. Foi um tapa na cara dos nossos inimigos que pensavam que o sistema iria ruir com o assassinato do pai dele. O legado do nosso falecido líder continuará”, disse a estudante universitária Zahra Mirbagheri, de 21 anos, de Teerã.

Inicialmente, muitos iranianos comemoraram a morte de Khamenei, o pai, semanas depois de suas forças de segurança terem matado milhares de manifestantes antigovernamentais no pior episódio de agitação interna desde a revolução iraniana de 1979. Mas, desde então, houve poucos sinais de atividade antigovernamental, com ativistas receosos de ir às ruas enquanto o Irã está sob ataque.

“A Guarda Revolucionária (de elite) e o sistema ainda são poderosos. Eles têm dezenas de milhares de soldados prontos para lutar e manter este regime no poder. Nós, o povo, não temos nada”, disse Babak, de 34 anos, um empresário da cidade de Arak, na região central do país, que pediu para que seu sobrenome não fosse divulgado.

Israel afirma que seu objetivo de guerra é derrubar o sistema de governo clerical do Irã. Autoridades americanas dizem principalmente que o objetivo de Washington é destruir as capacidades de mísseis e o programa nuclear do Irã, mas Trump afirmou que a guerra só pode terminar com um governo iraniano submisso.

Israel havia declarado que mataria quem quer que sucedesse o patriarca Khamenei, a menos que o Irã pusesse fim às suas políticas hostis.

O preço do petróleo sobe e depois cai.

A guerra fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento para um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito globais, deixando os petroleiros impossibilitados de navegar por mais de uma semana e forçando os produtores a interromper o bombeamento à medida que os estoques se enchem.

Os contratos futuros do petróleo Brent subiram cerca de 7%, fechando em seu maior preço desde 2022, após uma alta de até 29% durante a sessão, em decorrência da redução da produção pela Arábia Saudita e outros membros da OPEP. No entanto, os preços recuaram após o fechamento do mercado.

O preço da gasolina tem uma ressonância política particular nos Estados Unidos, onde os eleitores citam o aumento dos custos como uma das principais preocupações antes das eleições de meio de mandato de novembro, quando os republicanos de Trump tentarão manter o controle do Congresso.

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Após conversar com o presidente russo Vladimir Putin, Trump afirmou que os Estados Unidos suspenderão certas sanções relacionadas ao petróleo para amenizar a escassez. Segundo diversas fontes, isso pode significar um maior afrouxamento das sanções ao petróleo russo, o que poderia complicar os esforços para punir Moscou pela guerra na Ucrânia.

Outras opções incluem uma possível liberação de petróleo de reservas estratégicas ou a restrição das exportações americanas, disseram as fontes.

REFINARIA DE PETRÓLEO ATINGIDA

Teerã ficou tomada por uma densa fumaça negra após um ataque a uma refinaria de petróleo, numa escalada dos ataques contra o fornecimento de energia do Irã. O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Ghebreyesus, alertou que o incêndio representa risco de contaminação de alimentos, água e ar.

A Turquia afirmou na segunda-feira que as defesas aéreas da OTAN abateram um míssil balístico disparado do Irã que entrou no espaço aéreo turco , o segundo incidente desse tipo durante a guerra. O Irã não comentou imediatamente a notícia.

A Turquia, vizinha do Irã e detentora do segundo maior exército da OTAN, havia alertado Teerã no sábado contra um novo ataque, mas não indicou que pretende solicitar formalmente aos membros do bloco maior proteção.

As forças armadas de Israel disseram ter lançado novos ataques no centro do Irã e atingido Beirute, capital do Líbano, onde Israel intensificou sua campanha após a milícia Hezbollah, apoiada pelo Irã, ter disparado contra o país através da fronteira.

Os ataques conjuntos entre EUA e Israel mataram pelo menos 1.332 civis iranianos e feriram milhares, segundo o embaixador do Irã na ONU. O Líbano registrou mais de 400 mortos e quase 700 mil pessoas desabrigadas.

Em Israel, paramédicos informaram que um homem morreu devido a ferimentos causados ​​por estilhaços em um canteiro de obras próximo ao aeroporto internacional de Tel Aviv, elevando para 11 o número de mortos em decorrência dos ataques iranianos.

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  • Reuters – Conteúdo
  • Foto Destaque: Crédito – Agência Reuters
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INTERNACIONAL

Prisão perpétua à vista para atirador que atacou jantar de Trump

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Cole Tomas Allen, o homem que invadiu o jantar para correspondentes da Casa Branca, no sábado, é formalmente acusado de tentar assassinar o presidente Trump e de outros dois crimes. Ex-agentes do Serviço Secreto negam falha de segurança

Por Rodrigo Craveiro*

Menos de 48 horas depois de tentar invadir o jantar de gala para correspondentes da Casa Branca, evento que contava com a participação de Donald Trump e de várias autoridades, o engenheiro mecânico Cole Tomas Allen, 31 anos, compareceu ante o juiz e tornou-se réu. Ele foi acusado formalmente de três crimes: tentativa de assassinar o presidente dos Estados Unidos, disparo de arma de fogo durante crime violento e transporte de arma de fogo e de munição durante comércio interestadual.

Se considerado culpado, a pena prevista é a prisão perpétua. Jeanine Pirro, procuradora do Distrito de Columbia, anunciou que mais acusações serão imputadas a Cole, à medida que as investigações avançarem. “Não se enganem, isto foi uma tentativa de assassinato do presidente dos EUA, e o réu deixou claro qual era a sua intenção: abater o maior número possível de membros de alto escalão do gabinete”, declarou. 

De acordo com o jornal The New York Times, Cole vestia um macacão azul neon e mostrava-se calmo. Ele respondeu timidamente às perguntas do juiz e foi notificado sobre a possibilidade de enfrentar a prisão perpétua. A promotoria informou que o réu carregava uma espingarda, uma pistola semiautomática e três facas, ao tentar alcançar o Salão de Baile Internacional, no saguão do hotel, no andar inferior, onde ocorria o evento. Nesta segunda-feira (27/4), a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, atribuiu o ataque de sábado ao “culto da esquerda ao ódio” pelo presidente. 

Antes do atentado, Cole enviou um e-mail aos familiares com um manifesto. No texto, ele pedia desculpas por sua decisão. “Não vou permitir mais que um pedófilo, estuprador e traidor suje minhas mãos com seus crimes”, escreveu, sem citar Trump pelo nome. O réu esclareceu que seus alvos eram “funcionários da administração”, “priorizados do mais alto ao mais baixo escalão”.

Ex-procurador federal e presidente da West Coast Trial Lawyers (em Los Angeles), Neama Rahmani afirmou ao Correio que ainda é prematuro avaliar o tipo de pena que será aplicada a Cole. No entanto, admitiu que, caso o réu seja condenado, ele poderá ser sentenciado à prisão perpétua. “Será um caso difícil de ser defendido. O manifesto deixado por Allen é incriminador, e há um punhado de evidências de que ele era o atirador. A única estratégia viável e real para a defesa é alegar que ele não tinha a intenção específica de matar o presidente”, observou.

Barbara Mcquade — ex-procuradora federal e professora da Faculdade de Direito da Universidade de Michigan — disse à reportagem que a sentença de Cole depende de vários fatores. “Por ora, é óbvio, há presunção de inocência. No entanto, se for condenado por tentativa de assassinato do presidente, então, sim, uma sentença de prisão perpétua parece provável”, admitiu. Quanto à defesa, Barbara não descarta que os advogados busquem alegar insanidade de Cole. “É possível, se o réu atender aos requisitos legais, mas eles são rigorosos”.

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Eficiência 

Para Jason Russell, ex-agente do Serviço Secreto entre 2002 e 2010, durante os governos de George W. Bush e de Barack Obama, o plano de segurança montado para o jantar de gala de sábado funcionou. “O suspeito foi interceptado em um dos perímetros externos. “Embora seja certamente preocupante quando alguém tenta algo assim, o Serviço Secreto estrutura a segurança em várias camadas para garantir que, se um invasor conseguir ultrapassar uma delas, existam outras para impedi-lo de atingir alguém que é protegido pelo organismo”, explicou ao Correio

Russell acrescentou que o Serviço Secreto tenta implementar planos de segurança que levem em consideração o impacto que possam ter sobre outras pessoas. “Hotéis têm hóspedes entrando e saindo; então, neste caso, o perímetro foi posicionado dentro do hotel e um andar acima do salão de baile para limitar o impacto que pudesse ter sobre outros hóspedes e o público em geral”, disse o ex-agente. 

Durante o governo do democrata Barack Obama, Barry Donadio integrou uma equipe de resposta a emergências na Casa Branca — uma unidade do Serviço Secreto. Ele também disse à reportagem que não vê o incidente no Hilton como uma falha. “O posto de controle fez exatamente o que deveria fazer e deteve o homem armado. Ainda mais impressionante é que ninguém morreu, nem mesmo o réu, o que é sempre um resultado positivo para as forças policiais americanas. O atirador foi detido no posto de controle, não conseguindo entrar no local”, declarou.

“O Serviço Secreto certamente analisará sua abordagem para esse tipo de evento e, se houver oportunidades de ajustar os planos, eles serão ajustados. Prevejo que, em alguns casos, o perímetro de segurança será ampliado. Acredito que foi apropriado o presidente apoiar o Serviço Secreto, pois os agentes e policiais uniformizados presentes arriscaram suas vidas para protegê-lo, ao vice-Presidente e a outras pessoas na multidão. O presidente provavelmente entende o quão difícil é proteger alguém 100% do tempo e reconhece o trabalho que os agentes fazem por ele e sua família”, destacou Jason Russell, ex-agente do Serviço Secreto entre 2002 e 2010, durante os governos de George W. Bush e de Barack Obama

“Uma coisa é certa: se o presidente Trump estivesse insatisfeito com o desempenho do Serviço Secreto, acima de tudo, ele certamente expressaria isso publicamente. No entanto, ele está satisfeito e não vê nada de errado na atuação deles. O Serviço Secreto reavalia suas medidas de segurança sempre que um incidente como este ocorre, reunindo-se com todos os seus especialistas para analisar como podem mitigar a situação e fornecer melhor proteção ao presidente. É uma agência que está em constante evolução, atualizando-se semanalmente e reinventando-se para se aprimorar com base em novas tecnologias e novas ameaças”, disse Barry Donadio, ex-agente do Serviço Secreto e ex-integrate de uma equipe de resposta a emergências na Casa Branca durante o governo Obama.

Chá real na Casa Branca

Um encontro informal para o chá, na tarde desta segunda-feira, na Casa Branca, marcou a chegada do rei Charles II e da rainha Camilla a Washington para a primeira visita do casal real aos Estados Unidos. O desembarque do casal real britânico foi antecedido pela tensão produzida pelo incidente da noite de sábado em um hotel da capital norte-americana, onde o presidente Donald Trump e a primeira-dama, Melania, protagonizavam um jantar de gala com os jornalistas credenciados para a cobertura da presidência.

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A viagem, a primeira do monarca ao país desde que ascendeu ao trono, em 2022, estava prevista para comemorar os 250 anos da independência dos EUA em relação ao Reino Unido. Antes mesmo do atentado ao presidente americano, porém, as tensões entre Washington e Londres em torno da guerra com o Irã abalaram a chamada “relação especial” entre os dois países.

Em repetidas ocasiões, Trump cobrou do primeiro-ministro Keir Starmer maior participação do Reino Unido, aliado preferencial na Europa, no esforço de guerra contra o Irã. Em especial, a Casa Branca reclama a participação da Marinha Real em operações para liberar o tráfego naval pelo Estreito de Ormuz. Até aqui, Starmer e o presidente da França, Emmanuel Macron, têm promovido articulações com outros países para algum tipo de apoio militar — mas a ser colocado em prática depois de um acordo de paz entre Washington e Teerã.

Nesta terça-feira, além de comparecer a um jantar de gala oferecido pelo anfitrião, Charles será o primeiro monarca britânico a falar perante o Congresso norte-americano desde o discurso proferido em 1991 por sua mãe, Elizabeth II. De parte a parte, não se espera que o visitante faça mais do que alguma referência vaga — e, seguramente, sem citar os Estados Unidos ou Trump — à guerra no Oriente Médio. Reciprocamente, Trump deve poupar o monarca de suas críticas ao governo de Londres.

“Ele é meu amigo há muito tempo, então vamos nos divertir muito”, disse à Fox News, no domingo, o presidente, que tem 79 anos — dois a mais que o hóspede. Trump visitou o Reino Unido em setembro, pela primeira vez no segundo mandato presidencial. Charles, por sua vez, retorna aos Estados Unidos ainda com os ecos do envolvimento de seu irmão, o ex-príncipe Andrew, no escândalo de pedofilia e exploração sexual de mulheres protagonizado pelo magnata Jeffrey Epstein, amigo de Trump. Como desdobramento, Andrew foi despojado dos títulos de nobreza.

O casal real britânico segue viagem amanhã para Nova York, com visita prevista ao memorial para as vítimas dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Em seguida, Charles e Camilla embarcam para as Bermudas, no Caribe.

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  • Informações Correio Braziliense – Conteúdo
  • Foto Destaque: AFP
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