Conflito Armado no Oriente Médio
Irã lança mísseis contra Israel após ataque dos EUA
INTERNACIONAL
Ataque deixou ao menos 23 pessoas feridas e causou extensos danos materiais em zonas residenciais e comerciais
Por Tathyane Melo*
Três áreas de Israel, incluindo a metrópole costeira de Tel Aviv, foram atingidas na manhã deste domingo, 22, por mísseis disparados pelo Irã. O ataque deixou ao menos 23 pessoas feridas e causou extensos danos materiais em zonas residenciais e comerciais, conforme confirmaram as autoridades israelenses.
O episódio ocorre em resposta direta aos recentes bombardeios conduzidos pelos Estados Unidos contra instalações nucleares iranianas, aumentando o temor de um conflito regional de maiores proporções.
Logo após o ataque, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, fez um pronunciamento contundente durante uma coletiva de imprensa realizada em Istambul, na Turquia. O diplomata afirmou não saber quanto “espaço resta para a diplomacia” diante das últimas ações militares americanas.
“Eles cruzaram uma linha vermelha muito grande ao atacar instalações nucleares… Temos que responder com base em nosso legítimo direito à autodefesa”, declarou Araghchi, em um tom que não deixou dúvidas sobre o posicionamento de Teerã.
Além de reforçar a narrativa de legítima defesa, Araghchi também revelou que tem mantido conversas com diversos ministros das Relações Exteriores da região nas últimas horas. Segundo ele, “quase todos estão muito preocupados” e dispostos a agir para conter o que chamou de “agressão israelense”. A escolha de Istambul como local para a coletiva também chamou atenção de analistas internacionais, dada a postura ambígua da Turquia em conflitos anteriores envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos.
Em solo israelense, o impacto da ofensiva foi imediato e visível. Na cidade de Tel Aviv, uma das regiões mais densamente povoadas do país, o bairro de Ramat Aviv foi um dos mais afetados. Vários edifícios residenciais sofreram danos severos. Imagens transmitidas ao vivo pelas principais emissoras de TV mostraram fachadas de prédios com grandes buracos e moradores em estado de choque, deixando abrigos subterrâneos.
O prefeito de Tel Aviv, Ron Huldai, esteve no local para acompanhar o trabalho das equipes de emergência. Em entrevista aos jornalistas, ele descreveu a gravidade da destruição. “As casas aqui foram atingidas com muita, muita gravidade”, disse. Demonstrando alívio diante da ausência de mortes, Huldai destacou um detalhe que pode ter evitado uma tragédia maior. “Felizmente, uma delas foi destinada à demolição e reconstrução, então não havia moradores dentro.”
Huldai ainda reforçou a importância dos protocolos de segurança civil, que preveem abrigos antiaéreos em toda a cidade. “Aqueles que estavam no abrigo estão todos seguros e bem. Os danos são muito, muito extensos, mas em termos de vidas humanas, estamos bem”, completou o prefeito.
Mas Tel Aviv não foi a única a sofrer os efeitos da ofensiva iraniana. De acordo com a polícia israelense, outros dois locais também foram atingidos por mísseis. Um deles em Haifa, ao norte, e o outro em Ness Ziona, uma cidade ao sul de Tel Aviv. As autoridades de segurança afirmaram que todas as equipes de emergência foram mobilizadas para avaliar os estragos e prestar socorro às vítimas.
Em Haifa, os impactos foram particularmente fortes em uma praça pública localizada em uma área residencial. Fotografias divulgadas pela agência de notícias AFP mostraram a praça completamente coberta por escombros. As lojas e residências no entorno também apresentavam danos, com vidraças estilhaçadas e estruturas comprometidas.
Eli Bin, diretor do serviço de resgate israelense Magen David Adom, considerado o equivalente local da Cruz Vermelha, ofereceu um balanço preliminar das vítimas. Segundo ele, o número de feridos chegou a 23 em todo o país. “Duas (vítimas) estão em estado moderado e o restante com ferimentos leves”, informou Bin, acrescentando que todas as pessoas receberam atendimento médico imediato.
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- Jornal Opção – Conteúdo
- Foto Destaque: Crédito – AFP
INTERNACIONAL
“Terra, vocês são uma tripulação”, diz astronauta da Artemis II
Os quatro tripulantes da missão Artemis II falam pela primeira vez sobre a jornada, depois de nove dias no espaço. Primeira mulher a participar de uma viagem ao satélite natural, Cristina Koch interrompeu o discurso para segurar o choro
Por Rodrigo Craveiro*
Às 15h48 deste sábado (11/4) pelo horário local (17h48 em Brasília) e menos de 24 horas após o retorno à Terra, os quatro tripulantes da missão Artemis II foram recebidos com aplausos, e de pé, pela plateia — formada por familiares, políticos e executivos da indústria aeroespacial — reunida no Centro Espacial Jonhnson da Nasa (agência espacial dos EUA), em Houston (Texas). Vestidos com macacão azul e usando boné, o comandante Reid Wiseman; a especialista de missão Christina Koch; o astronauta canadense e especialista de missão Jeremy Hansen; e o piloto Victor Glover estavam emocionados. Ainda tentavam processar a façanha nos últimos 9 dias, 1 hora e 32 minutos, quando fizeram um sobrevoo na Lua. Foi a primeira viagem ao satélite natural da Terra desde 1972. Os quatro astronautas quebraram o recorde de maior distância percorrida no espaço: 406.773km.
“Victor, Christina e Jeremy, nós estamos ligados para todo o sempre. Ninguém aqui embaixo vai saber o que passamos. Foi a coisa mais especial de toda a minha vida”, declarou Wiseman. “Antes do lançamento, parece que é o maior sonho do mundo. E quando você está lá fora, tudo o que você quer é voltar para sua família e seus amigos. Ser humano é algo especial, e estar no planeta Terra é algo especial”, acrescentou o astronauta. Na sexta-feira, a cápsula Órion pousou no Oceano Pacífico, perto da costa de San Diego (Califórnia), depois de enfrentar temperaturas de quase 3.800 graus Celsius, a uma velocidade de 39.693km/h, durante a entrada na atmosfera.
Victor Glover disse não ter processado o que ele e os três colegas tinham acabado de fazer. “Quando isso começou, em 3 de abril, eu quis agradecer a Deus em público, e quero agradecer a Deus novamente. A gratidão de ver o que vimos, fazer o que fizemos e estar com quem eu estava, é grande demais para caber em um só corpo”, reconheceu. Christina Koch precisou interromper sua fala por cerca de 10 segundos para segurar o choro. Foi abraçada pelos outros três tripulantes da sonda Orion. “Quando vimos a Terra, minúscula, (…) o que me arrebatou foi toda a escuridão em torno dela. A Terra é um bote salva-vidas pendurado inabalavelmente no Universo”, descreveu, ao parar o discurso momentaneamente. “Tudo nessa jornada tem a me ensinar. Mas, há uma coisa que eu sei. Planeta Terra, vocês são uma tripulação”, concluiu Cristina, de forma pausada, como se quisesse destacar cada palavra.
Jeremy Hansen parecia emocionado com o discurso da colega. “Quando você vê um grupo que se ama e dá uma contribuição significativa, e extrai alegria disso, isso é algo especial a testemunhar”, declarou. “Nós ouvimos muito falarem sobre a ciência e sobre as coisas que aprendemos. Mas, a experiência humana é extraordinária para nós”, lembrou, ao ressaltar a “coragem” e a “bravura” da tripulação.
Ex-astronauta da Nasa, Clayton C. Anderson esteve em duas expedições à Estação Espacial Internacional — em 2007, permaneceu 152 dias a bordo. “A missão Artemis II foi um imenso sucesso para toda a humanidade! Os testes bem-sucedidos de todos os sistemas da espaçonave nos prepararam para a Artemis 3 e a Artemis 4 nos próximos anos. Provamos que temos conhecimento e tecnologia para retornar em segurança à Lua. Aghora, estamos nos preparando para construir uma base lunar”, afirmou ao Correio, por e-mail.
Segundo Anderson, a Lua é um “trampolim”. “É um lugar próximo da Terra (três dias de viagem), onde podemos testar as tecnologias e construir a infraestrutura necessária para extrair água e gelo das crateras lunares. Todo esse conhecimento adquirido nos ajudará a planejar o envio seguro de humanos a Marte para atingir objetivos semelhantes”, explicou.
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- Correio Braziliense – Conteúdo
- Foto Destaque: crédito – Ronaldo Schemidt / AFP
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