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Acordo de livre-comércio, enfim, é formalizado no Paraguai

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Depois de mais de 25 anos de negociações, dois blocos viram a página para a ratificação em seus respectivos parlamentos para a liberalização gradual das tarifas

Por Wal Lima*

Depois de mais de 25 anos de negociações, o acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) foi assinado, ontem, em Assunção, no Paraguai. A formalização marcou o desfecho de um dos mais longos processos diplomáticos da história recente do comércio internacional e abriu uma nova etapa nas relações entre os dois blocos, que reúnem 720 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 22 trilhões.

A partir de agora, cada Parlamento dos países-membros precisará ratificar o pacto para que a liberalização das tarifas comerciais ocorra gradualmente conforme o previsto.

Representando o Brasil, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participou da cerimônia ao lado de líderes do Mercosul e de autoridades europeias. Segundo o Itamaraty, a assinatura consolidou um esforço diplomático comandado pelo governo brasileiro nos últimos dois anos para destravar resistências internas na UE e viabilizar o consenso político necessário.

“Este acordo é resultado de um trabalho intenso de diálogo e reconstrução de confiança. O Brasil atuou de forma decisiva para aproximar posições e demonstrar que o Mercosul é um parceiro confiável, comprometido com regras, sustentabilidade e integração produtiva”, afirmou Mauro Vieira.

O chanceler ressaltou que o tratado não se limitou à redução tarifária. “Estamos falando de um acordo moderno, que envolve comércio, investimentos, compras governamentais, facilitação de comércio e cooperação regulatória. Ele amplia oportunidades e fortalece a presença internacional do Brasil”, disse.

A solenidade ocorreu no Palácio López e contou com a presença do presidente do Paraguai, Santiago Peña, anfitrião do encontro; do presidente da Argentina, Javier Milei; do presidente do Uruguai, Yamandú Orsi; do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz; e do presidente do Panamá, José Raúl Mulino. Pela União Europeia, participaram a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa.

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Em discurso, Santiago Peña destacou o simbolismo da assinatura em território paraguaio e elogiou o papel do Brasil nas negociações. “O acordo representa uma mensagem clara de que a integração regional é um caminho sem volta. O Mercosul demonstra maturidade institucional e capacidade de dialogar com o mundo”, afirmou o presidente paraguaio.

Ursula von der Leyen classificou a assinatura como um marco histórico. “Este é um acordo que une duas regiões comprometidas com o multilateralismo, com regras claras e com a previsibilidade necessária para investidores e trabalhadores. Ele cria oportunidades dos dois lados do Atlântico”, declarou.

Ausência

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não participou da cerimônia em Assunção, sendo o único chefe de Estado do bloco sul-americano ausente, mas, praticamente todos os líderes presentes em Assunção elogiaram o esforço de Lula ao longo de toda a negociação.

Na véspera da assinatura, o chefe do Executivo recebeu Ursula von der Leyen no Rio de Janeiro para um encontro reservado. A reunião, descrita por auxiliares como “estratégica”, teve caráter bilateral e simbólico.

Segundo informações do Palácio do Planalto, o presidente optou por priorizar uma agenda “solo” com a chefe da Comissão Europeia, considerando que a imagem dos dois teria maior peso político do que a participação na cerimônia coletiva. A avaliação interna foi de que o protagonismo brasileiro nas negociações já estava consolidado e deveria ser capitalizado politicamente pelo presidente.

Durante o encontro, Lula afirmou que o acordo superou décadas de impasses e que, ao determinar a retomada das negociações, “deixou claro que esse processo precisava ser compatível com os objetivos de crescimento econômico e reindustrialização do Brasil”. Lula também defendeu o caráter geopolítico do tratado. “Este acordo é bom para o mundo democrático e para o multilateralismo. Ele vai além da dimensão econômica”, afirmou.

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Em análise, o especialista em direito internacional Celso Figueiredo, doutor pela Universidade de São Paulo (USP), avaliou que a assinatura em janeiro refletiu um rearranjo político após frustrações anteriores do governo brasileiro. “O presidente Lula falou diretamente com a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, tentando viabilizar o acordo. Não conseguiu convencer o presidente francês, Emmanuel Macron, que segue pressionado pelos agricultores franceses”, disse.

Para Figueiredo, a decisão de enviar Mauro Vieira ao Paraguai e preservar Lula em uma agenda própria foi estratégica. “O movimento teve um claro componente político. A ideia foi manter o protagonismo do Brasil e garantir uma imagem mais forte do presidente, especialmente em um contexto eleitoral.”

Oportunidades

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Geraldo Alckmin, também exaltou a assinatura do pacto. “Este tratado consolida o maior acordo entre blocos comerciais do mundo e amplia de forma significativa as oportunidades para o Brasil”, afirmou.

Segundo Alckmin, o acordo reforça a estratégia de inserção internacional do país. “Ao concluir esse acordo, o Brasil reafirma sua estratégia de abrir mercados, fortalecer o multilateralismo e transformar resultados comerciais em crescimento econômico, emprego e investimento”, disse.

O ministério de Alckmin agiu rapidamente e lançou o Painel de Oportunidades Mercosul-União Europeia. A ferramenta digital vai funcionar como um guia de inteligência comercial, mapeando demandas específicas do mercado europeu e cruzando-as com a capacidade produtiva das empresas brasileiras. A funcionalidade principal do painel será em desburocratizar o caminho do exportador, identificando nichos onde o Brasil possui vantagem comparativa.

Em entrevista recente ao programa Bom dia, ministro, da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), Alckmin afirmou que espera uma ratificação rápida do acordo pelo Congresso Nacional e que ele entre vigor no Brasil no segundo semestre deste ano.

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  • Correio Braziliense – Conteúdo
  • Foto Destacada: Crédito – Luis Robayo / AFP
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Política Internacional

Irã confirma acordo com EUA, mas exige pagamento de pedágio em Ormuz

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Trump e mediador paquistanês apresentaram informações contraditórias sobre o teor do texto que trata do fim da guerra

Estados Unidos e Irã alcançaram um acordo neste domingo (14) para estabelecer o fim imediato da guerra no Oriente Médio, incluindo o conflito no Líbano, e pretendem assinar o texto na sexta-feira (19), em Genebra. O país persa adicionou uma cláusula sobre o pagamento de pedágio marítimo no Estreito de Ormuz.

O teor do acordo não foi divulgado, mas o Irã indicou que as negociações devem começar em, no máximo, 60 dias, com o objetivo de alcançar um acordo definitivo em questões delicadas como o programa nuclear ou as sanções contra sua economia.

O compromisso foi anunciado pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, mediador do conflito, que o qualificou de “passo histórico em direção à paz”. Posteriormente, Washington e Teerã confirmaram a informação.

“O acordo com a República Islâmica do Irã já está concluído. Parabéns a todos!”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social. “Autorizo plenamente a abertura sem cobrança de pedágio do Estreito de Ormuz e, simultaneamente, autorizo a suspensão imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos. Navios do mundo, liguem seus motores. Que o petróleo flua!”, completou.

Pouco depois, ele afirmou que a passagem marítima só será reaberta após a assinatura do acordo na sexta-feira.

A agência iraniana Fars, no entanto, afirmou que o Irã incluiu, no último momento, uma cláusula sobre o pagamento de um pedágio marítimo no Estreito de Ormuz.

“Nos momentos finais da negociação, o texto do memorando de entendimento recebeu uma emenda para enfatizar de forma clara e explícita a questão da soberania do Irã e de Omã sobre o Estreito de Ormuz”, por onde transitam o gás e o petróleo exportados do Golfo, indicou a agência Fars, que citou uma fonte anônima que acompanha as negociações.

“O uso do termo ‘serviços marítimos’ significa que os Estados Unidos aceitaram o pagamento de pedágios ao Irã”,
acrescentou a agência iraniana.

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O fechamento de Ormuz teve um grande impacto na economia mundial, provocando inflação em alguns países e problemas de abastecimento de fertilizantes necessários para a produção de alimentos, entre outros.

Segundo o vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, o acordo com Washington põe “fim imediato à guerra”.

Uma fonte diplomática próxima às conversações indicou que Estados Unidos e Irã devem manter negociações indiretas durante a semana no Catar, antes da assinatura do acordo na sexta-feira.

Moratória nuclear

O conteúdo do acordo, alcançado após semanas de negociações tensas e ameaças frequentes de Trump de novas hostilidades, não foi divulgado publicamente.

As partes publicaram informações contraditórias sobre o teor. Trump afirmou ao jornal The New York Times que o Irã aceitou uma moratória de 20 anos sobre o enriquecimento de urânio.

Por sua vez, Gharibabadi declarou que as próximas conversações abordarão o fim das sanções contra o Irã, a questão nuclear, a reconstrução e o desenvolvimento econômico de seu país e a implementação de um mecanismo de supervisão dos acordos alcançados.

Israel reagiu e anunciou que seu Exército “permanecerá nas zonas de segurança no Líbano, na Síria e em Gaza por um período ilimitado”, segundo as palavras do ministro da Defesa, Israel Katz.

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O acordo foi recebido com alívio pela comunidade internacional. O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse esperar “que as partes aproveitem o novo impulso e redobrem seus esforços em direção a uma resolução final do conflito”.

Reino Unido, França, Alemanha e Itália celebraram o acordo e afirmaram que estão dispostos a suspender algumas sanções contra o Irã. Egito e Arábia Saudita também elogiaram o pacto.

Petróleo a US$ 80

O conflito começou em 28 de fevereiro com os bombardeios de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, que respondeu atacando alvos americanos nos países do Golfo aliados de Washington.

Em 2 de março, o Líbano entrou na guerra devido aos ataques do Hezbollah contra Israel, que respondeu com uma ofensiva para “eliminar” o movimento xiita apoiado por Teerã. Os bombardeios israelenses provocaram mais de 3.700 mortes desde março, segundo o governo libanês.

Uma fonte oficial libanesa disse nesta segunda-feira (15) à reportagem que o governo de Beirute “não foi informado” sobre o acordo, nem sobre o momento em que entrará em vigor.

O acordo impulsionou as Bolsas e derrubou os preços do petróleo.

“O que poderemos fazer é reduzir o custo da energia, não apenas agora, mas a longo prazo, e criar um verdadeiro motor de prosperidade no Oriente Médio”, disse o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, ao canal Fox News.

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  • Matéria da agência AFP – Conteúdo
  • Foto destaque: Bandeira do Irã / Crédito: Heinz Peter Bader
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