Barbárie
Pai e madrasta suspeitos de matar e esquartejar menina de 4 anos são presos em SP
Brasil / Assassinato
Morte de Emanuelly Lourenço Silva Souza teria ocorrido em setembro, mas só
foi descoberta após o pai ser confrontando pelo Conselho Tutelar
Por Alfredo Henrique e Paulo Eduardo Dias* – São Paulo / SP
O pai e a madrasta de uma menina de 4 anos foram presos na noite desta quinta-feira (27) sob suspeita de matar e ocultar o cadáver da criança. Segundo o casal, ela foi esquartejada e enterrada no quintal da casa em que moravam, em Guarulhos, na Grande São Paulo.
A morte de Emanuelly Lourenço Silva Souza teria ocorrido em setembro, segundo a polícia, mas só foi descoberta após o pai ser confrontando por integrantes do Conselho Tutelar a respeito do paradeiro da criança e confessar o crime.
A reportagem tentou localizar a defesa do casal. A polícia não informou se eles já haviam constituído advogado.
Lucas Silva Souza, 29, foi chamado para prestar esclarecimentos após a mãe da criança prestar queixas de maus-tratos ao Conselho Tutelar. Emanuelly e outro filho estavam sob cuidados do pai havia cerca de dois anos, em razão de um tratamento médico que a mãe fazia, de acordo com a polícia. O filho já havia voltado para a casa materna após ter sido agredido.
Segundo o boletim de ocorrência, conselheiros foram até residência do casal nesta quinta e encontraram apenas Manoela Cristina Cesar, 34, mulher de Souza. Ao ser questionada sobre o paradeiro da criança, ela aparentou nervosismo. Disse, de acordo com relato à polícia, que Emanuelly estava com a mãe e que deveriam falar com o pai dela.
A equipe retornou à noite e encontrou Souza em casa. Questionado a respeito da filha, ele teria dito que a criança estava com a mãe. Os técnicos, então, o convidaram para ir até a sede do Conselho Tutelar, onde conversariam sobre o caso.
No local, segundo relato dos membros do conselho, ele deu informações contraditórias e teria dito que se contasse o que aconteceu, sairia dali algemado. Em seguida, teria confessado o crime. A polícia foi chamada e o casal acabou detido.
Aos conselheiros, ele disse que em 15 de setembro deixou Emmanuelly sob cuidados de Manoela e foi trabalhar. Ao retornar, encontrou a filha já sem vida, deitada no sofá. De acordo com o registro policial, ao questionar a mulher, ela teria dito que matou a criança porque a mesma urinou na cama enquanto dormia.
O pai afirmou no Conselho Tutelar que tentou chamar uma ambulância, mas Manoela o impediu, dizendo que ambos seriam presos. Souza disse ainda, segundo a polícia, que retirou o corpo da frente dos outros dois filhos e depois ele e a mulher o enterraram.
Ao ser interrogado formalmente pela polícia, o pai disse que a filha e a madrasta não tinham uma boa relação. Afirmou ainda que a mulher havia brigado com a criança, mas sem violência, e que Emanuelly teria desfalecido. Ele negou ter agredido a filha anteriormente, mas relatou que já havia presenciado a madrasta agredi-la e que não tinha denunciado por medo de perder a guarda da menina.
Souza contou à polícia que o casal decidiu esquartejar a criança e enterrá-la na varanda interna da casa, sendo que a mulher realizou o esquartejamento.
Já Manoela contou aos policiais que passou a tarde com Emanuelly e seus dois filhos e percebeu que a menina estaria “muito quietinha, como se estivesse passando mal”. Ela afirmou não ter prestado auxílio à criança. Quando o marido chegou, por volta das 19h, ele teria visto a menina deitada, quase imóvel. Segundo ela, foi decisão do marido ocultar o corpo, mesmo depois de ser alertado que a filha ainda respirava.
Questionada se teria agredido Emanuelly naquela tarde, Manoela respondeu: “Não vou falar, porque a gente já vai pegar cadeia mesmo”. Ela ainda confessou, segundo a polícia, ter auxiliado na ocultação do cadáver.
A mãe da criança esteve na delegacia, mas não conseguiu prestar depoimento por estar muito abalada.
A ocorrência foi registrada no 4° DP de Guarulhos como homicídio, destruição, subtração ou ocultação de cadáver. A Polícia Civil pediu a prisão preventiva do casal e vai realizar uma perícia na casa da família.
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- Folhapress – Conteúdo
- Foto/Destaque: Reprodução / Internet
Brasil / Assassinato
Vítima de espancamento levou 57 pauladas, além de pisões, chutes e socos em seis minutos de barbárie em Copacabana
Câmeras registram espancamento que matou inocente na Zona Sul. Dois acusados do crime já estão presos, um deles se entregou à noite numa delegacia da Baixada Fluminense
Por Marcos Nunes e Vera Araújo* | Rio de Janeiro (RJ)
Em seis dos nove minutos de gravação, contam-se 57 pauladas, fora pisões na cabeça, chutes e socos. Alvo de toda essa violência, Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, morreu nas primeiras horas do último dia 12. O laudo de necropsia da vítima aponta traumatismo cranioencefálico e hemorragia interna, além de lesões no baço e no rim esquerdo. Registros de câmeras de segurança, capturados nas ruas Barata Ribeiro e Felipe de Oliveira, indicam uma sequência de acontecimentos diferente da que o segurança David Santos Machado (Foto) relatou em seu primeiro depoimento na 12ª DP (Copacabana), que investiga o caso.

Machado se entregou ontem à noite na 53ª DP (Mesquita). Contra ele e Jorge Luiz Ricardo Dias — que havia se apresentado mais cedo à delegacia em Copacabana — foram emitidos mandados de prisão temporária. Como as imagens mostram, o primeiro abordou Cláudio Rafael, que havia saído de casa perto das 22h30 do dia 11, em Botafogo, para passear: ele usava a bicicleta da irmã.
Já em Copacabana, Machado suspeitou que Cláudio tivesse roubado a bicicleta e, ainda na Barata Ribeiro, na altura do número 35, encostou-a na frente de uma loja. Logo em seguida, Jorge Luiz aparece pedalando e atravessando a rua, quando Cláudio tenta evitar que levassem o bem que era de sua irmã. Machado, então, o repele usando um porrete de madeira.
Com a mesma arma, o segurança aparece na sessão de espancamento filmada na Rua Felipe de Oliveira, paralela à Barata Ribeiro. Ali, ao contrário do que disse em seu primeiro depoimento, ele protagoniza as agressões, ajudado por dois homens de bicicleta e mochilas de entregadores. Eles alcançam a vítima primeiro, sentada na escada de um prédio, e parecem cercá-la — até a chegada de Machado, ainda munido do porrete.
Aquilo a que se assiste em seguida são cenas de brutalidade indizível e inexplicável. Acusado injustamente de roubo, Cláudio Rafael, que tinha transtornos psicológicos, segundo a família, sofre as primeiras agressões e tenta escapar — mas é contido pelos entregadores, que o socam enquanto o seguram. O segurança desfere mais três pauladas, erra uma e chega a deixar o porrete cair no chão, mas logo recupera a ferocidade: em uma sequência de 20 segundos, contam-se 15 golpes com o cassetete improvisado, além de dois chutes.
Imagens mostram espancamento até a morte de homem em Copacabana
A barbárie continua, com breves interrupções em que o trio de agressores filma e tira fotos da vítima no chão. Entre quase seis dezenas de pauladas, Machado acerta uma enquanto aparentemente fala com alguém pelo celular. A certa altura, um quarto personagem, um homem de suéter, se aproxima, dá um chute na cabeça do homem e se afasta. Em alguns momentos, Cláudio ergue as mãos, parece implorar, e em outros tenta se levantar, mas não consegue e rola se contorcendo na calçada. Ele foi deixado ali, agonizando por pelo menos 30 minutos até a chegada dos bombeiros. Deu entrada no Hospital Miguel Couto à 1h, mas não resistiu.
“Ao analisar as imagens, todos aqui na delegacia ficaram estarrecidos. São muito fortes” — diz o delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP.
Segundo o policial, os quatro suspeitos de participarem das agressões contra Cláudio Rafael vão responder por homicídio triplamente qualificado: por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. Os investigadores tentam ainda identificar os dois homens que usavam mochila de entregadores.
Infância feliz e acidente
Subir e descer correndo a escadaria da vila onde morava, em Botafogo, era uma das brincadeiras preferidas de Cláudio Rafael quando tinha sete anos. Apaixonado pelo menino Bart, da série “Os Simpsons”, e louro como o personagem na época, acabou herdando o apelido. Extrovertido, era presença garantida nas festas infantis da vizinhança, sempre ao lado das irmãs — Fabiana, a caçula, e Nathália, a mais velha. A vizinha Genuína da Silva, de 52 anos, guarda fotos daquele tempo.
“Ele e a Fabiana vinham para cá e ficavam brincando com o meu filho. O Rafael tinha talento para desenhar, era muito bom mesmo. O que fizeram com ele foi uma covardia”, conta Genuína. “Ele não fazia mal a ninguém. Todo mundo aqui pelas redondezas o conhecia. Depois que caiu do telhado na adolescência, ele passou a ter transtornos psicológicos. Ficou introvertido, parou de falar com as pessoas”.
O exercício arbitrário das próprias razões é um delito do artigo 345 do Código Penal, definido como “fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o permite”. A pena é baixa: 15 dias a um mês de detenção, ou multa, mas, caso haja violência, a sentença é somada à da agressão.
No ano passado, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) obtidos via Lei de Acesso à Informação, foram registradas 1.609 ocorrências do crime no Estado do Rio. A capital concentra 39% dos casos (625 registros): os bairros com mais ocorrências são Campo Grande, com 38, Barra da Tijuca (33), Recreio (31) e Guaratiba, com 22. Copacabana teve 20 casos em 2025.
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- Matéria do jornal Extra – Conteúdo
- Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
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