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Uma Relíquia da Cultura Capixaba

A secular Sociedade Musical Lira Mateense pede ajuda para continuar existindo, após 116 anos de fundação

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Educação & Cultura

Por Paulo Roberto Borges

Apesar de ser uma das entidades culturais das mais antigas do Brasil, orgulho de São Mateus e dos capixabas, do alto dos seus 116 anos de existência, a Sociedade Musical Lira Mateense nem sempre tem a sua importância reconhecida pela comunidade de São Mateus. Seja valorizando seus feitos e cursos, seja através de recursos públicos em todos os níveis.

A Sociedade Musical Lira Mateense foi criada oficialmente em 21 de setembro de 1909; seu registro em Cartório só se efetivou em 03 de dezembro de 1953 / Foto: Arquivo – SMLM

Apesar dessa realidade de dificuldades, ainda existem pessoas que têm um olhar atento para a sua grandeza e importância tradicional e histórica no cenário cultural da cidade de São Mateus. No segmento politico, a emenda destinada pelo ex-deputado estadual Freitas, naquela ocasião foi muito importante num momento de necessidade da Lira. Ano passado a vereadora Isamara da Farmácia (União Brasil) destinou emenda impositiva para a instituição. Essa iniciativa ajudou a instituição a ir se mantendo e tem direcionado esses recursos para despesas com monitores e outras demandas.

Neste início de ano o vereador esteve na Lira e se comprometeu a destinar emenda impositiva, porém, só será disponibilizada no próximo ano. Recentemente foi a vez do vereador Branco da Penal, que visitou a instituição e fez indicação em sessão da Câmara com a finalidade da Prefeitura destinar recursos para aquisição de instrumentos para a centenária Sociedade Musical Lira Mateense. O parlamentar fez uma proposição com indicação pedindo providências no sentido de “Reconhecimento da Sociedade Musical Lira Mateense como patrimônio histórico, natural e cultural do Município, bem como a adoção de medidas para destinar recursos visando a manutenção, valorização e aquisição para melhoria dos instrumentos musicais da referida instituição”.

No aniversário da cidade a Lira abre as festividades com a Alvorada / Foto: Divulgação – SMLM

De acordo com o gerente de Regência, Levi de Oliveira, o prédio da Lira está deteriorado e aguarda recursos para uma reforma emergencial. Esses recursos são frutos de apresentações, mas não atinge o que é necessário, além do que não compensa reformas que não atendam as reais necessidades estruturais. O ideal seria, segundo Levi, a construção de um novo salão, pois existe área para isso. “O que dificulta é a verba necessária para essa obra, disse ele.

Revelando futuros talentos

A Lira ficou de fora da Festa da Cidade. Sua apresentação foi apenas nas festividade cívico-cultural, mas o evento em que poderia lhe trazer um certo alívio financeiro, como são as contratações de bandas para a Festa da Cidade, nessa foi esquecida pelos organizadores.

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Vale registrar que a Lira sempre se apresentou em vários eventos como casamento comunitário, missa solene por ocasião das festividades de colonização da cidade, dentre outros. Para essas apresentações terem continuidade, foi feito um projeto definindo os custos das apresentações. Apesar do valor irrisório em comparação com os que são pagos a bandas, cantores e até a uma escola de samba da capital, foi questionado. Para uma instituição centenária, orgulho de um povo e de uma cidade histórica, tudo parece ser caro. “Para bandas e bundas todo recurso da municipalidade parece valer a pena”, disse José Carlos Silva Santos, aposentado e morador de São Mateus há 40 anos.

“No enredo de uma escola de samba de Vitória São Mateus será lembrado e a Lira também, mas os R$ 400 mil vão ajudar a escola apresentar o seu enredo. Recursos para a Lira tem dificuldade na sensibilidade de alguns”, disse um cidadão da cidade que é admirador da instituição mateense. Não quis seu nome publicado.

Alunos aprendendo o ofício de musicista

Qualquer contratação da instituição não terá nenhuma dificuldade legal, pois seus documentos, certidões, toda a documentação para receber recursos em todos os níveis atendem as exigências das normas legais.

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A secular Sociedade Musical Lira Mateense, passou por muitas intempéries e a dedicação, o trabalho e o amor pela instituição motivaram vários “heróis desconhecidos da comunidade” a não deixarem apagar a sua história de 116 anos, comemorado neste setembro de 2025. Muitos grandes músicos passaram por lá e se destacaram em sua vida musical embalando casais apaixonados em festas, bailes, formaturas. Hoje, tendo em sua presidência Emilson Pereira Cosme, a Lira toca sua vida seguindo fazendo a sua história, sempre marcando sua importância. Mas enfrenta dificuldades, o que não tem impedido de realizar seus cursos, seus ensaios e suas apresentações.

Qualquer contratação da instituição não terá nenhuma dificuldade legal, pois seus documentos, certidões, toda a documentação para receber recursos em todos os níveis atendem as exigências das normas legais.

São Mateus, por muito tempo foi tida como a “cidade do já teve”. Várias coisas desapareceram, mas a Sociedade Musical Lira Mateense permanece, apesar das dificuldades, mesmo diante da sua importância histórica sócio-cultural e de formação de grandes talentos musicais.

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*Fotos: Reprodução / Redes Sociais

 

 

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Educação & Cultura

Venda ilegal de documentos históricos preocupa Arquivo Nacional

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Recentemente, órgão recuperou documento assinado por Duque de Caxias

Agência Brasil* | Rio de Janeiro (RJ)

Nos últimos três anos, pelo menos dez casos de venda ilegal de documentos históricos brasileiros em leilões foram identificados pelo Arquivo Nacional. Segundo o órgão federal, responsável pela guarda dessa documentação, este tipo de comércio criminoso vem crescendo recentemente no país.

Por isso, o Arquivo Nacional está montando um setor específico para lidar com essas ocorrências e garantir a recuperação desses documentos.

“A gente está percebendo que há um comércio muito grande de documentação pública.  O que o Arquivo Nacional tem feito é, cada vez mais, analisar essas ofertas que estão em sites de leilões espalhados pelo Brasil inteiro e indo atrás dessa documentação”, explica o diretor de Processo Técnico, Preservação e Acesso Técnico ao Acervo do Arquivo Nacional, Thiago Vieira.

Segundo ele, o objetivo é restituir o patrimônio público para “o seu local, que é aqui no Arquivo Nacional”.

Há três anos, por exemplo, o Arquivo Nacional conseguiu recuperar cinco documentos que estavam sendo leiloados ilegalmente na internet, com a ajuda da Polícia Federal. Um deles, assinado por Duque de Caxias, registra a instalação de uma linha terrestre de telégrafo que conectaria dois estados brasileiros.

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“São documentos que são representativos de momentos emblemáticos da nossa história. Ajudam a contar nossa história, ajudam a preencher lacunas onde nossa historiografia ainda não chegou”, afirma a chefe do Serviço de Diplomática e Paleografia do Arquivo, Alícia Duhá Lose.

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*Com informações de Fernanda Cruz – Repórter da TV Brasil

*Edição: Aécio Amado / *Foto destaque: Documento – Arquivo Duque de Caxias / Divulgação

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