Lula na América
Lula tem microfone cortado por exceder tempo em evento na ONU
Política Internacional
Nova York / Estados Unidos
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), passou por mais um constrangimento ao proferir seu discurso na Organização das Nações Unidas, durante a abertura da Cúpula do Futuro, e ter o seu microfone cortado, por exceder o seu tempo de fala.
O encontro, que antecede a 79ª Assembleia das Nações Unidas, foi convocado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres.
Lula estava no meio da frase “O Sul Global não está representado de forma condizente com seu atual peso político, econômico e demográfico”, quando o microfone foi cortado.
O corte segue uma regra estabelecida pelo presidente da Assembleia Geral da ONU, Philémon Yang: as falas de chefes de Estado e de governo não podem exceder cinco minutos de duração. Caso contrário, o discurso é cortado.
Outros líderes também tiveram os microfones cortados. Foi o caso, por exemplo, dos representantes de Serra Leoa e Iêmen, que discursaram antes de Lula.
O discurso
No discurso, Lula questionou a existência do que chamou de “duplos padrões” e “omissão diante de atrocidades” por parte do Conselho de Segurança da ONU e afirmou que o Sul Global, do qual o Brasil faz parte, está sub-representado nesses fóruns internacionais, desconsiderando seu atual peso político, econômico e demográfico.
O petista também defendeu a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa do Brasil na Presidência do G20 neste ano de 2024.
No tema do clima, ele disse que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável “caminham para se tornarem nosso maior fracasso coletivo”. Disse ainda que os níveis atuais de redução de emissões de gases do efeito estufa e financiamento climático são insuficientes para manter o planeta seguro.
Citando os conflitos na Europa e no oriente Médio, a corrida armamentista e as mudanças climáticas, o brasileiro cobrou dos líderes mundiais mais “ambição e ousadia”.
Ele finalizou pedindo “coragem e vontade política” para deixar às gerações futuras uma governança que responda de forma efetiva aos atuais desafios e aos que surgirão no futuro.
Acompanharam o discurso de Lula na Sede das Nações Unidas, a primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja; os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Marina Silva (Meio Ambiente); e o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG); além do assessor especial da Presidência, Celso Amorim.
Cúpula do Futuro
A Cúpula do Futuro é uma reunião de chefes de Estado e governo de iniciativa do secretário António Guterres. Na ocasião, foi assinado o Pacto para o Futuro, que estabelece princípios e compromissos dos membros da ONU para um novo multilateralismo e para a cooperação internacional.
O Pacto aborda temas como desenvolvimento sustentável; direitos humanos; paz e segurança internacionais; ciência, tecnologia e cooperação digital; juventude e gerações futuras; e reforma da governança global. Em anexo ao Pacto, também foram adotados a Declaração para Gerações Futuras e o Pacto Global Digital.
Confusão com seguranças de Biden
O presidente Lula se recusou a participar de um evento organizado pela Fundação Clinton, depois de um desentendimento entre sua equipe e seguranças do presidente Biden.
Tudo começou com a aparição não programa da presença de Biden ao evento, que estava sendo realizado no mesmo hotel em que o presidente brasileiro estava hospedado. isso motivou reforço na segurança do presidente americano que impediu alguns assessores de Lula a terem acesso livre ao evento.
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* Fonte: Publicações de agências internacionais
* Foto: Ricardo Stucker / Presidência da República
Política Internacional
Irã confirma acordo com EUA, mas exige pagamento de pedágio em Ormuz
Trump e mediador paquistanês apresentaram informações contraditórias sobre o teor do texto que trata do fim da guerra
Estados Unidos e Irã alcançaram um acordo neste domingo (14) para estabelecer o fim imediato da guerra no Oriente Médio, incluindo o conflito no Líbano, e pretendem assinar o texto na sexta-feira (19), em Genebra. O país persa adicionou uma cláusula sobre o pagamento de pedágio marítimo no Estreito de Ormuz.
O teor do acordo não foi divulgado, mas o Irã indicou que as negociações devem começar em, no máximo, 60 dias, com o objetivo de alcançar um acordo definitivo em questões delicadas como o programa nuclear ou as sanções contra sua economia.
O compromisso foi anunciado pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, mediador do conflito, que o qualificou de “passo histórico em direção à paz”. Posteriormente, Washington e Teerã confirmaram a informação.
“O acordo com a República Islâmica do Irã já está concluído. Parabéns a todos!”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social. “Autorizo plenamente a abertura sem cobrança de pedágio do Estreito de Ormuz e, simultaneamente, autorizo a suspensão imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos. Navios do mundo, liguem seus motores. Que o petróleo flua!”, completou.
Pouco depois, ele afirmou que a passagem marítima só será reaberta após a assinatura do acordo na sexta-feira.
A agência iraniana Fars, no entanto, afirmou que o Irã incluiu, no último momento, uma cláusula sobre o pagamento de um pedágio marítimo no Estreito de Ormuz.
“Nos momentos finais da negociação, o texto do memorando de entendimento recebeu uma emenda para enfatizar de forma clara e explícita a questão da soberania do Irã e de Omã sobre o Estreito de Ormuz”, por onde transitam o gás e o petróleo exportados do Golfo, indicou a agência Fars, que citou uma fonte anônima que acompanha as negociações.
“O uso do termo ‘serviços marítimos’ significa que os Estados Unidos aceitaram o pagamento de pedágios ao Irã”, acrescentou a agência iraniana.
O fechamento de Ormuz teve um grande impacto na economia mundial, provocando inflação em alguns países e problemas de abastecimento de fertilizantes necessários para a produção de alimentos, entre outros.
Segundo o vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, o acordo com Washington põe “fim imediato à guerra”.
Uma fonte diplomática próxima às conversações indicou que Estados Unidos e Irã devem manter negociações indiretas durante a semana no Catar, antes da assinatura do acordo na sexta-feira.
Moratória nuclear
O conteúdo do acordo, alcançado após semanas de negociações tensas e ameaças frequentes de Trump de novas hostilidades, não foi divulgado publicamente.
As partes publicaram informações contraditórias sobre o teor. Trump afirmou ao jornal The New York Times que o Irã aceitou uma moratória de 20 anos sobre o enriquecimento de urânio.
Por sua vez, Gharibabadi declarou que as próximas conversações abordarão o fim das sanções contra o Irã, a questão nuclear, a reconstrução e o desenvolvimento econômico de seu país e a implementação de um mecanismo de supervisão dos acordos alcançados.
Israel reagiu e anunciou que seu Exército “permanecerá nas zonas de segurança no Líbano, na Síria e em Gaza por um período ilimitado”, segundo as palavras do ministro da Defesa, Israel Katz.
O acordo foi recebido com alívio pela comunidade internacional. O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse esperar “que as partes aproveitem o novo impulso e redobrem seus esforços em direção a uma resolução final do conflito”.
Reino Unido, França, Alemanha e Itália celebraram o acordo e afirmaram que estão dispostos a suspender algumas sanções contra o Irã. Egito e Arábia Saudita também elogiaram o pacto.
Petróleo a US$ 80
O conflito começou em 28 de fevereiro com os bombardeios de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, que respondeu atacando alvos americanos nos países do Golfo aliados de Washington.
Em 2 de março, o Líbano entrou na guerra devido aos ataques do Hezbollah contra Israel, que respondeu com uma ofensiva para “eliminar” o movimento xiita apoiado por Teerã. Os bombardeios israelenses provocaram mais de 3.700 mortes desde março, segundo o governo libanês.
Uma fonte oficial libanesa disse nesta segunda-feira (15) à reportagem que o governo de Beirute “não foi informado” sobre o acordo, nem sobre o momento em que entrará em vigor.
O acordo impulsionou as Bolsas e derrubou os preços do petróleo.
“O que poderemos fazer é reduzir o custo da energia, não apenas agora, mas a longo prazo, e criar um verdadeiro motor de prosperidade no Oriente Médio”, disse o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, ao canal Fox News.
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- Matéria da agência AFP – Conteúdo
- Foto destaque: Bandeira do Irã / Crédito: Heinz Peter Bader
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