Política Nacional
Maioria dos governadores faltou ao evento planejado pelo governo Lula
POLÍTICA & GOVERNO
Brasília – DF
A maioria dos 27 governadores achou por conveniência não comparecer ao evento promovido pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) relacionado com os atos de vandalismos de 8 de janeiro do ano passado. Dos 27 governadores, 14 não atenderam ao convite de Lula para o evento.
Um dos ausentes foi o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que chegou a ser afastado das suas funções após os ataques do 8 de Janeiro pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes. Ibaneis está nos Estados Unidos. O governo da capital federal foi representado pela vice-governadora Celina Leão (PP). Assim como Ibaneis, o governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, também citou férias para justificar a sua falta.

Os outros dois governadores do Centro-Oeste também não compareceram à solenidade. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), e o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União). Mendes publicou nas suas redes sociais um registro de um compromisso no seu Estado, enquanto que Caiado cumpriu agendas em São Paulo.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também não compareceu ao ato, apesar de estar em Brasília. Na manhã desta segunda, ele havia confirmado presença à cerimônia, mas voltou atrás antes do início do ato após sofrer pressões de lideranças do partido.
Dos sete governadores do Sul e Sudeste, apenas dois compareceram: Eduardo Leite (PDSB), do Rio Grande do Sul, e Renato Casagrande (PSB), do Espírito Santo.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) está na Europa. O vice-governador Felicio Ramuth (PSD) também não está no Brasil. O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), que, na semana passada, informou por meio da sua assessoria não saber se iria para o evento, também foi um desfalque para o Democracia Inabalada.
O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD) enviou um ofício para Lula agradecendo o convite para a cerimônia no Congresso, mas disse que não poderia comparecer por causa de “compromissos previamente agendados”. O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), que na semana passada disse que não sabia se iria ou não para Brasília, permaneceu no seu Estado nesta segunda-feira, 8.
Dos 7 governadores da Região Norte, apenas o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB) e o governador do Amapá, Clécio Luís (Solidariedade) foram para o Congresso Nacional nesta segunda-feira, 8. O governador de Roraima, Antônio Denarium (PP), o governador do Acre, Gladson Cameli (PP) e o governador de Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos) cumpriram agendas em seus Estados. Os governadores de Rondônia e do Amazonas, Marcos Rocha (União) e Wilson Lima (União) também não foram a Brasília.
O único governador dos nove Estados do Nordeste que não compareceram ao Democracia Inabalada foi Paulo Dantas (MDB), que é chefe do Executivo de Alagoas. Por meio das suas redes sociais, Dantas falou sobre o 8 de Janeiro, mas não falou sobre a sua ausência no Congresso. “Não permitiremos qualquer tipo de autoritarismo e ataques aos Três Poderes”, afirmou.
Quatro dos 11 ministros do STF não participaram de ato em memória do 8 de Janeiro
Dos 11 ministros que compõem o STF, quatro não compareceram à solenidade no Congresso: André Mendonça, Dias Toffoli, Luiz Fux, Nunes Marques. Nunes Marques e Mendonça foram indicados por Bolsonaro, enquanto que Toffoli foi indicado por Lula e Fux pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
Segundo a assessoria do STF, os ministros faltaram ao evento por não estarem na capital federal nesta segunda-feira.
Acompanhando Barroso e Moraes, participaram do ato no Congresso Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Edson Fachin e Gilmar Mendes. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, que tomará posse no Supremo em fevereiro, também compareceu.
Para observadores da política nacional, o atual governo deveria “se preocupar em unir e governar do que ficar patinando em atos políticos, aprofundando ainda mais a divisão do País”. A maioria tem opinião de que os atos de vandalismos não podem ser considerados como golpistas e nem como atentado contra a democracia. Lembram que muitas respostas não foram respondidas e isso tem criado muita desconfiança na população, uma vez que não houve transparência na apuração daqueles atos. “Por que somente um lado foi punido e outros isentos?”, pergunta de uma liderança política ouvida pela reportagem.
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* Com informações Estadão e de agências / Fotos: Reprodução
POLÍTICA & GOVERNO
Presidente da Câmara de Vitória arquiva pedido de cassação de vereador do PT
O arquivamento foi interpretado como uma derrota para a Prefeitura de Vitória, já que a prefeita Cris Samorini (PP) não esperava a reação da maioria dos vereadores diante da ofensiva contra o parlamentar petista.
Vitória (ES)
Pelo segundo dia consecutivo, nesta quarta-feira (22), a maioria dos vereadores da Câmara Municipal de Vitória esvaziou o plenário, impedindo a votação de uma das matérias mais importantes do Legislativo: o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), encaminhado pelo Executivo.
A reação dos parlamentares teve início após a tentativa da Prefeitura de viabilizar a abertura de um processo por quebra de decoro parlamentar contra o vereador Professor Jocelino (PT).
A Procuradoria-Geral do Município solicitou que o presidente da Câmara, Anderson Goggi (Republicanos), encaminhasse o caso à Corregedoria da Casa, medida que poderia, em tese, resultar na cassação do mandato do vereador petista.

Nos bastidores da política capixaba, a iniciativa foi vista como um equívoco estratégico da prefeita. A avaliação é de que o Executivo não dimensionou a reação do plenário, o que acabou provocando um desgaste político desnecessário e uma derrota que não fazia parte dos planos da administração.
Aliado da prefeita, Anderson Goggi saiu em defesa da autonomia do Legislativo e anunciou que arquivará o pedido da Procuradoria.
“O fato de eu estar na base da prefeitura não interfere na minha decisão. Entendo que essa questão deveria ser resolvida pelo Executivo na esfera judicial. Depois, caso haja condenação ou qualquer decisão, o Parlamento poderá ser provocado”, afirmou Goggi.
Origem da polêmica
O impasse teve origem em uma publicação feita pelo vereador Professor Jocelino nas redes sociais, na qual ele afirmou que uma empresa contratada pela Secretaria Municipal de Educação é alvo de investigação da Polícia Federal.
Embora a empresa realmente seja investigada, a apuração não está relacionada ao contrato firmado com a Prefeitura de Vitória. Em sua publicação, o vereador não fez essa associação direta, mas levantou questionamentos sobre a idoneidade da contratação.
“Aqui em Vitória, o mandato do Professor Jocelino já havia apresentado denúncias e levantado questionamentos sobre contratos relacionados com empresas que atuam na educação do município”.
Caso entendesse que houve ofensa à honra, a prefeita Cris Samorini ou a própria Procuradoria-Geral poderiam recorrer ao Judiciário, alegando eventual prática de calúnia, difamação ou outro ilícito, embora a interpretação jurídica sobre esse tipo de manifestação seja considerada delicada.
Esvaziamento do plenário
Na sessão desta quarta-feira, apenas seis vereadores permaneceram no plenário, número insuficiente para garantir quórum e dar continuidade aos trabalhos legislativos.
Estiveram presentes Anderson Goggi, Armandinho Fontoura (PL), Davi Esmael (Republicanos), Leonardo Monjardim (Novo), Darcio Bracarense (PL) e Luiz Emanuel (Republicanos).
Líder da prefeita na Câmara, Leonardo Monjardim criticou o movimento de esvaziamento.
“Não dá para parar a cidade, deixar de discutir o orçamento e interromper as sessões como forma de retaliação. Retaliação a quem? Há excesso? Talvez tenha, mas é preciso debater e discutir os caminhos”, afirmou.
Com o arquivamento do pedido de abertura do processo disciplinar contra Professor Jocelino, a expectativa é que a LDO seja apreciada na próxima sessão, marcada para segunda-feira (27).
Pedido de desculpas
No meio da crise política, um episódio chamou a atenção. Na sessão de terça-feira (21), Anderson Goggi foi flagrado proferindo palavrões logo após o encerramento dos trabalhos. As declarações foram captadas pelo microfone da Mesa Diretora.
Nesta quarta-feira, o presidente pediu desculpas aos servidores da Casa e “às pessoas que porventura não gostaram” das palavras utilizadas, embora tenha afirmado que não se arrepende da reação.
Segundo Goggi, a irritação ocorreu após ser informado de que alguns vereadores pretendiam esvaziar a sessão caso ele não comunicasse à prefeita que arquivaria o pedido contra Jocelino.
“Não aceito ser chantageado. Fiquei indignado e falei palavrões por causa da minha revolta.”
O presidente da Câmara também reforçou que sua decisão teve como objetivo preservar a independência do Poder Legislativo.
“Sou totalmente solidário ao vereador Jocelino. Hoje é com o Jocelino; amanhã pode ser com qualquer outro vereador. Me posicionei em defesa do Parlamento”.
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- Da Redação / Com informações de A Gazeta.
- Foto de destaque: Divulgação / CMV.
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