Política Internacional
Lula chega a Portugal sob desconfiança de europeus após declarações sobre a Ucrânia
INTERNACIONAL
Lula cumprirá agenda de seis dias em Portugal e Espanha. Organização de protestos contra o petista ganhou força após falas sobre conflito na Ucrânia
O presidente Lula (PT) desembarcou na manhã desta sexta-feira (21) em Lisboa, capital de Portugal, para uma agenda de seis dias na Europa. O petista permanecerá em Portugal até terça-feira (25), e depois seguirá para a Espanha, onde ficará até o dia seguinte.
Nesta viagem, a primeira de Lula à Europa no terceiro mandato, está prevista a participação do presidente brasileiro na 13ª reunião da cúpula bilateral Cimeira Brasil-Portugal, na qual devem ser assinados acordos entre os países, como a equivalência de diplomas nos níveis fundamental e médio e o reconhecimento de carteiras de motorista. Ainda em terras portuguesas, Lula participará de um Fórum de Negócios em Matosinho, no norte de Portugal, com empresários dos dois países, e fará um pronunciamento no Parlamento do país. Já na Espanha, o petista deve participar de um fórum empresarial e se encontrar com o primeiro-ministro do país, Pedro Sánchez.

A presença de Lula encontra resistência entre os europeus, que foi inflamada após falas recentes do presidente brasileiro, que afirmou que a Ucrânia também foi responsável pela decisão de entrar em guerra com a Rússia. Em maio de 2022, o petista já havia afirmado que o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, era tão responsável pelo conflito quanto o líder russo, Vladimir Putin. A Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022, dando início a guerra com o país vizinho. Para Lula, no entanto, “a decisão da guerra foi tomada por dois países”.
A fala do presidente brasileiro repercutiu mal entre várias nações e motivou uma crítica do porta-voz do Conselho de Segurança Nacional americano, John Kirby. No dia seguinte à declaração, a Associação dos Ucranianos em Portugal anunciou que entregaria uma carta a Lula com indignação durante sua passagem pela Europa. Um representante da entidade, Pavlo Sadokha, afirmou que a declaração de Lula demonstra um claro apoio a regimes totalitários, como a Rússia e a China.
Por fim, o porta-voz da chancelaria do governo da Ucrânia, Oleg Nikolenko, fez um convite a Lula para viajar ao país para “entender as reais causas” da guerra travada pela Rússia e “suas consequências para a segurança global”. Em uma postagem no Facebook sobre o caso, Nikolenko disse que “a Ucrânia não precisa ser convencida de nada. A guerra é travada em solo ucraniano e causa sofrimento e destruição indescritíveis. Mais do que ninguém no mundo, esforçamo-nos para acabar com a agressão russa com base na Fórmula da Paz proposta pelo Presidente Zelensky”.
Diante do cenário, estão previstos protestos contra Lula durante sua passagem pela Europa, especialmente em Portugal, que concentra um grande número de brasileiros residentes. Manifestantes pró-Lula também se articulam para manifestações de apoio ao petista.
- Informações Gazeta do Povo
- Foto: Divulgação
INTERNACIONAL
Sem Brasil, países sul-americanos anunciam parceria para frear avanço do crime organizado
Por Isabella de Paula*
Os governos do Chile, Argentina, Peru, Bolívia e Equador assinaram um compromisso nesta quinta-feira (28) para desenvolver um plano para aumentar a coordenação regional no combate ao crime organizado transnacional e ao narcotráfico.
“Vamos enfrentar o crime juntos. Queremos trazer segurança e tranquilidade aos nossos concidadãos. Hoje, nasce o Compromisso de Santiago”, anunciou o ministro das Relações Exteriores do Chile, Francisco Pérez Mackenna, que presidiu uma reunião que reuniu homólogos dos cinco países.
Dada a natureza transfronteiriça do crime, acrescentou, “os esforços nacionais são insuficientes e devem ser complementados por maior cooperação política, coordenação técnica e compartilhamento de informações”. O Brasil não integrou a reunião.
Os países envolvidos na iniciativa se comprometeram a desenvolver um plano de ação conjunto, que inclui “ações concretas e resultados mensuráveis e verificáveis”, e a se reunirem novamente em 180 dias em Buenos Aires para avaliar o progresso.
Entre as medidas em consideração estão a coordenação de fronteiras, a cooperação institucional, o compartilhamento de informações, o rastreamento de fluxos financeiros ilícitos e o fortalecimento dos mecanismos regionais de resposta.
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- Gazeta do Povo – Conteúdo
- Foto destaque: Crédito – Javier Torres / Agência EFE
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