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Caso do Banco Master

Vorcaro prestava contas a Moraes para tentar salvar o Master no dia em que foi preso

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BRASIL

Por Guilherme Grandi*

Mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro indicam que ele manteve contato ao longo de todo o dia 17 de novembro de 2025 com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), poucas horas antes de ser preso pela Polícia Federal ao tentar deixar o país durante o cumprimento da primeira fase da operação Compliance Zero, da Polícia Federal.

Os registros obtidos pela investigação mostram que o empresário fazia uma espécie de prestação de contas ao magistrado sobre as negociações para tentar salvar o Banco Master enquanto acompanhava o avanço das investigações contra ele.

De acordo com uma apuração do jornal O Globo divulgada nesta sexta (6) a partir de mensagens obtidas pela jornalista Malu Gaspar e também publicadas, as conversas ocorreram entre 7h19 e 20h48, pouco antes da abordagem policial no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.

Vorcaro relatou a Moraes como seria a suposta negociação do Banco Master a um grupo de investidores árabes através da Fictor Holding, que, recentemente, pediu recuperação judicial decorrente de prejuízos de imagem por envolvimento com o banco.

A a ssessoria de Vorcaro e Moraes não quiseram se pronunciar. Já à Gazeta do Povo, a assessoria do banqueiro disse que solicitou ao STF a instauração de uma investigação para “apurar a origem dos sucessivos vazamentos de informações sigilosas provenientes dos telefones celulares apreendidos no curso da investigação”.

“A defesa ressalta que o objetivo do pedido não é investigar jornalistas ou terceiros que eventualmente tenham recebido informações, mas apurar quem, tendo o dever legal de custodiar o material sigiloso, pode ter violado esse dever”, completou (veja na íntegra mais abaixo).

O gabinete de Moraes no STF também foi procurado pela reportagem. O espaço segue aberto para manifestações. Na quinta (5), de acordo com a apuração do O Globo, o gabinete de Moraes informou que o magistrado “não recebeu essas mensagens referidas na matéria. Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal”.

Prestação de contas

As conversas entre Vorcaro e Moraes foram recuperadas pela Polícia Federal em um dos aparelhos celulares do banqueiro apreendidos durante a deflagração da operação Compliance Zero, e revelam um modo de comunicação que pretendia dificultar uma eventual investigação. Eles escreviam as perguntas e respostas em um aplicativo de bloco de notas, faziam print da tela e enviavam no formato de visualização única, que apaga o conteúdo após aberto.

Por isso, segundo as apurações, apenas as mensagens que Vorcaro enviou a Moraes puderam ser recuperadas, pois ele as manteve em seu aplicativo. Já as respostas de Moraes não são visíveis.

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Vorcaro e Moraes trocaram mensagens ao longo do dia em que a Polícia Federal preparava a operação que o prendeu à noite no aeroporto. A primeira, às 7h19, mostra o banqueiro revelando ao ministro a pretensão de viajar ao exterior horas depois para assinar a negociação. A Gazeta do Povo reproduz, abaixo, o teor das conversas tal qual foram escritas por Vorcaro.

“Estou tentando antecipar os investidores aqui, e tenho chances de conseguir assinar e anunciar ainda hoje uma parte. E aí eu irei pra lá pra tentar assinatura dos demais investidores estrangeiros”, disse ao ministro relatando, ainda, o início de vazamento da negociação à imprensa. Moraes sinalizou a mensagem com um emoji de “joinha”.

Na mesma conversa, Vorcaro relata um certo pessimismo sobre vazamentos da negociação e de ligação com o processo a que estava respondendo na Justiça e que o levou à prisão: “se vazar algo, será péssimo mas pode ser um gancho pra entrar no circuito do processo. Se tiver alguma novidade vamos falar”, afirmou.

Foi neste dia que o Banco Master anunciou a venda de parte das ações para a Fictor Holding com investidores árabes. Também no mesmo dia, Vorcaro tentou impedir uma ordem de prisão contra ele enviando uma petição à 10ª Vara Federal de Brasília. Há a suspeita de que ele tenha tido acesso ilegal a sistemas da corporação.

Mais tarde, às 17h22, Vorcaro descreve a Moraes a tentativa de antecipar negociações com investidores: “Fiz uma correria aqui pra tentar salvar. Fiz o que deu, vou anunciar parte da transação”, escreveu.

Poucos minutos depois, às 17h26, o banqueiro voltou a questionar o ministro sobre o andamento de medidas que poderiam interferir no caso: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”, anotou em outro print.

Horas mais tarde, às 19h58, ele insistiu novamente a Moraes na busca por informações e repetiu a pergunta: “Alguma novidade?”, escreveu.

Há duas respostas de Moraes, que não puderam ser recuperadas, e então a última comunicação de Vorcaro registrada no celular às 20h48. Ele mencionou movimentações financeiras e negociações com investidores estrangeiros.

“Foi. Seria melhor na sexta junto com os gringos mas foi o que deu pra fazer dentro da situação. Acho que pode inibir. Amanhã começam as batidas do esteves. To indo assinar com os investidores de fora e estou online”, escreveu. Há a suspeita de que “esteves” seja o banqueiro André Esteves, do banco BTG Pactual, que Vorcaro critica em outras mensagens.

“Bloqueio” e “sacanagem”

Em outro registro mais antigo, datado de 30 de outubro de 2025, Vorcaro fez elogios a um interlocutor e mencionou a necessidade de barrar o que chamou de perseguição. “Temos só que bloquear essas sacanagens pq é muita gente querendo que não de certo”, escreveu no bloco de notas.

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“Tudo de importante no final fica no seu colo! Impressionante! Mas seu legado pro brasil sera eterno. Tenho muito orgulho e tenho certeza que cada vez mais se consolidara como a pessoa mais importante do país. Então todo sacrifício pessoal no final valera a pena! Do meu lado, estou vendo chance real de sair ainda mais forte, e poder contribuir tb inclusive c Brasil. Temos só que bloquear essas sacanagem pq é muita gente querendo qie nao de certo, ainda mais agora que estão sentindo que podem nao conseguir”, afirmou em outra mensagem.

Veja abaixo o que disse a defesa de Daniel Vorcaro sobre as novas apurações a partir de mensagens recuperadas pela Polícia Federal:

A defesa de Daniel Vorcaro informa que solicitou ao Supremo Tribunal Federal a instauração de investigação para apurar a origem dos sucessivos vazamentos de informações sigilosas provenientes dos telefones celulares apreendidos no curso da investigação.

O espelhamento dos dados dos aparelhos apreendidos foi entregue à defesa apenas no dia 3 de março de 2026 e o HD foi imediatamente lacrado na presença da autoridade policial, dos advogados e de tabelião, para preservar o sigilo das informações.

Apesar disso, diversas mensagens supostamente extraídas desses aparelhos passaram a ser divulgadas por veículos de imprensa nos últimos dias, mesmo sem que a própria defesa tenha tido acesso ao conteúdo do material. Conversas íntimas, pessoais e que expõem terceiros não envolvidos com os fatos, além de supostos diálogos com autoridades e até o ministro do STF, Alexandre de Moraes, talvez editadas e tiradas de contexto, têm sido divulgadas para os mais diversos órgãos de comunicação.

Diante da gravidade da situação, a defesa requereu que seja instaurado inquérito para identificar a origem dos vazamentos e que a autoridade policial apresente a relação de todas as pessoas que tiveram acesso ao conteúdo dos aparelhos apreendidos.

A defesa ressalta que o objetivo do pedido não é investigar jornalistas ou terceiros que eventualmente tenham recebido informações, mas apurar quem, tendo o dever legal de custodiar o material sigiloso, pode ter violado esse dever.

Espera-se que as autoridades que violaram seu dever funcional de resguardar o sigilo sejam identificadas e responsabilizadas por atos que expõe pessoas sem relação com a investigação, bem como atrapalham os trabalhos de esclarecimento dos fatos.

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  • Gazeta do Povo – Conteúdo
  •  Foto Destaque: Crédito – Márcio Gustavo Vasconcelos / Wikimedia Commons
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Segunda Turma do Supremo avalia prisões ligadas ao caso BRB

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A semana começa com todas as atenções voltadas para a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal, que aprecia as prisões de Paulo Henrique Costa e do advogado Daniel Monteiro a partir de quarta-feira. Especialistas analisam impedimento de ministros

Por Eduarda Esposito* / Brasília – DF

A 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal vai apreciar, a partir de quarta-feira, a decisão do ministro André Mendonça que decretou as prisões preventivas do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e do advogado Daniel Lopes Monteiro. O julgamento será realizado no plenário virtual, e os integrantes do colegiado terão até sexta-feira para apresentar os votos.

Os ministros Gilmar Mendes (presidente), Dias Toffoli, Luiz Fux e Nunes Marques podem apenas seguir ou não o relator, sem publicizar um voto próprio, cenário mais comum nesse tipo de análise. No momento, a maior expectativa é sobre como os ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes se portarão quanto às prisões.

Toffoli se declarou impedido para julgar processos relativos ao Banco Master em março. O ministro tem sido alvo de reportagens após tornar-se pública a relação de sócio oculto da empresa Maridt, que teve negócios com os fundos administrados pela Reag do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Parlamentares chegaram a pedir impeachment e sua saída do caso, uma vez que havia sido sorteado relator do caso Master na Suprema Corte no fim do ano passado e tinha claro conflito de interesse. Depois de muitas especulações e tensões entre os demais integrantes do tribunal, Toffoli deixou a relatoria que passou para o ministro André Mendonça. 

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  • Correio Braziliense – Conteúdo
  • Foto Destaque: Crédito – Ed Alves / CB / DA Press
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