O Caso Master
Master pagou R$ 80,2 milhões a escritório de mulher de Moraes em 22 meses
BRASIL
Contrato firmado entre banco e escritório no início de 2024 previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por três anos
Por Estadão*
O escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, recebeu R$ 80,2 milhões em pagamentos do Banco Master, em 2024 e 2025. As informações foram antecipadas pelo portal G1 e confirmadas pelo Estadão.
Os pagamentos constam na declaração de Imposto de Renda da instituição financeira do banqueiro Daniel Vorcaro, liquidada pelo Banco Central, enviadas à CPI do Crime Organizado, do Senado.
Em nota, o escritório afirmou que “não confirma essas informações incorretas e vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos”.
Os valores declarados confirmam a relação comercial do Master com a mulher de Moraes por meio do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advocacia.
Em dezembro, o jornal O Globo havia revelado que o contrato, firmado no início de 2024, previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por três anos.
Segundo os documentos obtidos pela CPI, o Master fez 22 pagamentos de R$ 3.646.529,72, entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, quando o Banco Central decretou a liquidação do banco.
Moraes e Viviane pegaram ao menos oito voos em aeronaves particulares de uma empresa ligada a Vorcaro entre maio e outubro de 2025.
Documentos da CPI do Crime Organizado, da Aeronáutica e de empresas de táxi aéreo, obtidos pelo Estadão, indicam que Moraes viajou de Brasília para São Paulo em agosto de 2025 em um avião de empresa da qual Vorcaro era sócio.
No dia seguinte à viagem, ele teria se reunido com o banqueiro, segundo mensagem de Vorcaro enviada a então namorada, Martha Graeff, na ocasião.
Em nota divulgada na semana passada, o escritório de Viviane Barci afirmou que “contrata diversos serviços de taxi aéreo, e que entre os que já foram em algum momento contratados está o da empresa Prime Aviation”. Disse também que “todos os valores eram pagos compensando os honorários advocatícios nos termos contratuais”.
Por nota, o gabinete do ministro afirmou que ele “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece”. O texto, contudo, não fez comentários sobre voos em aeronaves que pertencem à empresa que era de Vorcaro. A equipe do ministro não se manifestou sobre o voo no dia anterior a uma reunião com o dono do Master.
Desde que Moraes passou a integrar a mais alta instância do Poder Judiciário, em março de 2017, o ministro e a mulher tiveram aumento de 266% do patrimônio imobiliário, como mostrou o Estadão.
Hoje, o casal possui 17 imóveis, avaliados em R$ 31,5 milhões. Nos últimos cinco anos, o casal desembolsou R$ 23,4 milhões na compra de imóveis em Brasília e em São Paulo, todos eles à vista.
As informações se baseiam nos contratos de compra de imóveis registrados em cartório, obtidos pelo Estadão. Esse valor leva em conta os preços nominais pagos pelo casal na aquisição de casas, terrenos, apartamentos e salas comerciais de que são proprietários hoje.
Moraes e Viviane foram procurados por meio de suas assessorias de imprensa para se manifestarem sobre essas informações, mas não responderam.
- Jornal Estado de São Paulo – Conteúdo
- Foto Destaque: Créditos – Rovena Rosa / Agência Brasil e Antônio Augusto / TSE
BRASIL
Governo troca membros da CPI para barrar relatório que pede impeachment de ministros do STF e do PGR
Brasília – DF
Os governistas conseguiram mudar parte dos integrantes do colegiado. Saíram três senadores que votariam a favor do documento e entraram no lugar deles outros três parlamentares orientados a dar voto contrário.
A mobilização atendeu a uma pressão de integrantes do STF que acabaram como os principais alvos do relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Prevista para a manhã desta terça, a reunião convocada para apresentação e votação do relatório chegou a ser adiada para esta tarde.
A CPI tem 11 senadores titulares, dos quais dez votam, e sete suplentes. Com as mudanças, o placar previsto é de quatro votos favoráveis ao texto de Alessandro Vieira e seis contrários.
Saíram: Sérgio Moro (PL-PR), Wellington Fagundes (PL-MT), Jorge Kajuru (PSB-GO) e Marcos do Val (Avante-ES). Moro, Kajuru e Do Val eram titulares e votariam a favor do relatório.
Entraram: Beto Faro (PT-PA), Marcos Rogério (PL-RO), Soraya Thronicke (PSB-MS) e Teresa Leitão (PT-PE). Os dois petistas e Soraya se tornaram titulares e vão votar contra o texto de Alessandro Vieira.
As substituições se deram a partir de pressão do governo sobre os líderes dos blocos partidários que indicam os membros da CPI.
No caso de Sérgio Moro, por exemplo, ele fazia parte do bloco Parlamentar Democracia quando era filiado ao União Brasil. Como migrou ao PL para disputar a eleição a governador do Paraná, a liderança do bloco, composto por MDB, PSDB, Podemos e União, aproveitou para retirá-lo hoje, e com isso Moro perdeu o assento na CPI.
O líder do bloco era Efraim Filho (União-PB), que também migrou para o PL. A determinação da troca se deu por meio de Eduardo Braga (MDB-AM), aliado do governo e líder do MDB no Senado, o maior partido do bloco.
O PSB e o PSD formam o bloco Resistência Democrática, liderado pela senadora Eliziane Gama (PSD-MA), aliada do governo. Soraya é governista e a entrada dela no lugar de Kajuru garante um voto a mais conforme os interesses do Palácio do Planalto.
O pedido de indiciamento contra ministros do STF é inédito na história das CPIs do Congresso. Como mostrou o Estadão, os integrantes da Suprema Corte apostam em providências do governo para barrar o desgaste.
Ao mesmo tempo, eles usaram as redes sociais para dar recados. Publicamente, ministros criticaram a “cortina de fumaça”, a “falta de foco” e o “abuso de poder” da CPI.
Gilmar Mendes afirmou, nas redes sociais, que o relatório foi elaborado para gerar “dividendos eleitorais” com ataques ao tribunal. Flávio Dino disse que seus colegas de toga foram “alvo de injustiças”.
Novo ministro diz que relatório é ‘absurdo’
O novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, afirmou, no dia em que tomou posse no Palácio do Planalto, que o relatório é “um absurdo” e “não serve ao País”.
“É um absurdo, na minha opinião, uma CPI terminar sem incriminar ninguém e pedir investigação de ministros, pedir punição e indiciamento de ministros, mais um PGR. Isso não pode. Se é para apurar tudo, que apure tudo. Não pode ser uma CPI contra o Supremo”, disse, antes de completar: “Nossa expectativa é derrotar o relatório do relator, porque ele não serve ao País”.
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- Matéria do Estadão – Conteúdo
- Foto Destaque: Crédito – Edilson Rodrigues
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