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Primeiro avião para quatro pessoas produzido no Norte do ES é entregue a comprador

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Economia

Por Murilo Cuzzuol*

O dia 9 de fevereiro de 2026 entrou para a história da aviação capixaba. Pela primeira vez, uma aeronave para até quatro pessoas produzida no Espírito Santo foi entregue a um comprador.

O modelo é o Sling TSi, fabricado pela TAF Brasil, cuja sede fica às margens da BR-101, em Jaguaré, no Norte do Estado. A cerimônia de entrega foi realizada na segunda-feira (9), na própria empresa, de onde o comprador retirou a primeira unidade produzida.

Longa espera por certificação

A entrega só foi possível após um longo processo de certificação. Em janeiro deste ano, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) reconheceu o modelo como Aeronave Leve Esportiva (ALE) Especial.

Segundo o CEO da TAF Brasil, José Bráz, a cerimônia representa um marco importante para os planos de expansão da produção.
“A aeronave está certificada pela Anac, o que nos permite iniciar oficialmente o processo de entregas. Levamos cerca de dois anos e meio para obter a certificação. A partir de agora, as entregas ocorrerão de forma gradativa: além desta já realizada, estão previstas mais duas ainda neste mês e outras duas em março”, afirmou.

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O reconhecimento do Sling TSi como ALE Especial também foi possível após a atualização da regulamentação da categoria ALE no Brasil, em julho de 2022. A mudança passou a permitir aeronaves com até quatro assentos (um piloto e três passageiros) e peso máximo de decolagem de até 1.361 kg, seguindo normas consensuais internacionais desenvolvidas pela ASTM International.

Sling-TSI, primeiro avião leve para quatro pessoas produzido no Espírito Santo

De acordo com a Anac, a nova regulamentação aproxima o país de padrões internacionais, reduz custos de aprovação de novos projetos e mantém níveis adequados de segurança.

A empresa, de origem sul-africana, já possui encomendas de compradores de São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais e também do Espírito Santo. Atualmente, cinco aeronaves estão em linha de produção. Ao todo, já foram comercializados 12 aviões leves, com previsão de entrega integral ainda no primeiro semestre deste ano.

A planta de Jaguaré tem capacidade de produzir até 24 aeronaves por ano, considerando todos os modelos disponíveis.

Matrícula simbólica

A matrícula da aeronave, PS-TSI, foi escolhida de forma simbólica para marcar a primeira entrega, fazendo referência direta ao modelo.

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Segundo o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), o avião pode decolar com peso máximo de 950 kg.

A fabricante informa que o Sling TSi transporta até 450 kg de carga útil e consome cerca de 28 litros de combustível por hora, garantindo autonomia aproximada de oito horas de voo.

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  • A Gazeta – Conteúdo
  • Foto Destaque: Divulgação / TAF Brasil
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Economia

Nascida com investimento de R$ 360, Borana quer faturar R$ 32 milhões em 2026

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Marca beachwear de São Mateus ganhou mercado externo, cinco lojas físicas e 150 funcionários partindo de um investimento inicial de R$ 360

Por João Flávio Figueiredo* | Vitória – ES

A marca de beachwear Borana, fundada em São Mateus, no norte do Espírito Santo, projeta faturamento superior a R$ 32 milhões em 2026. No ano passado, a empresa registrou R$ 28 milhões em receita com uma produção anual em torno de 360 mil peças. A marca conta com uma fábrica, cinco lojas físicas no Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo e emprega 150 pessoas.

O número é resultado de uma jornada forjada na escassez, com capital próprio e sem investidor externo. Em 2010, a família começou a produzir biquínis sob medida para a filha, que estudava em Vitória. 

Empresário Jorge Aguiar recebeu a medalha Mérito Empreendedor, honraria da Findes / Foto: Divulgação

“O produto circulou entre amigas, os pedidos cresceram e, em seis meses, a marca começou a receber um volume relevante de encomendas. Eu tocava flauta na noite para fazer renda e juntei R$ 360 para comprar alguns metros de tecido”, lembra Jorge Aguiar, sócio-fundador da Borana.

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A empresa tocada pela família Aguiar. O criativo fica a cargo de Patiara, filha do casal Inânia, esposa de Jorge, cuida da produção. Moreno, o filho, completa o quadro societário.

O salto de visibilidade veio em 2016, quando a Borana foi selecionada para participar de um desfile do São Paulo Fashion Week. A marca ganhou o desfile solo na semana de moda de Macau e ganhou popularidade ao ter uma peça usada pela cantora Anitta em 2020.

Hoje, 70% da produção é realizada na fábrica própria em São Mateus, que emprega 108 funcionários. Os 30% restantes são distribuídos por uma rede de aproximadamente 50 costureiras independentes que trabalham de casa, concentradas principalmente na Grande Vitória.

No exterior, a Borana exporta para a Europa, Estados Unidos, América Latina e Ásia. O mercado externo representa, na média, 10% do faturamento, mas Aguiar considera a presença internacional estratégica para o posicionamento da marca no Brasil. 

“Quando você fala que está exportando para esses países, valoriza o produto internamente”, afirmou. “Mas sempre valorizamos a nossa origem em vez de buscar as tendências estrangeiras. Tornamos o produto local uma referência no Brasil e no mundo”.

Para sustentar o crescimento, a Borana fez recentemente um investimento de R$ 1,3 milhão em uma sala de corte automatizada. A aquisição busca aumentar a velocidade e a precisão do processo de corte, que antes era feito manualmente. 

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O próximo passo em análise é a adoção de um modelo de franquias, embora Aguiar considere que a empresa ainda precisa aumentar a produtividade para adotar esse modelo.

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  • O autor assina a coluna Folha Business – Conteúdo
  • Foto destaque: Divulgação / Borana
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