CIDADES
Parque Moscoso: o refúgio verde no coração de Vitória mudou a história de um pântano insalubre
CIDADES
Por Edlamara Conti* – Vitória / ES
Quem vê o Parque Moscoso todo iluminado para o “Natal de Encantos”, recebendo milhares de visitantes com muita alegria, música e cores, nem imagina que esse refúgio verde no coração de Vitória era, até o final do século XIX, um pântano insalubre, responsável por espalhar doenças como febre amarela e malária, conhecido como Campinho, Lapa do Mangal ou Mangal do Campinho.

Entre avenidas de trânsito intenso, o parque é um refúgio verde / Foto da década de 1970.
Inaugurado em 1912, o Parque Moscoso ganhou novas formas ao longo dos anos, com com suas árvores centenárias e jardins floridos, recebeu gradis, se viu cercado pelo trânsito intenso, passou por reformulações, e permanece na memória afetiva dos moradores por ser essa área de lazer e contemplação para onde convergiram várias gerações. Por tudo isso, vale a pena relembrar sua história.
Dos alagados ao jardim
A região do Campinho era sujeita ao movimento das marés. Nas cheias, a Rua da Lapa, atual Thiers Velloso, ficava alagada, impedindo o acesso à Santa Casa e a Santo Antônio, por exemplo. Por outro lado, nas baixas, restava a lama, a água estagnada e restos orgânicos, “fontes de exalações pútridas”, como descreviam os relatórios oficiais. Nesses documentos, o Campinho é tratado como problema sanitário.
A partir de 1848, vários governos aterraram partes da área. Em 1872, o presidente da Província, do Espírito Santo (Província, no período imperial, passou a chamar-se Estado, na República), Francisco Ferreira Corrêa, apontou o potencial do lugar para a instalação de um passeio público. O aterro total seria uma medida para melhorar as condições de saúde pública, uma vez que o Serviço de Saneamento descrevia o local como responsável por espalhar doenças como febre amarela e malária:
“D’esses focos de emanações pútridas e palustres era o mais importante em nossa capital o denominado Mangal do Campinho…”
Já na era republicana, num tempo em que os ideais de progresso e modernidade se espalhavam pelas capitais brasileiras, a região do Campinho ganhou um novo nome, Vila Moscoso, em homenagem ao presidente da Província, Henrique de Ataíde Lobo Moscoso (1888-1889). O terreno poderia ser loteado e a venda dos lotes reverteria em recursos financeiros para o governo. Em 1895, nas gestão de Moniz Freire, foi elaborado um plano de arruamento para a área. Poucos anos mais tarde, a nova Vila começou a surgir.
Um parque de inspiração francesa

Alameda principal do Parque Moscoso, recém-inaugurado 1912 (Arquivo Público Municipal)
Quando o governador Jerônimo Monteiro (1908-1912) iniciou seu programa de modernização urbana – que incluiu o abastecimento de água, sistema de esgoto, iluminação elétrica e implantação dos bondes elétricos -, ele decidiu pela construção do jardim público na Vila Moscoso, como parte de um projeto de embelezamento da cidade.
Para projetar e executar as obras, em 1910, foi contratado o paisagista Paulo Rodrigues da Motta Teixeira. Paulo Motta se inspirou nas ideias de Joseph-Antoine Bouvard, diretor dos serviços de arquitetura, passeios e vias públicas de Paris, e incorporou traços do ecletismo e do art nouveau em seu projeto.
As obras duraram cerca de 15 meses e custaram 22:620$000 (Vinte e dois contos, seiscentos e vinte mil réis), na moeda da época. Assim nasceu, em 1912, o Parque da Vila Moscoso, com cerca de 24 mil metros quadrados, com alamedas ajardinadas, lagos artificiais, fontes e canteiros.
A presença popular na inauguração foi massiva e entusiasta. Sobre a pedra fundamental, ergueu-se um monumento em homenagem a Henrique Moscoso. A “Praça Moscoso” instaurou um código de conduta diferente dos demais espaços populares. Era o lugar da distinção social, pautada pela pompa nas vestimentas, pela elegância gestual.
A visão do paisagista Paulo Motta

Do pântano insalubre ao local de passeio e de encontro das famílias elegantes (Arquivo Público Municipal)
O jardim não possuía muros nem gradis e suas alamedas amplas e passeios floridos se integravam à dinâmica de circulação dos moradores da cidade. Os pedestres eram convidados a cortar caminho pela alameda no sentido norte-sul (Alameda Paulo Motta, onde atualmente fica o portão da Avenida Cleto Nunes) ou, na diagonal (Alameda Central, onde estão os portões laterais), para o acesso à Vila Rubim.

Já no interior do parque, os percursos sinuosos conduziam os visitantes a recantos com coreto, fonte, orquidário (extinto), lago e ruínas, longos espaços gramados e bancos para descanso e contemplação. O Termo de Contrato firmado entre o Governo do Estado e Paulo Motta previa o lago de 2.330 m², com duas ilhas artificiais e dois repuxos artísticos, três pontes imitando madeira rústica, uma fonte luminosa, além de ruínas com escadarias e corrimões decorativos.
O contrato ainda previa 19 figuras ornamentais importadas de Hamburgo. A imprensa da época elogiou a beleza do coreto de ferro, capaz de abrigar 60 músicos, o orquidário e as fontes ornamentais, um recurso típico do paisagismo francês. Uma delas, em ferro fundido, com figuras femininas e infantis entre flores, ficou conhecida como Fonte Jeronymo Monteiro. Postes metálicos ornamentais iluminaram as alamedas e canteiros.
Bouvard influenciou muitos paisagistas brasileiros nesta mesma época. Em Vitória, Paulo Motta encontrou uma oportunidade de combinar paisagismo, circulação viária e o aproveitamento da área de várzea. O mangal insalubre convertido em engenharia, arte e contemplação.
Cenário de uma nova vida social

O parque simbolizava o ingresso de Vitória na era moderna, higiênica e civilizada. A população passou a frequentar o novo jardim com suas melhores roupas e modos. Passear no Parque Moscoso, no início do século XX, era um gesto de elegância. As “famílias de fino trato” passeavam ali, reforçando o ideal de respeitabilidade e distinção que marcava a vida urbana de Vitória.
O footing — caminhar sem pressa pelas alamedas, conversar, observar e ser observado — tornou-se um dos hábitos preferidos. O parque, com sua iluminação profusa, era cenário de conversas, namoros discretos e momentos de introspecção.
Havia também piqueniques e festas ao ar livre nas ilhas do lago, além de apresentações de bandas e fanfarrias militares que animavam os domingos. O parque recebia missas campais e festas cívicas. Há registros na imprensa da época de lançamento de balões festivos, sob a coordenação de Paulo Motta.
Bairro classe A

Na primeira década do século XX, antes mesmo da inauguração do parque, o entorno começou a atrair moradores de maior poder aquisitivo. Ainda há casas remanescentes desta época nos arredores e, entre elas, uma das mais icônicas é a Vila Oscarina, a primeira da cidade a ter luz elétrica e telefone.
Com a fachada principal voltada para a Rua 23 de Maio e a varanda com vista para o Parque Moscoso, a residência foi escolhida para hospedar, em 1921, o candidato a presidente do Brasil Nilo Peçanha. Construída em estilo eclético e características de chalé, a Vila Oscarina é identificada como de Interesse para Preservação pela Lei 3158 de 1984, no Grau de Proteção Secundária (GP2).
Um relato oficial de 1912 celebra o local beneficiado pelas alterações na paisagem:
“O enorme lodaçal foi aterrado. Ao centro, o dr. Jeronymo Monteiro fez construir um amplo jardim para recreio do público e em torno mandou levantar construções elegantes. Esse trecho da Victoria é actualmente um encanto”.
Também estão presentes nos arredores casas mais simples, cujas construções foram subsidiadas pelo Estado, destinadas a funcionários públicos.
Transformações ao longo do tempo
O Parque Moscoso conservou-se como na inauguração até 1952, quando, no governo de Jones dos Santos Neves, passou pela primeira grande intervenção e foram construídas a Concha Acústica e a escolinha infantil Ernestina Pessoa – esta, com acesso independente. Esses dois equipamentos, atualmente, são os únicos exemplares da arquitetura moderna tombados no Estado.
Na década de 1970, já na gestão municipal de Crisógono Teixeira da Cruz, pequenas edificações foram acrescentadas e o parque ganhou muros e grades de proteção. Ao longo dos anos, houve alterações de maior e de menor impacto, até que, em 2001, a Prefeitura de Vitória decidiu resgatar o ambiente original e valorizar os aspectos históricos e paisagísticos. Desde então, as manutenções e intervenções necessárias são realizadas respeitando a concepção inicial de Paulo Motta
Fontes:
. Documentos e fotografias do Arquivo Público Municipal
. NEMER, Luciana. Passos da Ilha. Editora Milfontes. Vitória, 2020
. BELLINI, Anna Karine de Q. C.. Espaços públicos abertos e o usufruto da paisagem: 1860 a 1916. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e
Urbanismo do Centro de Artes da Universidade Federal do Espírito Santo, como
requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Arquitetura e Urbanismo. Vitória, 2014
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* Prefeitura de Vitória / Comunicação – Conteúdo
* Foto/Destaque: Crédito – Marcos Salles / PMV
CIDADES
Parque Moscoso celebra 114 anos com programação especial em Vitória
Por Michelle Moretti* | Vitória – ES
História, memória afetiva, cultura, diversão e natureza. O Parque Moscoso, o mais antigo de Vitória, celebra seus 114 anos com uma programação especial preparada para reunir famílias, estudantes e visitantes em três dias de atividades gratuitas no coração da Capital.
Símbolo histórico e afetivo da cidade, o parque segue atravessando gerações e acumulando histórias desde sua inauguração, em 1912. Ao longo de mais de um século, o espaço se consolidou como cenário de encontros, brincadeiras de infância, manifestações culturais e momentos marcantes na vida de milhares de capixabas.
A comemoração dos 114 anos acontece entre os dias 19 e 21 de maio, com atrações culturais, apresentações musicais, teatro, contação de histórias, atividades educativas, brincadeiras, exposições e ações de saúde e lazer espalhadas por todo o parque.
“O Parque Moscoso é muito mais do que o parque mais antigo de Vitória é um símbolo vivo da nossa história e do compromisso da nossa gestão com a preservação ambiental e o bem-estar da população. Estamos trabalhando com dedicação para garantir que esse espaço continue sendo um refúgio verde no coração da cidade, com água de qualidade, áreas cuidadas e programação que une cultura, lazer e consciência ambiental. Celebrar 114 anos é reafirmar nosso compromisso com a memória da cidade e com um futuro mais sustentável para todos os capixabas”, destacou Anderson Barbosa, Secretário Municipal de Meio Ambiente.
A tradicional Concha Acústica receberá apresentações da Banda da Guarda Municipal, shows pocket do grupo Macakids, teatro de bonecos da Companhia Tio Diu, apresentações culturais da FAFI, Banda de Congo Juventude de São Pedro, coral infantojuvenil, além de contação de histórias com Rodrigo Campaneli e a atividade “Um Parque, Muitas Histórias”, com Passarim.
A programação também foi pensada para despertar a memória afetiva dos visitantes e aproximar ainda mais a população da história do parque. Entre as atrações estão a exposição “O Parque e suas Imagens”, com registros históricos e contemporâneos do espaço, a “Trilha das Memórias”, que espalha QR Codes pelo parque com curiosidades e fatos históricos, além do “Flashback Moscoso” e do tradicional “Lembre-Lembre”, onde os visitantes poderão levar para casa fotografias inspiradas nos antigos retratos de praça.
Para as crianças, a festa contará com brinquedos infláveis, pipoca, picolé, jogos educativos, desafios esportivos, teatro, personagens vivos e atrações interativas ao longo de toda a programação.
As ações de educação ambiental e científica também terão destaque na celebração. O público poderá participar de atividades sobre preservação ambiental, conhecer mais sobre as baleias jubarte e as tartarugas marinhas, visitar exposições educativas, experiências com óculos de realidade virtual e ações sobre abelhas sem ferrão, arboviroses e conservação da natureza.
Além das atrações culturais e educativas, a programação contará com vacinação contra gripe, testes rápidos de IST’s, orientações sobre saúde bucal, atividades físicas, alongamento, orientação sobre IMC e ações de promoção à saúde e qualidade de vida.
Mais do que um espaço verde em meio ao Centro de Vitória, o Parque Moscoso representa parte importante da identidade da cidade. Com árvores centenárias, coreto, alamedas e cenários que atravessam o tempo, o parque permanece como um dos lugares mais tradicionais e queridos pelos moradores da Capital.
A celebração dos 114 anos reforça justamente esse papel: preservar a memória da cidade enquanto cria novas histórias para as próximas gerações.
Programação
Terça-feira (19)
Concha Acústica
– Manhã
8h: Banda da Guarda
8h40: Teatro de Bonecos (Cia Tio Diu)
9h10: Aventuras Circenses (Turma do Dr. Unimed)
9h40: Parabéns comemorativo e show pocket do MACAKIDS
– Tarde
13h40: Apresentação de teatro
14h20: Aventuras Circenses (Turma do Dr. Unimed)
15h: Parabéns comemorativo e show pocket do MACAKIDS
15h30: Prática de cordas (Projeto Música e Artes)
Atividades no parque
– Manhã
7h às 7h40: Ginástica
8h às 11h30:
Brinquedos infláveis, pipoca, algodão-doce e picolé
Jogo da Memória Gigante
Exposição “O Parque e suas imagens”
Trilha das Memórias
Vacinação contra gripe e orientações de saúde bucal
Exposição de maquete e orientação sobre arboviroses e atividade educativas
Óculos virtual
Jogo da Memória detetives da Baleia
Exposição científica
Guarda Cidadã
Atividades Educativas e Interativas
Atividades Recreativas de Esporte
8h às 12h: Ações de educação ambiental
8h às 11h: Orientação ao exercício e cálculo de IMC
– Tarde
13h30 às 16h30
Brinquedos infláveis, pipoca, algodão-doce e picolé
Jogo da Memória Gigante
Exposição “O Parque e suas imagens”
Trilha das Memórias
Vacinação contra gripe e orientações de saúde bucal
Exposição de maquete e orientação sobre arboviroses e atividade educativas
Óculos virtual
Jogo da Memória detetives da Baleia
Exposição científica
Guarda Cidadã
Atividades Educativas e Interativas
Atividades Recreativas de Esporte
Quarta-feira (20)
Concha Acústica
– Manhã
8h: Banda da Guarda
8h40: Viagem pela Literatura: Contação de Histórias Mágicas com Rodrigo Campaneli
09h20: Apresentação – Show Pocket do MACAKIDS
10h: Parabéns comemorativo
10h10: Apresentação de Teatro de Bonecos da CIA Tio Diu
– Tarde
13h30: “Um Parque, Muitas Histórias” com Passarim
14h20: Banda de Congo Juventude de São Pedro
14h40: Viagem pela Literatura: Contação de Histórias Mágicas com Rodrigo Campaneli
15h10: Parabéns comemorativo
15h10: Show pocket do MACAKIDS
15h40: Camerata de Violão e Coro Infantojuvenil
Atividades no parque
– Manhã
7h às 7h40: Ginástica
8h às 11h30:
Brinquedos infláveis, pipoca, algodão-doce e picolé
Jogo da Memória Gigante
Exposição “O Parque e suas imagens”
Trilha das Memórias
Vacinação contra gripe
Guarda Cidadã
Testes rápidos de ISTs (HIV, sífilis, hepatites B e C)
Óculos virtual e
Exposição científica
Atividades Educativas e Interativas
Exposição de maquete e orientação sobre arboviroses e atividade educativas
Atividades Recreativas de Esporte
8h às 11h: Orientação ao exercício e IMC
– Tarde
13h30 às 16h30:
Atividades recreativas
Exposições e ações educativas
Atividades esportivas e interativas
Quinta-feira (21)
Concha Acústica
– Manhã
8h: Banda da Guarda
8h40: Apresentação cultural 60+ (FAFI)
8h50: Teatro de Bonecos (Cia Tio Diu)
9h30: Parabéns comemorativo e show pocket do MACAKIDS
10h: Prática de banda (Projeto Música e Artes)
– Tarde
13h30: “Um Parque, Muitas Histórias” com Passarim
14h20: Prática de banda (Projeto Música e Artes)
15h: Parabéns comemorativo
15h10: Show pocket do MACAKIDS
15h20: Teatro de Bonecos (Cia Tio Diu)
Atividades no parque
– Manhã
7h às 7h40: Alongamento
8h às 11h30:
Brinquedos infláveis, pipoca, algodão-doce e picolé
Jogo da Memória Gigante
Exposição “O Parque e suas imagens”
Trilha das Memórias
Orientações de saúde bucal
Guarda Cidadã
Óculos virtual
Exposição científica
Atividades Educativas e Interativas
Atividades Recreativas de Esporte
8h às 11h: Orientação ao exercício e IMC
– Tarde
13h30 às 16h30:
Brinquedos infláveis, pipoca, algodão-doce e picolé
Jogo da Memória Gigante
Exposição “O Parque e suas imagens”
Trilha das Memórias
Orientações de saúde bucal
Guarda Cidadã
Óculos virtual
Exposição científica
Atividades Educativas e Interativas
Atividades Recreativas de Esporte
Serviço:
Comemoração dos 114 anos do Parque Moscoso
Quando:
Terça-feira (19) das 7h40 às 12h.
Quarta-feira (20), das 7h às 16h30.
Quinta -feira (21), das 7h às 16h30.
Local: Parque Moscoso – Avenida Cleto Nunes, 242 – Centro – Vitória Entrada gratuita.
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- Prefeitura de Vitória / Comunicação – Conteúdo
- Foto destaque: Crédito – Elizabeth Nader
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