Polêmica Histórica
Renomados estudiosos afirmam que a comunidade Espírito Santo nunca foi um quilombo
CULTURA & ENTRETENIMENTO
São Mateus / ES
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O que é Quilombo?
A palavra quilombo é originária do idioma africano quimbunco, que significa: sociedade formada por jovens guerreiros que pertenciam a um grupo étnico desenraizado de suas comunidades.
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A comunidade Divino Espírito Santo fica em São Mateus e tem sido rotulada equivocadamente como um antigo quilombo. Nesta semana até estão promovendo festas com grande divulgação na mídia local, como festa no quilombo Divino Espírito Santo, om cavalgada e outras atrações.
Para o escritor Maciel de Aguiar, estudioso das questões relacionadas à escravidão, inclusive com coletâneas publicadas sobre a presença dos negros na região Norte, é um equívoco dizer que a Comunidade Espírito Santo foi um quilombo. Em sua explicação, De Aguiar faz uma explanação de quem tem o conhecimento histórico dessa situação:
“ A colonização do Rio Preto, hoje conhecida como Comunidade Espírito Santo, surgiu em 1901, pela interferência de D. João Batista Corrêa Nery, primeiro Bispo do Espírito Santo, após sua pastoral a São Mateus. Ele separou os negros que praticavam a Cabula dos que aceitavam a liturgia da Igreja. Então, essa colonização é resultado de uma separação religiosa”.
Em um vídeo feito algum tempo atrás, a professora e hoje secretária municipal de Educação, Marília Silveira, fala do quilombo da Comunidade Divino Espírito Santo como um local de resistência contra a escravidão e repressão oficial da época. Essa afirmação também é contestada pelo historiador Eliezer Nardoto, que esclarece que a comunidade se reunião anos atrás e assentiu que ali nunca fora um quilombo. Acontece que um grupo ligado à esquerda, mais precisamente ao PT, incluiu a Comunidade Espírito Santo como quilombo junto aos órgãos governamentais para que pudesse receber os benefícios dados as populações que sofreram injustiças históricas, como se fosse uma maneira inicial de reparação de um passado em que essas populações foram aviltadas pelo sistema escravocrata.
Segundo a Fundação Cultural Palmares, responsável por emitir a certificação de território quilombola no Brasil, existem no País 3.447 grupos, sendo que 56 deles estão no Espírito Santo. Das 56 comunidades quilombolas no Estado, algumas do início do século XIX e algumas de meados do século XIX.
Como fortalecimento da causa quilombola, foi criada, em 1999, a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), cujos objetivos ficaram definidos em seus estatuto que são lutar pela garantia de uso coletivo do território; pela implantação de políticas públicas levando em consideração a organização das comunidades de quilombo; por educação de qualidade e coerente com o modo de viver nos quilombos; o protagonismo e autonomia das mulheres quilombolas; pela permanência do jovem no quilombo e acima de tudo pelo uso comum do território, dos recursos naturais e pela harmonia com o meio ambiente.
Para essas entidades, a Comunidade Divino Espírito Santo foi cadastrada como quilombo, o que, para os estudiosos da história do município de São Mateus, é um equívoco histórico, que não se sustenta quando se analisa documentos da época.
• Com informações de fontes históricas e estudiosos da História de São Mateus / Foto: Reprodução
CULTURA & ENTRETENIMENTO
Pela primeira vez em 47 anos, Festa da Polenta é cancelada em Venda Nova do Imigrante
O anúncio foi feito pela Associação Festa da Polenta (Afepol), responsável pela organização do evento
Por Maria Clara Leitão*
Pela primeira vez desde a criação, em 1979, a tradicional Festa da Polenta foi cancelada em Venda Nova do Imigrante. O anúncio foi feito pela Associação Festa da Polenta (Afepol), responsável da organização do evento, que é considerado um dos maiores símbolos da cultura italiana no Espírito Santo.
A Festa da Polenta é realizada todos os anos no Centro de Eventos Padre Cleto Caliman, o “Polentão”. No entanto, o local passa por obras de infraestrutura, atualmente, e, por este motivo, o evento deste ano precisou ser cancelado.
Segundo o presidente da Associação Festa da Polenta (Afepol),Tarcísio Caliman, apesar da obra principal estar em andamento sem atrasos, a estrutura necessária para a realização da festa vai além da nova cobertura do espaço.
“É uma obra grandiosa e não há atrasos, mas tem toda uma infraestrutura que precisa ser preparada para oferecer ao turista uma festa como sempre fizemos. É uma festa grande, que envolve muita gente. Ela tem a alma do vendanovense. Então, oferecer algo que não estivesse à altura da festa, a gente preferiu não fazer neste ano”. Tarcísio Caliman, presidente da Associação Festa da Polenta (Afepol)
Mesmo com previsão de conclusão da estrutura principal até agosto, a Afepol avaliou que o local não teria condições adequadas para receber o público com segurança e conforto durante os dois fins de semana previstos para outubro.
Além disso, também foi ressaltado que a decisão não partiu apenas da diretoria da associação, mas também do conselho formado por dezenas de integrantes da comunidade.
“No ano passado foram quase 1.800 voluntários. Temos 85 coordenadores de equipes que fazem a festa acontecer. Achamos melhor cancelar neste ano para, no próximo, inaugurar o Polentão da maneira que ele merece, com muita grandiosidade”. Pontuou Tarcísio Caliman.
Cancelamento deve afetar setores de Venda Nova
Será a primeira vez, desde a criação da Festa da Polenta, que o evento não será realizado presencialmente. Nem mesmo na pandemia de Covid-19 a tradição foi interrompida, já que, em 2020 e 2021, a programação aconteceu em formatos adaptados.
O cancelamento também deve impactar hotéis, restaurantes, comércio e o setor turístico da cidade serrana. Apesar disso, Tarcísio acredita que o momento também pode servir para mobilizar ainda mais a população e os empresários locais em torno da festa.
“A Festa da Polenta não pertence só à diretoria ou aos voluntários. Ela pertence ao comércio, à hotelaria, ao turismo e a toda a cidade. Todo mundo sente quando ela não acontece”, disse Tarcísio Caliman, presidente da Associação Festa da Polenta (Afepol)
O presidente garantiu que a expectativa é realizar uma edição ainda maior no ano de 2027. “Vamos trabalhar com muito carinho para que a próxima edição seja uma festa à altura de Venda Nova e dos turistas que vêm participar conosco”, disse Caliman.
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- Folha Vitória – Conteúdo
- Foto destaque: Reprodução / Internet
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