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Segurança

Municípios capixabas preocupados com o avanço do tráfico de drogas

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SEGURANÇA

Comissão de Segurança e Combate ao Crime Organizado promoveu debate com representantes dos municípios, em audiência pública

A falta de efetivo e de diálogo explica as diversas preocupações e alertas da população, das polícias e dos agentes políticos de Santa Teresa, Santa Leopoldina, Itaguaçu, Santa Maria de Jetibá e São Roque do Canaã, que foram colocadas durante a realização de audiência pública sobre segurança, realizada no último dia 14, nas dependências da Câmara Municipal de Santa Teresa. O tema foi debatido durante a 10ª audiência pública deste ano da Comissão de Segurança e Combate ao Crime Organizado da Assembleia Legislativa (Ales), cujo presidente é o deputado Danilo Bahiense.

Apesar da diminuição de crimes contra o patrimônio, o que vem preocupando a comunidade é o avanço das drogas e o aumento de golpes e fraudes com uso de tecnologias. Outro número que preocupa é o de crimes ambientais, objeto da maioria dos processos no Fórum de Santa Teresa. Somado a isso, o deputado Bahiense apresentou três questões de impacto: a superlotação de presídios, o baixo número de servidores e o “novo cangaço”. 

Questionamentos da Polícia Militar

À frente da 8ª Companhia Independente da Polícia Militar, o major Sonimarcos Zucolotto disse que a Cia conta apenas com 110 policiais. Segundo ele, qualquer denúncia feita após as 16 horas deve ser levada até Aracruz, desfalcando o efetivo por longos períodos.

O major cobrou delegacias 24 horas na região e “recomposição de servidores” que possibilite ampliar o patrulhamento rural. Zucolotto ainda pontuou que o nível de homicídios nessas cidades pode sair do controle em razão do avanço do tráfico de drogas. “Nós temos um fato novo que é a morte por causa do tráfico de drogas. Nós temos de trabalhar pra que ela não prevaleça”, afirmou. 

“Eu me recordo que, no ano de 2008, nós fizemos uma apreensão aqui em Santa Teresa de 30 papelotes de cocaína, foi uma grande apreensão. Hoje 30 papelotes a gente pega aqui na mão, em uma abordagem de rotina”, exemplificou o PM.
Já o superintendente de Polícia Regional Serrana, delegado Paulo Rogério de Souza, destacou que a média anual de homicídios na região fica entre 50 e 65 “há 20, 30 anos”. “Nós temos de trabalhar pra essa meta baixar, porque uma vida é bem maior, e nós não podemos permitir, e além de não poder perder vidas, nós precisamos também de tranquilidade, porque outros crimes estão se desenvolvendo e eles exigem muito na parte tecnológica”, frisou.

Zucolotto apresentou alguns números de 2023 sobre trabalho da PM da 8ª Companhia. Foram três veículos recuperados e o policial acredita em aumento da capacidade com a intensificação de sistemas de videomonitoramento. Neste ano já foram apreendidas 42 armas de fogo, sendo 4 submetralhadoras. Foram registrados também mais casos de violência doméstica, o que pode representar queda da subnotificação, devido à efetividade de ações do poder público.

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Polícia Civil questiona

O delegado Leandro Barbosa Morais, responsável pela unidade da Polícia Civil em Santa Teresa, reclamou que alguns dos principais entraves da rotina da corporação são consequências de inércia da Justiça, como, por exemplo, a destruição de armas e drogas apreendidas e a alienação antecipada de veículos.

Sobre o problema do tráfico de drogas, o delegado alegou que falta prioridade de julgamentos e manter essas pessoas presas. Já quanto à demora para destruir as armas de fogo, Morais lembrou que todas as delegacias ficam abarrotadas, tornando-se faróis para o crime organizado. “Estão ali, à disposição, armas para delegacias serem saqueadas e o criminoso poder escolher qual utilizar. É um problema do Judiciário”, alertou. 

Morais também apontou como grave problema a falta de definição quanto a vistoria veicular feita dentro da própria PC. “Hoje colocaram lâmpada de furto ou roubo, tem de ser passar pela vistoria pra ser devolvido, só que não há uma definição de qual é o cargo que deve fazer, e aí o vistoriador que atende a nossa região uma vez por semana e só depois ele prepara o laudo (…). Quem tiver um carro furtado ou roubado, ele fica mais de seis meses pra ter de volta, pela dificuldade da vistoria veicular e da perícia catalográfica, que só é feita no pátio central do Detran em Vitória”, explicou.

O delegado também cobrou que a PCES seja “convidada” pela PMES para colaborar nas investigações de crimes ambientais. “Crimes caros a nossa região, que é o desmatamento e a grilagem. É muito fácil de saber pela especulação imobiliária daqui que não é feito por quem quer construir um barraquinho”, disse.

Leandro Morais lembrou que Santa Teresa recebeu o projeto-piloto da Secretaria de Segurança Pública para implantação de leitores biométricos, o que “mostra o comprometimento dos policiais civis”. Todo cidadão que passar na delegacia, independente da condição, será identificado por biometria. 

Lideranças fazem cobranças

Falando em nome da Câmara Municipal de Santa Teresa, o vereador Renato Cosmi destacou a necessidade de o Estado valorizar o trabalho de professores e policiais se pretende realmente avançar na qualidade da segurança pública. 

Já o representante da prefeitura, secretário municipal de Governo, João Paulo Angeli, elogiou o empenho das forças policiais na região, mas alertou para a falta de integração de políticas públicas, o isolamento dos municípios no debate e a incapacidade de elaborar diagnóstico regionalizado. 

“É muito urgente que façamos diagnósticos regionalizados no tema das políticas públicas de segurança. (…) As soluções precisam ser realizadas de formas particularizadas e de acordo com as realidades locais, ou do contrário a gente continua discutindo política pública de cima pra baixo e os nossos territórios têm grande dificuldade de avançar”, afirmou Angeli.

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Para o vice-prefeito teresense, Doutor Gregório Rocha, há uma incoerência entre o peso do problema da violência e o tamanho do recurso repassado à municipalidade. O político defendeu também a instalação de escolas cívico-militares sob a responsabilidade do Executivo estadual. 

Doutor Gregório cobrou, ainda, investimentos em tecnologia para dar conta do avanço de crimes cibernéticos na região e valorização salarial de policiais com intuito de manter o efetivo. “É inadmissível nós termos um estado que sempre fala que tá com as contas em dia (mas) paga um salário baixo em nível de Brasil”.

O vice-prefeito fez questão de destacar que a cidade de 22,8 mil moradores ainda é fortemente rural. “Precisamos cada vez mais alocar recursos humanos e financeiros, carros, efetivo para melhorar gradativamente a patrulha rural. Se nosso campo não funcionar, nós iremos quebrar”, sentenciou.

Se o problema mais crítico é o baixo contingente da Polícia Civil e da Polícia Militar por um lado, o secretário de Defesa Social de Santa Maria de Jetibá, Vitor Dimitri, aponta que, por outro, a atualidade brasileira seria de “prefeitos fazendo greve” por falta de caixa para resolver demandas como a instalação de uma Guarda Civil Municipal, por exemplo.

Presidente da Câmara Municipal de São Roque do Canaã, o vereador Leonardo Casotti Peroni citou o risco de atentados em escolas e lembrou que se prefeituras têm investido no videomonitoramento de ruas e comércio, causando sensação de segurança por parte da população, isso não pode substituir o ganho social de policiais militares com bons salários e equipamentos para trabalhar. 

A cidade de São Roque do Canaã não conta ainda com a presença de policiais civis. Dos nove vereadores, oito estavam presentes na audiência pública.

O deputado Delegado Danilo Bahiense fez coro à cobrança pela valorização de servidores estaduais. Ele pontuou que o déficit é de 3 mil policiais militares e um efetivo de apenas 2,4 mil policiais civis – quando o ideal seriam mais de 6 mil.  Segundo disse, esses dados comprovam o fato de o Espírito Santo perder mão de obra para outras unidades da federação.

“Hoje, o delegado aqui de Santa Teresa, está em situação complicadíssima, um delegado, uma escrivã e dois investigadores. Esse é o fato organizacional que ele tem aqui hoje”, citou o parlamentar.

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* Com informação da Ales – conteúdo / Luan Antunes

* Foto: Divulgação – Ales / Marcelo Pita

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SEGURANÇA

Irmãos policiais fazem troca de comando inédita na PM do ES

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Esta foi a primeira vez em 191 anos da PMES em que um irmão transmitiu o comando para outro

Por Guilherme Lage* | Vitória (ES)

Um momento inédito marcou a história da Polícia Militar do Espírito Santo, nesta segunda-feira (22), em Vitória. Nesta data, pela primeira vez em 191 anos de PM no Estado, um irmão transmitiu o comando de uma unidade para o outro.

O momento solene aconteceu com a transmissão da 12ª Companhia Independente, que patrulha a região continental deVitória ao major Baltazar Rubim Garcia. Ele recebeu a responsabilidade das mãos do irmão mais novo, Isaac Rubim Garcia.

Isaac assumirá o 1º Batalhão da Polícia Militar, também na Capital. Segundo ele, poder passar o comando da Companhia Independente ao irmão, foi um momento único e histórico, cheio de emoção.

Foi emocionante! Inicialmente, porque transmiti o comando a uma pessoa extraordinária e que cuidará muito bem da Unidade. Em segundo lugar porque sabemos que foi um momento histórico nos 191 anos de existência da PMES, Major Isaac Rubim Garcia

Família de policiais

Isaac e Baltazar vêm de uma família com seis irmãos em que quatro são policiais. De acordo com Isaac, o desejo de se tornar um policial militar surgiu quando ainda era criança, em 1990.

Isso porque naquele ano, a irmã mais velha, Rosane, ingressou na corporação. Quatro anos depois foi a vez do outro irmão, Ubiratan. Dali para a frente, o desejo de ser policial nunca mais passou.

“Rosane, a mais velha, entrou na PM em 1990 e se aposentou na graduação de subtenente. Ubiratan ingressou em 1994 e se aposentou no posto de capitão. A família sempre ‘respirou’ a Polícia Militar e ficou muito emocionada com o momento. Quando Rosane entrou na PM, eu era uma criança de apenas 7 anos e, desde já, quis seguir os passos dela. Ela foi minha inspiração”, contou.

Para Isaac, assumir o 1º Batalhão é motivo de orgulho e sentimento de honra. Aos 44 anos, o major está há 25 anos na corporação.

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Segundo ele, poder compartilhar o momento com o irmão torna a celebração ainda mais significativa.

“Isso, de certo modo, é um prêmio para nossa carreira, um reconhecimento também da história que a gente trilhou na Polícia Militar, estou muito feliz e foi no primeiro batalhão que eu iniciei minha carreira operacional, após o Curso de Formação de Oficiais. Comecei aqui em dezembro de 2003, ingressei na Polícia Militar em março de 2001, em dezembro de 2003 iniciei minha carreira no primeiro batalhão e fui até 2010 aqui”, disse.

“Honra e responsabilidade”, diz major

Para o major Baltazar, que assume o posto que era do irmão, o momento se tornou simbólico por conta da responsabilidade que se assume ao se tornar comandante de uma unidade.

Tudo se tornou mais especial por ter vivido o momento, justamente em família, ao lado do irmão e com a presença da mãe e das esposas de cada um.

Foi um momento de grande emoção e significado. Na condição de policial militar, assumir o comando de uma Unidade já representa, por si só, uma enorme honra e responsabilidade. Mas receber essa missão das mãos do meu irmão tornou a ocasião ainda mais especial. Todos os irmãos, nossa mãe, esposas, filhos e demais familiares e amigos vieram prestigiar, Major Baltazar Rubim Garcia.

Ainda segundo ele, o momento foi marcado por reflexão sobre a confiança que a corporação tem nos irmãos.

“Recebi a missão com gratidão e o compromisso de dar continuidade ao excelente trabalho desenvolvido na 12ª Companhia Independente, sempre buscando servir da melhor forma à população de Vitória”, disse.

Continuidade ao trabalho do irmão

Segundo Baltazar, assumir a nova missão à frente da 12ª Companhia exige dedicação, equilíbrio e total alinhamento com os valores institucionais da Polícia Militar.

De acordo com ele, as pessoas podem esperar a continuidade do trabalho iniciado pelo irmão, que ele classifica como “pautado na preservação da ordem pública, no fortalecimento do policiamento ostensivo e na aproximação cada vez maior com a comunidade”.

“Também pretendo dar sequência às ações integradas com outros órgãos e reforçar o emprego estratégico do policiamento, valorizando o profissionalismo da tropa e o compromisso com a missão constitucional da Polícia Militar”, afirmou.

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Quem são os irmãos policiais

Isaac Rubim Garcia nasceu em 1982, em Alegre, e ingressou na PMES em 2001, aos 18 anos, por meio do Curso de Formação de Oficiais. Formado em 2003, iniciou a trajetória no 1º Batalhão, em Vitória, onde atuou como comandante de Policiamento da Unidade.

Ao longo da carreira, desempenhou funções como comandante de pelotão de patrulhamento tático motorizado e subcomandante da Companhia de Operações com Cães do Batalhão de Missões Especiais (BME).

Como capitão, passou por unidades como o Batalhão de Polícia de Trânsito, o 14º BPM, a Casa Militar do Governo e o 6º BPM. Já como major, atuou no Ciodes e na Diretoria de Recursos Humanos do Quartel do Comando-Geral, além de comandar por quatro anos a 12ª Companhia Independente. Agora, assume o comando do 1º Batalhão, unidade onde iniciou a carreira operacional.

Já Baltazar Rubim Garcia nasceu em 1979, em Jerônimo Monteiro, e ingressou na PMES em 2007, aos 27 anos, também pelo Curso de Formação de Oficiais, concluído em 2009. Sua primeira atuação foi no 9º Batalhão, em Cachoeiro de Itapemirim, onde exerceu funções como comandante de policiamento da unidade e chefe de seções de planejamento, recursos humanos e inteligência.

Também serviu no 1º Batalhão, acumulando funções de comando e inteligência, além de ter atuado como chefe de curso na Academia de Polícia Militar. Como capitão, passou pelo Batalhão de Missões Especiais, pelo 6º BPM, pelo 2º BPM e pela Diretoria de Tecnologia da Informação.

Já no posto de major, foi chefe da Divisão Operacional do 6º BPM entre 2024 e 2026. Agora, assume o comando da 12ª Companhia Independente da PMES.

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  • Folha Vitória – Conteúdo
  • Foto destaque: Divulgação / PMES
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